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INFERÊNCIAS
Horóscopos Diários
Dia 18 de Junho 2018
Por Maria Helena


Rosto da Semana – Barreiro
Sara Ferreira – palavra dada é palavra honrada


A(nota)mento - Barreiro
Evocação do cidadão Alcino Monteiro


Por dentro dos dias – Barreiro
Liberdade rima com Dignidade


Inferências
Barreiro a necessidade de pensar em conjunto
– a fábrica e a cidade!


COLUNISTAS
A Leste Nada de Novo
Por Nuno Santa Clara
Barreiro


Estou chateado!
Por Carlos Alberto Correia
Barreiro


É falta de educação não responder às perguntas ou não cumprir o que se promete
Por Nuno Cavaco
Moita


O Barreiro está um pouco mais pobre!
Por Nuno Banza
Barreiro


MONTIJO - AGIR NO PRESENTE,PREPARAR FUTURO
Por José Caria


BASTIDORES
Oferta de manuais escolares para residentes no Barreiro
Avança no ano letivo 2018/2019 para alunos do 7º ao 12º


Deputada Paula Santos na Moita
Sessão Pública na Associação Moradores da zona Norte na Baixa da Banheira


Moita - Pavilhão Desportivo da Escola Secundária da Baixa da Banheira
Verdes Exigem a Construção


ENTREVISTA
Barreiro - Naciolinda Silvestre, Presidente da União de Freguesias de Palhais e Coina
«Uma freguesia que dá qualidade de vida a quem cá está»


Barreiro - Isabel Ferreira, Presidente da Junta de Freguesia de Santo António da Charneca
«Não quero que a minha freguesia seja uma freguesia peri


DESPORTO
Xadrez - Portugal vence Galiza em match de preparação
Bastante positivo na preparação dos xadrezistas lusos para as competições internacionais


Barreiro - Ginastas da Associação Trampolins Fabriltramp
Ana Renata Paulino e Raquel Solposto em 3º. lugar nacional


Moita - Gonçalo Saldanha do Ginásio Atlético Clube da Baixa da Banheira
Campeão Nacional em Duplo Mini Trampolim.


Barreiro - Taça de Portugal de Patinagem Artística
Grupo Desportivo Fabril alcança brilhante 4ºlugar


Barreiro - Torneio de Minibasquete do GDESSA
Envolvimento de cerca de 200 crianças


Barreiro – Rafael Piteira de «Os Leças»
Sagrou-se vice campeão nacional de Duplo Mini Trampolim>


Sailing Camp 2018 – Clube de Vela do Barreiro
Inscrições abertas


Moita - Ginastas do GAC da Baixa da Banheira
Campeãs Nacionais em Trampolim Individual.


Taça Associação de Patinagem de Setúbal 2018
Conquistada pela Escola de Patinagem do Grupo Desportivo Fabril do Barreiro


Barreiro - Futebol Clube Beira Mar do Lavradio
Campeão Distrital de Futsal em Infantis


Barreiro - Badminton do Luso Futebol Clube
Campeões Zonais da Época 2017/2018


AS ESCOLAS
Evento reúne em Setúbal várias personalidades ligadas ao desporto adaptado
IPS acolhe lançamento da Associação Nuno Mata


Setúbal acolheu a 5.ª Staff Training Week do Consórcio Erasmus Al Sud
Programa de Mentoria do IPS elogiado pelos parceiros europeus


Barreiro - Escola Profissional Bento Jesus Caraça
Aula com a Fotografa Vera Marmelo.


No TOP 5 duas escolas do concelho do Barreiro
Escola Secundária de Casquilhos vencedora da 3ª Amarsul «Eco Sound»
. Escola Secundária de


REPORTAGEM
Barreiro - Conversa à Mesa com Marta Baeta um encontro com sabores do Quénia
Uma favela onde residem cerca de 2 milhões de pessoas


Barreiro - Plataforma Cívica BA6 - Montijo Não
Vai avançar com petição para o tema ser debatido nas Assembleias Municipais


Moita - Festas Populares da Baixa da Banheira em honra de São José Operário
«Seremos visitados por cerca de 30 mil pessoas»


Barreiro – Coral TAB e Russkii Klub
Uma noite com ritmo e a perfeição da «simbiose» entre as vozes e a dança


Barreiro - Um dia não é suficiente para visitar e ver todas as obras da 9ª Colectiva de Artes
Mais de 120 obras dos alunos de Casquilhos


