inferências
Inferências
Cumpriu-se Abril, falta cumprir-se Portugal!
Por isso, hoje a aqui, continuou a afirmar – ABRIL COMO CAMINHO DE CONSTRUÇÃO DA LIBERDADE!
Uma batalha imensa que nunca está acabada, que exige muito de nós, nas escolas, na vida associativa, nas empresas, porque haverá sempre quem nos queira silenciar e reduzir a meros servos de «pensamentos únicos» e de «economias únicas», de «estratégias únicas».
O 25 de Abril é uma data que toca o coração de muitos portugueses, pelas mais diversas razões, mas, diga-se aquilo que se queira dizer, a principal razão é que esta data assinala o Dia da Liberdade, o dia que liquidou uma ditadura que impunha um “pensamento único”, que reprimia, que oprimia, que silenciava, que não deixava campo aberto para a realização do ser humano na sua plenitude.
O 25 de Abril abriu o caminho para a vivência da Democracia, para sentirmos que somos diferentes, que somos únicos, e que a vida se constrói numa dialéctica de diversidade.
Costumo festejar o 25 de Abril como quem festeja uma passagem de ano, como quem começa um ano novo, mais um ano de um tempo novo que nasceu florido numa Primavera de Abril.
Sinto esta energia de quem sente a Liberdade, como uma causa nobre, uma causa pela qual vale a pena lutar e erguer os dias.
Sei, e reconheço, que cada um de nós pode ter uma visão diferente do 25 de Abril, até de acordo com as opções ideológicas. Até pelos valores que defende para a sociedade, até pelos valores que coloca na construção dos seus dias.
Para mim, desde há muito que coloquei no meu coração este sentimento, de viver o Dia 25 de Abril como um dia de festa, uma festa feita de muitas cores e de muitas palavras, o dia que permite continuar a cantar canções e poemas que apontam caminhos e rumos diferentes de construção de vida.
Porque Abril, diz-nos “tu sozinho não és nada”.
Porque Abril diz-nos – “eles não sabem, nem sonham, que o sonho comanda a vida”.
Porque Abril diz-nos – “há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não!”.
D de Democracia
E, penso também, que os militares que fizeram o 25 de Abril, não tinham na sua realização um «programa politico ideológico», tinham, isso sim, um «programa politico marcado por valores», aqueles valores que se escreviam com três dês – Democratizar, Descolonizar e Desenvolver.
Hoje, quase passados 38 anos, podemos interrogar-nos se esse “programa politico” foi, ou não, cumprido.
Para mim, o programa de Abril foi cumprido!
O programa do golpe de estado dos militares de Abril foi cumprido – democratizou-se, descolonizou-se e desenvolveu-se.
Vivemos num regime democrático, que nos proporciona a escolha dos nossos governantes – no Poder Local, na Administração Central.
Mas, de facto, todos sentimos, que muito ainda está por fazer, para que se aprofunde a democracia, para que se sinta a politica como uma causa nobre que sirva os cidadãos e o país e não o contrário.
Talvez, hoje, e cada vez mais, os partidos políticos, importante pilar da vida democrática, pudessem avaliar o seu papel na vida politica, o seu papel enquanto escola de democracia e repensarem as suas responsabilidades nos caminhos que temos percorrido.
Mas, isto não é o 25 de Abril, isto é o pós 25 de Abril. A democracia essa sim é a conquista do 25 de Abril!
D de Desenvolvimento
Quando olhamos para trás, sentimos que o nosso país se transformou, que as nossas terras se transformaram devido à acção do Poder Local, sentimos que o país mudou ao nível da qualidade dos sistemas de ensino, na saúde.
Somos um país diferente, somos um país com muitas potencialidades.
Somos um país que integra o espaço da União Europeia que nos coloca novos desafios.
Mas, também, este estar na União Europeia, não é o 25 de Abril, é o pós 25 de Abril.
