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Com a Crise Económica que Sindicalismo?
Por Antonio Chora

Com a Crise Económica que Sindicalismo?<br>
Por Antonio ChoraHoje, vemos que apesar de passarem mais de 4 meses sobre o começo da crise, os sindicalistas continuam a escudar-se na salvaguarda de postos de trabalho (lindas palavras), sem contribuírem com soluções, continuam a utilizar a bandeira do combate pós-despedimento, em vez de apresentarem propostas para manter o emprego, e quando outros optam pela defesa do emprego, acusam-nos de cedência.

Quem entra num centro de emprego, no Barreiro, Setúbal ou em Braga (apenas alguns exemplos) depara-se com muitas cadeiras e gente sentada. Todos aguardam. Alguns, (cada vez mais) estão ali pela primeira vez, com o impresso passado pelo ex-patrão para se inscreverem, outros, alimentam a esperança de sair dali directamente para um emprego. O que os une é o facto de estarem desempregados. Estes trabalhadores, estão entre os milhares que procuram todos os dias um emprego independentemente da sua profissão, vão em busca de requalificação profissional ou de orientação sobre o Fundo de Desemprego.
O mesmo se passa em Barcelona, mas na sede das 3 centrais sindicais (CCOO, UGT E CGT) que, em parceira com o Governo da Catalunha e as associações patronais, mantém um serviço de aconselhamento, cuidam de qualificação e requalificação profissional e da recolocação no mercado de trabalho. Diariamente, passam por ali centenas, actualmente milhares de pessoas.
No país vizinho, tal como em muitos outros na Europa, os sindicalistas preocuparam-se também com as questões de cariz social, criando cooperativas de habitação, creches, lares da 3ª. Idade, apostando na formação e nos mais variados apoios sociais.
Hoje, confrontados com a crise, os seus filiados tem mais direitos, mais apoios e nem todos são da responsabilidade dos Governos.
Em Portugal não vemos esta actividade, essencialmente porque os sindicatos se desviaram dos seus primórdios fundadores (o mutualismo) e se transformaram na maioria dos casos em apêndices dos partidos políticos, calendarizando as suas lutas e ou submissões, conforme os interesses destes.
O mundo mudou, as indústrias mudaram, e os Sindicatos têm que mudar. Foi assim em boa parte do mundo, mas em Portugal, no sindicalismo, como nas associações patronais, ficámos agarrados ao passado.
O Patronato manteve-se o mais retrógrado de toda a Europa, os Sindicatos os mais marcados ideologicamente pelo sistema sindical que implodiu com o dito socialismo real do Leste.
Os Sindicatos desculpam-se e dizem que se adaptar é ceder, então mais vale continuar retrógrado.
Mas o problema não é esse, o problema é encarar de frente os novos sistemas de trabalho, a flexibilidade, as novas polivalências, as novas profissões, os novos horários de trabalho respeitando as cargas de trabalho, no principio de que deve ser o trabalho a adaptar-se ao homem e não o contrário.
Na Europa, o movimento Sindical há muito que compreendeu isto, vindo sistematicamente a fechar acordos colectivos com estas alterações, evitando assim que o Patronato, na falta de acordos, aplique o que quer e como quer.
O nosso Sindicalismo de “classe” tem levado demasiado tempo a adaptar-se às novas realidades do mundo.
Hoje, vemos que apesar de passarem mais de 4 meses sobre o começo da crise, os sindicalistas continuam a escudar-se na salvaguarda de postos de trabalho (lindas palavras), sem contribuírem com soluções, continuam a utilizar a bandeira do combate pós-despedimento, em vez de apresentarem propostas para manter o emprego, e quando outros optam pela defesa do emprego, acusam-nos de cedência.
O Mundo não será o mesmo depois desta crise, infelizmente, milhares de pequenas e médias empresas irão fechar, dezenas de milhares de trabalhadores irão conhecer o desemprego, provavelmente muitas empresas irão encetar processos de fusão, surgirão novas e mais sofisticadas tecnologias, uma outra globalização deve nascer, novas organizações do trabalho e profissões nascerão, e se os Sindicatos não se adaptarem, não se democratizarem, permitindo a participação de todos os trabalhadores, promovendo eleições proporcionais tais como nas Comissões de Trabalhadores, e se não optarem por defender verdadeiramente os Trabalhadores que representam, em prejuízo de falsas opções de classe e ligações partidárias, correm sérios riscos de desaparecerem por falta de credibilidade, logo de sindicalizados.
