opinião
CARTA A UM AMIGO E CAMARADA DE GUERRA
Por Armando Sousa Teixeira
Barreiro
Interessante tratarmos estes assuntos num tempo em que muitas vozes- detergente tentam branquear a História, enunciando os “erros” da descolonização ou até indo mais longe, como o faz o presidente da República que elogia como um exemplo para os dias de hoje, “o sacrifício dos jovens portugueses na defesa da Pátria”?!
CARO AMIGO E CAMARADA
Obrigado pela tua lembrança. Já conhecia alguns panfletos da contra-informação militar em Moçambique, do tempo da ominosa guerra em que estivemos envolvidos, à ordem (nem sempre cumprida!..), de militaristas e políticos reaccionários e criminosos que negavam o direito inexorável dos povos à sua auto-determinação e independência.
É importante conhecer as várias facetas da guerra, esta porventura não foi das mais conseguidas. A” nossa” APSIC, excepto no caso da Guiné e mesmo aí foi derrotada, não foi muito eficaz. Aliás como sabemos, os nossos “crânios” preferiam entregar a acção psicológica à PIDE, que com a tortura , o assassínio e a promoção de massacres, foi muito mais eficiente.
Não o suficiente, porém, para derrotar os Movimentos de Libertação e impedir a tomada de consciência (efeito perverso!...),dos militares de carreira na formação do Movimento de Capitães, que levou ao pronunciamento militar e logo de seguida à revolução democrática.
Interessante tratarmos estes assuntos num tempo em que muitas vozes- detergente tentam branquear a História, enunciando os “erros” da descolonização ou até indo mais longe, como o faz o presidente da República que elogia como um exemplo para os dias de hoje, “o sacrifício dos jovens portugueses na defesa da Pátria”?!
Em tempos de capitalismo puro e duro e de neocolonialismos em África, esta gente perdeu a vergonha e mostra a verdadeira face de quem nunca esteve com o 25 de Abril nem nunca quis aceitar o fim inexorável do Império.
Embora sujeita a uma lei de fluxos e de refluxos, com avanços e recuos, a História nunca volta para trás! Cabe um papel importante a quem viveu o terrível drama das guerras em África, de contribuir para que a verdade histórica, como o puro azeite português, venha ao cimo da torrente de água límpida dos homens honrados e sérios. A cinquenta anos de distância, tal como vai acontecendo nas outras ex-potências coloniais, é tempo de assumir historicamente toda a dimensão da Guerra Colonial e os seus mais terríveis acontecimentos. Assim o exige também a clara compreensão das guerras actuais com claros contornos colonialistas.
03/08/2012
Armando Sousa Teixeira
4.8.2012 - 12:49
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