E, também, sobre esta realidade, muito temos que reavaliar, optámos por construir autoestadas, com os fundos europeus. Não promovemos estratégias de valorização da nossa economia, nem sequer potenciámos as nossas riquezas no plano turístico.
Destruímos a nossa indústria, destruímos as nossas pescas. Para recolher fundos do FMI, quando da primeira situação de pré-bancarrota, construímos «elefantes brancos». O Barreiro viveu essa realidade no seu grande parque empresarial.
Mas, isto não é o 25 de Abril, é o pós 25 de Abril.
A verdade é que Portugal desenvolveu-se e a sua realidade mudou ao nível de muitos rankings mundiais.
D de Descolonização
Também aqui cumprimos. Mal ou bem cumprimos. Hoje há novos países no mundo que nós ajudamos a construir e existe uma «potência mundial» que ainda está por ganhar asas, que tem uma língua comum – a Comunidade de Países de Língua Portuguesa.
Somos nós, na Europa, que temos mais condições de potenciar esta estratégia de ligação da Europa aos países lusófonos, mas, também por aqui temos adiado o futuro.
Por vezes, somos impotentes, incapazes de dar força às energias que herdámos de uma história milenar.
Cumpriu-se Abril! Falta cumprir Portugal!
É por isso, que hoje, 38 anos após o 25 de Abril, sinto e penso que CUMPRIMOS ABRIL, MAS FALTA CUMPRIR PORTUGAL.
E, sinto que muitas vezes, continua a confundir-se Abril, com as interpretações politico ideológicas herdadas do antes do 25 de Abril, e continuadas depois do 25 de Abril.
Continuamos a olhar para Abril como um tempo que nos marcou com formas «próprias» de olhar a vida, apenas existindo os bons e os maus.
Era assim antes de Abril, e, por vezes, continuamos a pensar da mesma forma.
Abril abriu caminho para um mundo colorido, a rolar nas “mãos de uma criança”, com o qual muitos sonhámos.
Esta uma aprendizagem e um desafio que devemos legar a futuras gerações, para que Abril continue a ser festejado com emoção.
ABRIL É LIBERDADE
É por tudo isto que, acima de tudo, continuo a sentir, todos os dias, que a grande força que Abril nos deu é essa – A LIBERDADE – de podermos continuar a sonhar, a cantar, a lutar.
E, continuo a pensar, nas lições que aprendi nesta terra Barreiro – um farol da Liberdade – que, hoje, manter Abril vivo é, e será sempre, manter a chama da LIBERDADE bem acesa a iluminar os nossos caminhos de futuro.
Para que, hoje e sempre, o 25 de Abril continue a ser festejado, como uma data que seja símbolo de uma causa nobre, uma causa que permite a escolha de caminhos que conduzem à dignificação do ser humano – A LIBERDADE.
Que o 25 de Abril seja sempre: um exemplo de humanismo, de rejeição do pensamento único, e continue a afirmar-se como um exemplo de tolerância e de AMOR À LIBERDADE!
Sinto uma grande satisfação por, de novo, este ano, o Barreiro ter como lema a frase «O SABOR DA PALAVRA LIBERDADE», porque, afinal, se há terra que pode ser para o país e para o mundo, um exemplo de luta pela LIBERDADE e de afirmação da LIBERDADE é esta, que não sendo a minha terra natal, é a terra onde construi a minha vida, é a terra dos meus filhos e até dos meus mortos!
Por isso, hoje a aqui, continuou a afirmar – ABRIL COMO CAMINHO DE CONSTRUÇÃO DA LIBERDADE!
Uma batalha imensa que nunca está acabada, que exige muito de nós, nas escolas, na vida associativa, nas empresas, porque haverá sempre quem nos queira silenciar e reduzir a meros servos de «pensamentos únicos» e de «economias únicas», de «estratégias únicas».
Sempre assim foi, sempre assim será…por isso a história da humanidade tem sido uma história de luta pela LIBERDADE.
Por isso, penso que a LIBERDADE É O MOTOR DA HISTÓRIA!
António Sousa Pereira
22.4.2012 - 18:32
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