opinião
A importância da indústria de carnes de porco no desenvolvimento económico de Aldeia Galega/Montijo
Por José Bastos
Os políticos locais têm que se interessar por estes problemas se quiserem ver o seu concelho progredir. Os produtos derivados da carne de porco tiveram um grande passado no nosso concelho e podem ter um grande futuro, pois tratam-se de produtos alimentares muito procurados pelos actuais consumidores.
A mais antiga indústria de Aldeia Galega/Montijo é a que se dedica à criação, abate e transformação de suínos.
A indústria porcina contribuiu imenso para o nosso desenvolvimento, a partir das últimas décadas do século XIX.
Aldeia Galega tinha 6.325 residentes em 1864 e em 1911, 11.105, quase o dobro da população, ocupando o trigésimo quarto lugar a nível nacional.
A economia local baseava-se na exploração dos recursos marítimos, na agricultura e na criação, abate e transformação de carnes de porco.
Em 1910 instalou-se em Aldeia Galega a fábrica “Izidoro” (Izidoro M. de Oliveira & Irmãos, SA) e em 1920 a Tobom (Companhia de Criação e Comércio de Gados).
Estas duas grandes empresas eram diferentes de todas as outras, porque além de produzirem tudo aquilo que as outras fabricavam, produziam também especialidades: fiambres, salsichas, mortadelas, paios e outros enchidos.A firma Izidoro contratou nos anos quarenta do século passado um técnico alemão especialista em fabricar fiambres e outras especialidades.
Existiam por esta altura na Vila dezenas de fábricas de chacina que abatiam os animais, vendiam as carnes frescas e as vísceras. Faziam chouriços, banha, torresmos e salgavam toucinho.
Para alimentar toda esta indústria chegavam aqui vindos do Alentejo todos os dias porcos com 40/50 Kgs (porco preto alentejano) que seguiam para as malhadas existentes na periferia da Vila,para engorda e que só saiam para abate com 10/12 arrobas. Muito toucinho que era um produto muito usado na altura na alimentação.
A partir talvez do princípio dos anos sessenta do século passado, deixou de haver uma grande procura de toucinho para alimentação humana, acabaram as engordas de porcos pretos alentejanos e passaram a ser criados porcos brancos de raça inglesa que eram abatidos com 70/80 Kgs e tinham mais carne e menos toucinho.
Chegámos aos dias de hoje, com três fábricas de matança e transformação de suínos: Izidoro (Grupo Montalva), Raporal/Stec e a Carmonti, também temos muitos empresários que se dedicam à criação de suínos. Penso que toda a fileira do porco existente no Montijo emprega mais de 1.000 pessoas.
O nosso futuro tem que ser acompanhado por aquilo que foi a nossa história se não quisermos ser um dormitório da capital.
Precisamos de ter muitas pequenas empresas nesta actividade se não quisermos que ela acabe. Existem pessoas empreendedoras na nossa Terra, ligadas a esta actividade, mas para licenciar uma pequena fábrica de especialidades da carne de suíno a burocracia e as exigências são tão grandes que os interessados desistem.
Os políticos locais têm que se interessar por estes problemas se quiserem ver o seu concelho progredir. Os produtos derivados da carne de porco tiveram um grande passado no nosso concelho e podem ter um grande futuro, pois tratam-se de produtos alimentares muito procurados pelos actuais consumidores.
Entendo que é possível a nossa Terra continuar a ter uma grande actividade económica, mas para isso é necessário uma grande vontade política, para desburocratizar obstáculos que são fáceis mas que há pessoas que os tornam intransponíveis.
Se não acabarmos com a grande burocracia que existe neste país que emperra tudo. A economia não se desenvolve e acabamos sempre nas mãos dos especuladores e dos corruptos.
José Bastos
14.7.2012 - 19:15
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