Barreiro - Por fim às indignas condições de trabalho
Esta não devia ser uma preocupação do século XXI


Gala do Movimento Associativo do Barreiro
Vai assinalar as comemorações do Dia do Associativismo em 2019


Centro de Formação de Professores Barreiro – Moita
Vai ter professor destacado para desenvolver o trabalho da autonomia curricular


«Os Mistérios do Sexo» pelo Teatro de Ensaio do Barreiro
Como através do sorriso é possível pensar o mundo e a vida


«O nosso objectivo é que a marca ‘Chá Conventual’ seja conhecida no Barreiro»
Dar continuidade ao que criamos na Moita


Barreiro - «Jogo de Massacre» uma peça que é ArteViva
Um espectáculo onde a morte afirma-se com um grito à vida.


MOLDURA
Moita - Formandos revelam à comunidade os trabalhos desenvolvidos nas várias disciplinas
Festival Sénior encerra mais um ano letivo da UniSeM


Passeio de Bicicletas Antigas do Barreiro
Inscrições gratuitas.


Unidade Local do Barreiro ACT promove na Biblioteca da Moita – Vale da Amoreira
Sessão de Esclarecimento «Contratação de Trabalhadores Estrange


Barreiro - 20º Concurso de Gastronomia Ribeirinha
Tendo como base produtos originários ou característicos dos rios Tejo e Coina


No Largo do Mercado Municipal 1º de Maio - Barreiro
Mundial de Futebol 2018 em Ecrã gigante


Vertente solidária apoia uma IPSS do concelho do Barreiro
Continua presente no «Reserva o Verão em Família» na Mata da Machada


Forum Barreiro Night Run 2018
No próximo dia 23 de Junho, pelas 21h30
. Abertas as inscrições


Barreiro - Campos de férias na Mata da Machada começam a ser uma tradição
Estão com as vagas praticamente esgotadas


Barreiro -«Reserva o verão em Família»
Volta a trazer atividades para toda a família na Mata da Machada


AUTARQUIAS
ORGANIZAÇÃO DOS SERVIÇOS DO MUNICIPIO DO BARREIRO
Um dos temas da reunião da Assembleia Municipal em Coina


Terreno para construção do novo quartel da GNR na Moita
Câmara Municipal aprovou por unanimidade proposta de permuta com o Estado português


Transportes Colectivos do Barreiro
Alteração de Horários
. Período de Férias Escolares


Barreiro - Serviços Operacionais da CMB vão ter novas instalações
Desafio de poder tirar pessoas em condições indignas de trabalho


OPINIÃO
Vamos ocultar a nossa história?
Por Luís Murilhas
Barreiro


Gerir o medo
Por Sandra Pereira
Barreiro


O AÇAMBARCAMENTO DA OSTOMIA
ASSOCIAÇÃO NACIONAL DAS FARMÁCIAS E O BUSINESS DA OSTOMIA
Por Vitor Bento Munhão
Barreiro


A evolução tecnológica e o risco das fake news
Por Carlos Aguiar
Barreiro


Das ervas que o clima traz
Por Tiago Sousa Santos
Barreiro


Gratidão
Por Sandra Pereira
Barreiro


Aproximadamente 22% da população portuguesa sofre de Rinite Alérgica.
Por Cândida Bizarro, Inês Ribeiro e Maria Inês Silva
Barreiro


PATRIMÓNIO INDUSTRIAL COMO GERADOR DE CONHECIMENTO
Por Leal da Silva
Barreiro


ASSOCIATIVISMO
Barreiro - »Os Reguilas» Creche e Jardim de Infância
Assembleia Geral vai debater extinção da associação


Moita - 47ª Feira do Livro de Alhos Vedros
No Largo do Coreto de 28 de Junho a 1 de Julho


Moita - Ginásio Atlético Clube da baixa da Banheira
Comemorações do 80º Aniversário


CULTURA
Museus municipais de Almada
Oferecem entre junho e agosto um programa de atividades gratuitas.