Alguns anti-sindicalistas esfregarão as mãos da alegria se tal acontecer, neste momento já riem do sufoco económico a que os Sindicatos se deixaram chegar, é no entanto uma obrigação de todos os que defendem um sindicalismo ao serviço dos trabalhadores, lutar para que tal não aconteça, lutar para que das cinzas desta crise nasça um sindicalismo sem amarras, um sindicalismo aos serviço de todos os Trabalhadores, um sindicalismo de acção mais do que de reacção.


Antonio Chora
Dirigente do Bloco de Esquerda

23.1.2009 - 23:32
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comentários

nome: Tiago Alves
comentario: Claramente que faltam mais Antónios Chora na política nacional. O artigo está bastante lúcido e vem de alguém que sabe do que fala, não de quem manda os tradicionais bitates porque leu num livro ou porque lhe disse não sei quem. Não vai ser uma tarefa fácil [livrar os sindicatos dos partidos políticos], mas é o caminho.
nome: Henrique Silva
comentario: È louvável este artigo, pelas sugerencias que veicula. Considero que há sempre soluçoes, mas para isso, é necessária pre-disposiçao para o dialogo constructivo, entre todas as partes involucradas. As profecías sómente nao chegam. Há que começar por dialogar, recrear novas ideias, que elas sim existem, mas nao caem do céu. Estou de acordo que o mundo está atravessando uma etapa de grandes mutaçoes, mas também, que o progresso continuará com necessidade de trabalhadores, intelectuais, cientificos e pessoas de capacidades e iniciativas próprias. Nao só os sindicatos devem reverse desde dentro, todas as instituiçoes devem fazè-lo, nesse mesmo sentido. Sao portanto as relaçoes institucionais, partidárias e / ou partidistas, que tèm de passar por esse mesmo funil. Há muita coisa que sobra e sem fins utéis à vista. Se pensarmos e actuarmos assim, certamente que uma nova esperança aparecerá sem demagogias e adaptada aos tempos vindoiros.
nome: Aplaudo
comentario: Concordo plenamente com o articulista. Já aqui tenho comentado que os sindicatos portugueses são do mais retrógrado e conservador que conheço. Os tempos vão mudando, as relações de trabalho também, a formação idem, idem, aspas, aspas, mas os nossos sindicatos só sabem fazer aquilo que faziam há cinquenta anos. Reinvidicar mais salários, mais direitos, mais benesses, direito à greve, manifs, etc., etc. Nunca os ouvi falar de deveres, de defesa das empresas onde trabalham, defesa dos postos de trabalho,de cedências e por aí fora. Portanto, estamos e estaremos condenados a sermos a cauda da Europa. É claro que na prática, como as leis não se cumprem, aquilo que existe de muito bom a favor dos trabalhadores não é aplicado pela entidade patronal. Esta vai-se escorando no facto de as leis (que na maioria das vezes não cumprem) não permitirem uma maior flexibilidade e vão, para se defender, contratando a prazo. Mas sem dúvida que são os partidos políticos os maiores culpados desta situação. Os sindicatos não são mais que correntes de transmissão dos partidos. E como o pc foi o primeiro a promover isto os outros em vez de condenarem e procurarem acabar com esta falcatrua não senhor e resolveram fazer mais sindicatos de diferente cor partidária. Tudo isto como se o sindicalismo tivesse alguma coisa a ver com partidos políticos. E assim vamos andando até à derrocada final.
nome: Nuno Cavaco
comentario: Discordo completamente do artigo, em primeiro lugar porque mistura os assuntos e em segundo porque parte de uma realidade que é desfasada. A mistura dos assuntos num artigo que fala de crise leva a que quase todos consideremos boas as referências feitas só que, a crise não começou há 4 meses e António Chora está efectivamente ligado a um partido politico. Trabalhemos todos e juntos para tentar criar melhores condições de vida aos portugueses mas com os partidos, porque estes são os pilares da democracia.
nome: Daniel Geraldes
comentario: Caro Nuno Cavaco, e o senhor que não discordasse deste excelente artigo, até eu que não me identifico minimamente com o sindicalismo sou obrigado a reconhecer a lucidez deste texto.
nome: Aplaudo
comentario: Como diz o comentador anterior estou de acordo que os partidos são necessários mas cada macaco no seu galho. Os partidos fora dos sindicatos e os sindicatos fora dos partidos.
nome: gato escondido
comentario: Quanta demagogia e contradição que por aqui vai
nome: independente?
comentario: Muitos sindicatos proclamam nos seus estatutos a independencai face a qualquer poder incluindo os partidários.Talvez ás vezes seja dificil distinguir essa independencia a começar pelo autor do artigo que tão depressa a reinvindica como a seguir assina como dirigente do bloco de esquerda. De independencia ficamos conversados
nome: vento suão
comentario: Os sindicatos não mudam, são retrógados e estagnaram no tempo diz o srº articulista para logo a seguir dizer que os sindicatos deviam regressar ás suas origens "mutualistas".Isto não advogar a mudança é regredir. Como fará ele uma só equipamento social que custará ,no dizer do provedor da Stª Casa do Barreiro cerca de 400mil € e com terreno oferecido, se esse muitas vezes nem é o orçamento anual de muitos sindicatos?
