opinião
27.º ANIVERSÁRIO DA CIDADE DE MONTIJO
Por José Caria
A nova ponte sobre o Tejo, a Ponte Vasco da Gama, foi inaugurada em Março de 1998 ligando Montijo a Sacavém.
A Ponte tem vindo a ser um dos factores de mudanças na Cidade e Concelho de Montijo.
A História do concelho do Montijo está intensamente ligada ao rio Tejo já que uma grande área do seu território é por ele delimitada.
As favoráveis condições naturais terão estado na origem da presença humana desde o Paleolítico; assim o comprovam testemunhos arqueológicos encontrados na região.
Na génese do concelho de Aldeia Galega está o concelho mais amplo do Ribatejo, remontando este ao séc. XII.
No séc. XII toda a região de Aldeia Gallega de Ribatejo foi doada à Ordem de Santiago,á qual pagava Foros.
Os coutos e herdades que existiam na actual área do concelho do Montijo nos alvores da Nacionalidade foram doados por D. Sancho I, em 1186, aos Cavaleiros da Ordem de Santiago, de que era então prior D. Paio Peres. O núcleo populacional, habitado principalmente por pescadores e salineiros, começou a desenvolver-se desde que na maioridade de D. Afonso V, o regente D. Pedro e o mestre da Ordem o infante D. João, ambos tios do monarca, mandaram desassorear o esteiro de Alhos Vedros, construindo para o efeito uma estacada.
Nos sécs. XIII/XIV o Concelho de Ribatejo era constituido por pequenas Póvoas ribeirinhas e integrava,entre outras, as SALINAS de MONTÍGIO (1249),Samouco e LANÇADA (1241),SARILHOS(1304),ALDEIA GALLEGA (Herdade de Fernão
Gallego/1306).
Em 1370,no reinado de D.Fernando,havia já o “ Porto Novo de Aldeia Gallega do Ribatejo”.
O Concelho mais amplo do Ribatejo integrava duas freguesias, Santa Maria de Sabonha e São Lourenço de Alhos Vedros, no séc. XIV elevadas a concelho.
Sabonha virá, no séc. XV, a dar origem aos concelhos de Alcochete e de Aldeia Galega do Ribatejo, sendo este o único a conservar o topónimo original.
Os habitantes das localidades de Sarilhos, Lançada, Aldeia Galega, Montijo, Samouco e Alcochete dedicavam-se à pesca, à exploração de salinas e à produção de vinho. O abastecimento de vinho, sal e frutas, quer a Lisboa, quer aos navios fundeados no Tejo, estava na origem do intenso movimento de embarcações, nomeadamente, barcas e batéis A barca de Aldeia Galega destinava-se, especificamente, ao transporte de lenha.
Durante a regência de D. Pedro (1439-1446), sendo Mestre da Ordem de Santiago seu irmão, o infante D. João, foi construída uma estacada, obra de engenharia importante para a época, que impediu o assoreamento do rio, tornando mais fácil a navegação fluvial para Aldeia Galega.
Em 1510 estava já construida a Igreja Matriz dedicada ao Espirito Santo havendo nela azulejos datados de 1708 com cenas da Vida da Virgem.
O desenvolvimento da localidade justificou a atribuição de foral em 15 de Setembro de 1514 pelo rei D. Manuel I; desconhecendo-se a razão, o mesmo monarca voltou a atribuir novo foral em 17 de Janeiro de 1515, desta vez um único diploma para duas vilas: Aldeia Galega do Ribatejo e Alcochete.
Em 1520 foi fundada a Misericórdia,como irmandade.
Em 1533 o Correio-Mor estabeleceu em Aldeia Galega a sede principal da Posta do Sul, serviço que assegurava o transporte de correspondência. Desde então começaram a passar inúmeros viajantes, vindos de Lisboa, com destino ao Sul ou a Espanha.
Em 1574 foram redefinidos os limites dos concelhos de Aldeia Galega e de Alcochete.
Em 1591 entrou em funcionamento o HOSPITAL Em Dezembro de 1640 o Duque de Bragança, futuro D. João IV, no caminho para Lisboa, onde viria a ser aclamado rei, pernoitou em Aldeia Galega. Outros monarcas também por aqui haveriam de passar: D. João V, D. João VI, ainda príncipe herdeiro, D. Maria II.
No decorrer do séc. XVIII assistiu-se a uma mudança gradual da economia local: a preponderância das actividades ligadas ao rio e à agricultura cedeu lugar às actividades comerciais e industriais, nomeadamente, ao comércio e transformação de gado suíno. Paralelamente fixaram-se inúmeros alentejanos em Aldeia Galega.