LIVROS
No Auditório da Biblioteca Municipal do Barreiro
Apresentação do livro «Eletrão Terra»


Na Biblioteca Municipal do Barreiro
Apresentação do livro «Eletrão Terra» de Luís Figueiredo


POSTAIS
Imortalizar património do Barreiro com fotografias de qualidade
Exposição «Lugares com história-Barreiro»


Barreiro / Moita – Na descoberta da Mata da Machada
Mais de uma centena de participantes na Caminhada «Aquém Tejo»


Barreiro - João Pintassilgo festeja 70 anos surpreendido por amigos
«O que prefiro é estar sempre no lado da solidariedade»


Barreiro - Estação de Tratamento na Rua D. José Carcomo Lobo no Lavradio
Obras entram na fase final


Edifício Fénix no centro do Barreiro
Fernando Capelo quer embargar as obras


Reunião entre Câmara Municipal do Barreiro e Ministra do Mar
Aguarda meses para ser marcada


A Muleta será entregue à Câmara Municipal do Barreiro
Na primeira quinzena de Julho



É preciso mostrar que há pessoas no Barreiro a editar
«Gosto mais de paixão que de amor, o amor torna-se rotina»
.afirma Emanuel Góis


Construção de Campos PADEL em Alburrica
Reprovado Protocolo de Parceria de Gestão de território da APL


Barreiro – Reconstrução do Moinho Pequeno arrancou como ‘vem de trás’
Avança estudo para praia interior na Caldeira do Moinho Grande


Sistema led em toda a iluminação pública do concelho do Barreiro
Aprovada proposta de entrega da iluminação a uma entidade


Barreiro - Bruno Vitorino «não vou compactuar com esta situação»
«Um vídeo digno da Coreia do Norte»


Proposta da CDU de passe gratuito nos TCB até ao 12 anos
Reprovada com votos contra PS e abstenção PSD


Barreiro - Aprovada proposta de contratação de empréstimo de um milhão e 50 mil de euros
Requalificação urbanística e reabilitação de Armazém de V


Barreiro - Oferta de Manuais escolares até ao 12ºano
Proposta aprovada pelos eleitos PS e PSD
. CDU votou contra


Moita – Festas Multiculturais do Vale da Amoreira
Música, Dança. Gastronomia, Exposições, Artesanato e Animações Culturais


ARTES
Câmara Municipal atribuiu uma subvenção de emergência ao Festival de Almada
Afectada pelo resultado do concurso público de apoio às artes


EUROPA
Orçamento da União Europeia
Comissão Europeia propõe investir 9,2 mil milhões de EUR no primeiro programa digital de sempre


Comissão Europeia publica relatório
sobre a aplicação da Carta dos Direitos Fundamentais na União Europeia em 2017


opinião rostos.pt - o seu diário digital

PATRIMÓNIO INDUSTRIAL COMO GERADOR DE CONHECIMENTO
Por Leal da Silva
Barreiro

PATRIMÓNIO INDUSTRIAL COMO GERADOR DE CONHECIMENTO<br />
Por Leal da Silva<br />
Barreiro As duas décadas de 70 a 90 marcaram uma forte alteração do modelo industrial. Isto não sucedeu apenas no Barreiro. Alteraram-se matérias primas, modificaram-se escalas, encurtou-se o Mundo, exportaram-se locais de produção.

A força avassaladora da economia, vestida ou não de globalização, fez-se sentir em setores do conhecimento até então quase imunes à sua penetração percutora e pensou-se mesmo que, a breve trecho, se poderia dar resposta à questão inquietante formulada por Marcuse nos anos 60: produtividade para quê?