nome: laborioso
comentario: Se o srº António Chora tem assim tão boas medidas pra evitar o desemprego porque não as vai propor aos trabalhadores da Faurecia,aos 1800 de qimonda, saos 500 da Renault, aos 70 da Philips? Porque não as propos aos da Alcoa, aos da Lusosidere a tantos e tantos outros que foram e vão ser despedidos ?Será que mandar para a formação os 254 trabalhadores temporárioss na Autoeuropa não é uma medida pós despedimento exactamente a mesma que os sindicatos defendem discutenm como governo no ambito do programa de qualificação e emprego? E porque não conseguiu todos estes anos evitar que os quadros da empresa onde trabalha sejam só hoje tres mil em vez dos mais de 4000 que já foram?
nome: mago financeiro
comentario: Concordo que infelizmente muitas empresas já fecharam e vão continuar a fechar atirando para as filas de desempregados muitos milhares de trabalhadores. logo se muitos deles eram sindicalizados deixarão de efectuar as respectivas quotizações para os sindicatos aumentado-lhes o sufoco financeiro que o artigo menciona. Não deixa o mesmo qualquer pistas de como conseguir ultrapassar esta situação sem diminuir a organização dos trabalhadores e sem ficar dependente de um financiamento governamental que coloque em causa a independencia sindical face ao poder politico . Tenho presente o caso da UGT que se arrastou nos tribunais durante anos e os casos das centrais gregas e espanholas.
nome: laço apertado
comentario: O reforço da unidade entre todos os que dependem do seu labor diário e a reorganização das suas organizações ainda que isso possa levar á fusão de sindicatos ou sectores e á reorganização das suas responsabilidades ,competências e ambitos deve ser o caminho que há que trilhar.Não será a adjectivar negativa e regularmente aqueles que dão o melhor de si em defesa dos valores que acreditam que se sairá desta complicada situação.
nome: Lutador
comentario: È inegável que as organizações sindicais tem levado a cabo um amplo de trabalho de esclarecimento , mobilização e luta para impedir ou pelo menos minimizar os contornos mais negativos das pretensões patronais e governamentais de alterar a seu contento a legislação laboral.As grandes manifestações de 2008 comprovam-no como comprovam as ultimas greves gerais.Como é possível ao articulista afirmar então queos sindicatos só actuam no pós despedimento, que não actuam só reagem?Desconhece ele que ,ao que julgo saber tambem é sindicalista ,as conclusões dos diversos congressos sindicais em particular o da CGTP e as propostas que deles sairam? Ou estas só seriam válidas se o srºAntónio Chora tivesse sido delegado ao congresso?
nome: Agradecido
comentario: A organização de trabalhadores que o articulista coordena CT da Autoeuropa tem vindo a assinar acordos com a empresa ao longo dos anos. Faço notar que foi a organização e não srº António Chora sózinho. E depois? Os sindicatos no parque indistrial da mesma tem vindo a negociar a assinar acordos com outras empresas aí sediadas sendo os mais recentes o da SPPM; o da Vanpro e o da Benteler. Cada organização fez o que pode e o que conseguiu porque então desvalorizar uma em relação a outra? Nos tempos dificeis em especial para os trabalhadores há é que valorizar o trabalho de todos aqueles que conseguem remar contra a maré do desanimo, contra a descrinminação, contra os despedimentos, contra a retirada de direitos a que hoje assistimos. Todos são uns heróis. Por mais pequena que seja a sua intervenção ela é sempre certamente muito corajosa e imensamente maior que a intervenção da maior parte da população portuguesa. Todos , mas mesmo todos os que lutam sinceramente para melhorar as condições de vida dos portugueses trabalhadores e as suas organizações merecem os nossos sinceros aplausos e agradecimentos.
nome: Miguel Filipe
comentario: (1) Em tudo na vida existe política. Não a política partidária de que falamos, mas sempre que se dá uma opinião, sempre que se faz uma reflexão, sempre que se discute um problema em busca de uma solução, faz-se política. É natural no ser humano. Nocontexto sindical, as opções, as prioridades, a argumentação, os objectivos, tudo é iminentemente de cariz político, e não vale a pena negá-lo. Sabemos que numa sociedade como a nossa, não vale a pena pensarmos que trabalhadores e empresários "estão todos alegremente unidos pela nossa nação, pela nossa economia, pelo nosso país". Há conflitos de interesses particulares, há objectivos pessoais e colectivos que colidem. E nesta luta que se gera, quem mais cede, mais perde! Daí a necessidade dos sindicatos não baixarem a guarda, sob pena de verem os direitos dos trabalhadores delapidados! Não porque os "patrões" sejam más pessoas ou sejam "inimigos" dos trabalhadores! Mas porque têm interesses diferentes, e os trabalhadores são "apenas" mais um dos factores produtivos das suas empresas, que têm de gerir em busca dos seus objectivos (nomeadamente o lucro).
