opinião
Do Vulnerável Ser ao Resiliente Envelhecer
Por Maria Jose Santos*
Barreiro
Toda pessoa enfrenta situações de stresse durante toda a vida, desde o nascimento até a morte, as quais podem trazer implicações diversas para a saúde física e mental. Os tipos de eventos experimentados ao longo da vida, podem variar de acordo com a idade, com aspectos educacionais e em virtude de factores individuais
"A resiliência refere-se às respostas que damos aos embates da vida, à adversidade, aos traumas, na presença de ameaças ou riscos. Digamos que é o que chamamos de força interna, capacidade de resistir às dificuldades da vida"* Tal como o nosso organismo tem a capacidade de se reajustar ao nível das funções, da flexibilidade, da mudança e adaptação (plasticidade neuronal), o nosso comportamento também possui essa capacidade definida por resiliência.
Uma espécie de recurso protector que o ser humano possui para manter e recuperar o nível de adaptação normal, isto é, uma plasticidade comportamental que nos permite responder aos diferentes eventos da vida. É a nossa capacidade de resiliência que garante o equilíbrio entre ganhos e perdas ao longo da vida.
No decorrer da vida experienciamos acontecimentos de vida, ou seja, acontecimentos significativos, normativos (esperados) e não normativos (inesperados), que são limitadores e facilitadores (por exemplo, estudar e passar numa prova, conseguir um emprego, casamento, separação, morte de um ente querido, acidentes, doenças, reforma, viagem, nascimento de um neto, problemas materiais, mudança de residência, etc), que ocorrem num momento particular da vida, causando algum impacto e que orientam nossa personalidade, nossas atitudes diante da vida.
A resiliência refere-se às respostas que damos aos diversos aspectos da vida, às adversidades, a algum trauma e/ou na presença de ameaças ou riscos. Digamos que é o que chamamos da nossa força interna, a nossa capacidade de resistir. Como se fosse uma almofada fofa nos ajuda a diminuir as dores do peso dos acontecimentos da vida. Acredita-se que a resiliência muda ao longo da vida em circunstâncias e desafios específicos. A resiliência sempre foi muito usada nas pesquisas do desenvolvimento das crianças e adolescentes e mais recentemente no desenvolvimento da vida adulta e dos idosos, centrando-se no envelhecimento bem-sucedido.
No decorrer do processo de envelhecimento torna-se necessário o aumento na capacidade de resiliência na velhice para manter o comportamento adaptativo. Isto porque aumenta a probabilidade de ocorrer mais eventos inesperados na velhice relacionados à saúde física e ao bem-estar e relacionados à vida de ente queridos. Isso não significa que os factores protectores não funcionem na velhice. Mas numa idade avançada as chances de experienciar vários eventos ao mesmo tempo são maiores do que quando jovem.
Assim, pode ser que uma pessoa idosa accione a sua capacidade de resiliência diante de um evento ansiogénico, e ainda que a resiliência seja mostre insuficiente a casos individuais. Os eventos de vida podem funcionar como apoio ou amortecedor da pressão exercida por eles. Vivenciar um evento negativo acarreta maior ou menor exigência dos recursos emocionais, sociais e intelectuais. Tudo depende do valor que a pessoa atribui aos acontecimentos, da disponibilidade de suporte social e do controle que exerce sobre esse evento.
Em alguns domínios do funcionamento físico e psicológico pode acontecer de serem modificados alguns declínios (por exemplo o aparecimento de um problema físico), e o potencial de plasticidade para a melhoria do funcionamento manter-se mais ou menos nos níveis anteriores, sendo possível manter o desenvolvimento apesar dos riscos. Quanto à exposição a factores de riscos, a activação de estratégias dirigidas para a optimização, correcção e prevenção é frequentemente possível para o alcance do nível de adaptação. A activação ocorre frequentemente sob condições sociais e culturais específicas, com apoio de familiares, permitindo que o idoso mantenha o seu nível de bem-estar.
Toda pessoa enfrenta situações de stresse durante toda a vida, desde o nascimento até a morte, as quais podem trazer implicações diversas para a saúde física e mental. Os tipos de eventos experimentados ao longo da vida, podem variar de acordo com a idade, com aspectos educacionais e em virtude de factores individuais.
A nossa capacidade de resiliência tem a função de nos ajudar a repensar os nossos comportamentos, permitindo renovar as nossas atitudes diante das adversidades, dos desafios e aprender com cada lição. A resiliência permite enriquecer o nosso percurso de vida, conforme a nossa compreensão e recursos disponíveis, lançando estratégias de confronto para o alcance da velhice bem-sucedida. A sabedoria, as emoções positivas, a motivação e a autoconfiança reflectem esse efeito de aprendizagem ao longo da vida.
Maria Jose Santos*
*Licenciada em Psicologia, Graduada em Medicina Legal e Psicologia Criminal e Comportamentos Desviantes
Nota - Crónica editada no âmbito do Ano Europeu do Envelhecimento Activo e Solidariedade entre Gerações
13.7.2012 - 13:28
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