Nesta mudança de campo, de escala e de afinação há que reconhecer ter surgido um certo desamor às tecnologias ou, pelo menos, às tecnologias que tinham até aqui conduzido o mundo industrial. Ouve-se hoje, com frequência, dizer que “as tecnologias compram-se” e que é a partir dos produtos básicos dessas tecnologias que se deve construir um mundo tecnológico novo, mais sofisticado, mais exigente, menos descritivo da realidade fabril primária. A ciência prossegue e a tecnologia , que dela decorre, vem-lhe imediatamente na peugada, permanecendo no mesmo pelotão da frente, transpondo para o carro-vassoura os velhos “kombinat”, os velhos centros industriais, que só se mantém operacionais onde a Economia ainda não os condena. E só não digo “a Economia e o Ambiente” porque tendências recentes e controversas mostram como a Economia pode pretender reduzir a motivação ambiental,num mecanismo retrógrado.
---
Houve mudanças nas próprias profissões. O envolvimento humano foi sendo dispensado e a atenção das populações foi sendo desviada da produção para o consumo e do trabalho para o emprego, onde este não falte. Aliás havia já profissões que recebiam mais atenção mediática que outras – e nesse aspeto as que se ligam à prática do engenho ou seja ao domínio do tecnológico foram certamente as mais depreciadas e substituídas. Mas o ritmo atual também encurtou tempos de aprendizagem, e Bolonha que o diga e o mostre. Um engenheiro hoje passa muito mais brevemente pela escola, pela fábrica ou pela oficina porque, se é astuto, depressa abandona o que de engenharia aprendeu para ingressar na gestão e nas questões mormente económicas e sociais que na gestão encontra. São os “billions and billions” para impressionar o pagode. E, mais uma vez, quando necessitar da tecnologia… compra-a. Várias situações curiosas já sucederam por esta transposição de desempenhos. São, por agora, meros avisos.
- - -
Para encerrar esta reflexão algo amarga direi que num recente encontro de académicos sobre um tema aparentemente diferente – a História – se apontaram três alvos imediatos: património, turismo e paisagem. A referência a património não primava pela relação deste com o conhecimento. Era, por exemplo, montar uma cervejaria numa fábrica de cerveja, sem necessidade de explicar o processo, ou trazer um restaurante requintado a uma sacristia conventual, fazendo assim convergir o turismo e manter a paisagem no que de apreciável pudesse completar o cenário. Mas a fórmula pode ter uma utilidade efetiva, como veremos adiante.
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Onde reter, manter, mostrar e sustentar o património? A reação dos diversos centros em que a desindustrialização se verificou foi diferente, de caso para caso, e com diferentes consequências – desde o modelo “a fábrica nunca existiu” que foi um pouco o que aqui sucedeu (ou se pretendeu que sucedesse aqui) até ao aproveitamento bem realizado e mostrado que visitei algures e me dizem ter sido também conseguido noutros locais. Mas, em qualquer realização, a preservação desse património, material e imaterial, passa por algumas realidades que deveriam ter sido visitadas e estudadas. Destaco a organização e não a improvisada sobrevivência, a manutenção e sustentabilidade, e o conhecimento trazido do passado, vivido no presente e,como potencial, apontado para o futuro.

Digo isto assim porque considero que museus e arquivos de carácter técnico, enquanto se permite que vivam, têm sempre uma VIDA INFLUENTE relativamente limitada no tempo. Essa vida influente, no caso de um museu industrial, diversa do de outros museus em que se preza a transtemporalidade da Arte, mede-se pelo tempo em que se mantem, entre os seus visitantes, mormente locais, uma maioria relativa de visitantes inéditos. No caso de um arquivo, essa VIDA INFLUENTE resulta da capacidade de nele encontrar temáticas narráveis e histórias exemplares e de a ele saber trazer quem as trabalhe para partilha e divulgação. O que nuns se mede pelas IMPRESSÃO CAUSADA E PELO CONHECIMENTO TRANSMITIDO noutros pode medir-se pela PRODUÇÃO REALIZADA. O museu de conteúdo técnico não é paisagem facilmente renovável nem se mantém apetecível ao fim de diversas visitas. Cansa e cansa-se. Mas o pormenor justificativo e o conhecimento que dele se pode tirar resulta certamente mais válido quando ampliado por renovadas audiências.
Mas caberá então perguntar: AUMENTADO E RENOVADO COMO? E a que preço? Só o poderá ser por processos de inserção local, regional e temática e pela partilha de identicos problemas dentro de um processo de uma formação cultural integrada.

A geração do conhecimento resultará da convergência de TODOS a quem “aquilo” diga algo de específico e valorizável (com o “aquilo” entre aspas não depreciativas e o TODOS em maiúsculas porque deverão ser mesmo TODOS, sem torres de marfim ). Se se desenvolveu aqui ou ali tecnologia valiosa que os “clientes” desses locais de conhecimento se sintam de qualquer forma enriquecidos com a informação a isso dedicada, que mantenham permanente acesa uma motivação pela instituição respetiva, que a saibam renovada e renovável e assim o afirmem e para a sua divulgação contribuam.