nome: Miguel Filipe
comentario: (2) Por isso é importante os sindicatos manterem a sua luta, mesmo quando pedem aumentos de 6% dos salários! Porquê? Porque esse aumento é justo, quando verificamos o aumento da inflação dos últimos anos, em que os salários reais diminuiram. E perante o argumento da produtividade, pergunto se nessa equação os salários são o único factor, ou também questões estruturais do país, das empresas, a inovação que não fizeram, a modernização de processos de fabrico e até de gestão! e quando toca a reduzir custos, a bem da produtividade, o mais fácil é não aumentar os trabalhadores. Por isso, numa negociação é importante cada um começar por pedir o que acha justo, justificando-o. Na negociação, encontrar-se-ão algures a meio caminho, mais desviado para quem teve mais razão, ou mais poder para forçar a sua razão... Não sejamos ingénuos: nesta negociação, há que manter a guarda. Caso contrário, veremos cair direitos que julgávamos adquiridos, e quando dermos por isso será tarde demais. Estaremos a trabalhar mais horas por semana, a ganhar menos, a ter menos férias. Será altura de começar outra vez a luta do princípio, não uma luta cega, mas uma luta por direitos justos. Já tenho visto alguns, no conforto do seu emprego certo e bem pago, criticarem os sindicalistas e os meios de luta que utilizam (nomeadamente a greve), para depois, num momento de aperto, em que são questionados direitos adquiridos, se virarem para a Comissão de Trabalhadores e para o Sindicato em busca de apoio. Este é mais um problema da sociedade em que vivemos: o individual acima do colectivo. Enquanto não me tocar a mim...
nome: Atento
comentario: No dia 26 de Janeiro no programa Prós e Contras da RTP1 o ministro da economia Manuel Pinho respondendo a o sec .geral da CGTP que o acusava de não ter escutado os sindicatos, nomeadamente no Vale do AVe,,e de não atender ás muitas propostas que estes efectuam , disse, e repetiu, que sim, que tinha ouvido os sindicatos, que tinha reunido com eles e que estes tinham apresentado propostas muito valiosas. Feitas por quem foram feitas estas afirmações deitam por terra todas as considerações de que os sindicatos só se preocupam com o pós despedimento e com ideias ultrapassadas ou com a falta delas . Podiamos ainda falar das parcerias de formação com várias instituições donde resultam por exemplo os cursos de SHST e seminários como o das doenças musculo esqueleticas. O articulista sabe disto tudo até porque participou e tem certificados dalgumas destas acções. Porque as omite então e porque chega a negar a sua existência? Com que objectivo ? O quer o move a ser mais negativo para com as organizações sindicais a que está filiado que o próprio ministro?
nome: Paulo Silva
comentario: O artigo e mau, e passa por cima de muitissimos problemas criadas nao ha 4 meses atras mas por sucessivas politicas economicas que penalizam o trabalho em favor do capital. Portugal e o pais do Euro com maiores assimetrias da distribuicao do rendimento. Portugal e o pais do Euro com mais trabalhadores a contratos a prazo ou recibos verdes ou equivalente, moda comecada por Mario Soares. Com uma das mais altas taxas de desemprego. Com o salario minimo mais baixo, e nao faltam exemplos, e isto por causa de que? Da opcao de classe que o PS e o PSD tomaram enquanto governo. E precisso dizer mais? Ele que continue no BE que esta muito bem :-)
nome: Paulo
comentario: Que vergonha. O texto deste sujeito é comparável aos piores textos da direita - como é possível? É o fim do bloco de esquerda e o começo do Bloco/PS/patronato. Dá pena.
nome: maria da fonte
comentario: BE = saco de gatos Este artigo é do mais retrógado que já li. A fossanguice para entrarem no parlamento deu nestas Udepices. VERGONHA-.
nome: André
comentario: Temia o PSD e o PS por voltarmos ao séc. XIX em termos laborais. Hoje temo também o Bloco.
nome: David Ferreira
comentario: Maria Concordo inteiramente consigo. Fazem tudo para ter um pouco de protagonismo, até acusar os sindicatos de se "agarrarem" aos postos de trabalho. Devem estar à espera que sejam outros a defender os postos de trabalho. Com este BE estamos bem tramados.

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