A importância da sua situação geográfica, como via de ligação entre Lisboa, o Sul do país e a fronteira, é evidenciada num Decreto emitido durante o reinado de D. Maria II, que definia, no contexto das necessidades de reparação das estradas do país, como prioritária a estrada de Aldeia Galega do Ribatejo ao Caia e de Lisboa ao Porto, pela sua relevância para a economia do país.
Face ao assoreamento do rio e procurando garantir o fácil movimento de pessoas, que agora a Mala Posta também assegurava, viaturas e mercadorias, em 1852 o Governo mandou construir uma ponte – cais de 315 metros de comprimento.
Na segunda metade de Oitocentos, nas férteis terras de Aldeia Galega, cresciam cereais, vinho e frutas, os pinhais abundavam e rio dava peixe, marisco e sal. A sua economia agrícola e industrial, aliada à já referida situação geográfica – ponto de escala de quem pretendia alcançar a capital do reino, vindo do Sul ou da fronteira,
ou de quem de Lisboa viajava para aquelas direcções -, faziam de Aldeia Galega do Ribatejo um importante entreposto comercial.
Em 1908 Aldeia Gallega era servida pelo CAMINHO DE FERRO que trazia suinos às principais fábricas, e grandes volumes de cortiça ;Fábricas e Armazéns chegaram a ter docas próprias para as Fragatas e Batelões que possuiam.
A construção do caminho-de-ferro do Sul e Sueste, ao desviar o fluxo de passageiros e mercadorias, conduziu a uma recessão económica na localidade que foi ultrapassada com o incremento do comércio e transformação de gado suíno.
No início do séc. XX e até à década de 50, assistiu-se à expansão desta actividade, assim como da indústria corticeira. Paralelamente a este apogeu económico, a vila de Montijo viu surgirem importantes infraestruturas e equipamentos: a praça de touros, o mercado municipal, o cinema-teatro, a cadeia comarcã, o palácio da justiça, a reformulação do parque municipal Carlos Loureiro.
Em 6 de Julho de 1930, pelo Decreto nº 18434, a vila e o concelho de Aldeia Galega do Ribatejo passaram a denominar-se Montijo. À época era constituído por três freguesias: Montijo, Sarilhos Grandes e Canha. Em 1957 foi criada, pelo Decreto-Lei nº 41320, de 14 de Outubro, a freguesia de Santo Isidro de Pegões.
Em 14 de Agosto de 1985, com a Lei nº 32, a vila de Montijo foi elevada à categoria de cidade. Nesse mesmo ano foram criadas as freguesias de Atalaia, Pegões e Alto Estanqueiro-Jardia. Em 1989 a Lei nº 34, de 24 de Agosto, publica a criação da freguesia de Afonsoeiro.
Montijo é sede de município com 348,09 km² de área e 51 222 habitantes (2011), subdividido em 8 freguesias. É um dos poucos municípios de Portugal territorialmente descontínuos, sendo aquele que o é de forma mais evidente .
O concelho de Montijo é um dos três municípios de Portugal territorialmente descontínuos, estando geograficamente dividido em duas partes:Parte ocidental – constituída pelas seguintes freguesias: Montijo, Afonsoeiro, Atalaia, Sarilhos
Grandes e Alto Estanqueiro - Jardia, com uma área aproximada de 56,3 km²; Parte oriental – constituída pelas seguintes freguesias: Santo Isidro de Pegões, Canha e Pegões, com uma área aproximada de 291,7 km².
A porção principal, onde se situa a cidade, é a mais pequena e é limitada a norte e a leste pelo município de Alcochete, a sudeste por Palmela, a sudoeste pela Moita e a noroeste liga-se aos municípios de Lisboa e de Loures através do estuário do Tejo. A porção secundária, cerca de 20 km a leste, é limitada a nordeste por Coruche, a leste por Montemor-o-Novo, a sudeste por Vendas Novas, a sudoeste por Palmela e a noroeste por Benavente.
A nova ponte sobre o Tejo, a Ponte Vasco da Gama, foi inaugurada em Março de 1998 ligando Montijo a Sacavém.
A Ponte tem vindo a ser um dos factores de mudanças na Cidade e Concelho de Montijo.
José Caria
(*)Com a devida vénia a todas as Fontes consultadas (municipais e outras).
18.8.2012 - 11:35
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comentários
| nome: |
Jose Bastos |
| comentario: |
Zé, aprecio imenso os conhecimentos que tens sobre o Montijo e o rigor que pões em tudo o que escreves.
Um abraço |
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