Realizem-se encontros, debates, conferências o que quer que seja que afaste o repetido mostrar das mesmas peças e o contar das mesmas histórias, que afaste as rotinas chatas e que desafie e traga possíveis interessados externos que permitam uma renovação em rede de audiências e narrativas. Existem em vários concelhos do País exibições temáticas que foram feitas e em seguida guardadas e esquecidas mas que podem ser trazidas por intercâmbio temporário – mas muitas vezes ignoramos ou até desprezamos o que o nosso equipoder possar trazer-nos. E que guardemos e ouçamos narrativas de vidas enquanto existir quem as possa narrar.(2)

Acentue-se o interdisciplinar. Agarre-se não apenas História, mas a explicação das coisas em todos os seus planos e formas, as realidades presentes e as portas abertas para o futuro. Não se omita o social. Criem-se ou participe-se nos Amigos disto ou daquilo, constituam-se comissões ou núcleos, escolares ou industriais ou de animação coletiva local representando círculos centrados no local de atração. Foram concursos e competições que, no são princípio das chamadas “sociedades de emulação” do sec XIX, estiveram na origem de indiscutíveis avanços no conhecimento. O exemplo da formação dos príncipes do iluminismo que procurava que cada um tivesse um ofício – D.José, por exemplo, era marceneiro - trazia consigo alguma sabedoria.
- - -
E coloque-se assim o Barreiro nas diversas rotas possíveis de por aqui passarem, de realizarem aqui a tal combinação atualista de património, turismo e paisagem. A exposição sobre a muleta – que hoje vai ser motivo de um importante encontro aqui ao lado e que, ironicamente, vive mais na heraldica municipal do Seixal que na do Barreiro – pode constituir elemento permanente e “exportável” para um itinerário de barcos ribeirinhos ibéricos. E se esse itinerário não está organizado, organize-se. Ou traga-se a pirite a um itinerário turístico-mineiro-social que defenda que o conhecimento dum minério complexo como esse não deve ficar apenas na extração mas também na transformação, criando o duplo MM de sucesso, mineiro e metalúrgico, de que parece termos receios que outros souberam aproveitar por não terem receios alguns Direi, por conhecimento de causa e exemplo de inação, que – neste ponto, em que temos razões originais e até mundialmente singulares – continuamos a “andar parados” e, embora praticamente aceites na comunidade mineira em podermos participar numa rota turística existente e operante acompanhando Aljustrel e outras minas do Alentejo, arriscamo-nos a perder os créditos conseguidos. Esperamos o quê? Que nos levem ao colo?

Surge aqui um apelo: pela dedicação ao local de trabalho, que é uma realidade constatável, há documentos, livros de fábrica, apontamentos e outra memorabilia que constituem patrimónios pessoais mas que, passadas gerações, podem cair em perdição final como os papeis que eram do avozinho e que estão por ali abandonados. Se é certo que não há coisa mais perdida que uma coisa bem guardada, caso se encontrem tais memórias que elas sejam trazidas aqui para que aqui sejam valorizadas e guardadas.

Finalmente: um centro descritivo do que fomos e somos tem de falar verdade. Conhecimento é verdade adquirida e trabalhável. Pelo cuidado de dois responsáveis pela formação textil, e por quem manteve e musealizou o conjunto, que todos merecem a nossa gratidão, foi preservado o equipamento textil que é mostrado neste museu industrial. Mas… e o resto? Onde está a realidade químico-adubeira que trouxe para o Barreiro os texteis de fibra dura porque precisava de ensacar o adubo aqui fabricado? Ou onde foi parar a química e a família química que também habitava nas páginas da fábrica mas que delas parece ter sido excluída? Ou as artes do chumbo, incluindo o velho laminador de 1906 “desaparecido em combate”, no seu desigual combate com o tempo, e as unicas construções de madeira que aqui se ergueram quando chumbo, madeira e silicatos eram os materiais de escolha para esses novos fabricos?

O que de patrimonial existe ou se memoriza é, já por si, necessariamente gerador sustentável de conhecimento. Pelo que fomos, pelo que somos e pelo que serão os que vierem a seguir há que lhe dar persistência e continuidade. Há que estudar e manter vivo o conhecimento de que é fonte e a ele subjaz. Sem isso restar-nos-á transportar para aqui a reflexão melancólica que Cesare Pavese dedicou a uma fonte para, parafraseando-a, verificarmos que uma tão simples frase como “aqui houve uma fábrica” nos poderá- mas só por alguns anos - ainda comover.

Barreiro, 18 Maio 2018
J. M. Leal da Silva

PATRIMÓNIO INDUSTRIAL COMO GERADOR DE CONHECIMENTO
1. Intervenção convidada para o debate homónimo integrado nas Comemorações do Dia Internacional dos Museus, organizadas conjuntamente pela Baía do Tejo e Câmara Municipal do Barreiro,aos 18 de Maio de 2018

2. Somos a “civilização do écran” e, de tão continuadamente nos falarem e preencherem a nossa crescente solidão, os ‘ecrans desaprendem-nos de conversar com o vizinho.

20.05.2018 - 12:25
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