inferências
A(nota)mentos
Sítio pré-histórico da Ponta da Passadeira no Barreiro
. Um «projecto» a enquadrar no Plano de Urbanização da Quimiparque
. Realização de Colóquio internacional sobre Pré-história Europeia das Zonas Ribeirinhas, tem por referência o «Sítio pré-histórico da Ponta da Passadeira»
O sítio pré-histórico da Ponta da Passadeira, no estuário do Tejo, está localizado no concelho do Barreiro. Agora, trata-se de «normalizar» a situação perante as entidades competentes, como referiu o vereador Rui Lopo, ontem, na reunião de Câmara. Na mesma reunião, Carlos Humberto, presidente da Câmara Municipal do Barreiro, salientou que os “limites do concelho estão definidos, nada foi alterado” .
Como já referi em nota anterior, em 22 de Abril de 2009, a SIMARSUL e Museu de Arqueologia e Etnografia do Distrito de Setúbal celebraram protocolo , no qual estava explicita a – “colaboração para a valorização científica e cultural do sítio pré-histórico da Ponta da Passadeira, no estuário do Tejo, localizado no Barreiro, visando fomentar um projecto de investigação que recupere, para a ciência histórico-arqueológica, património distrital da Península de Setúbal.”
O Protocolo, celebrado com o Museu de Arqueologia e Etnografia do Distrito de Setúbal (MAEDS), no âmbito da construção da ETAR – Estação Elevatória Barreiro - Moita, em por objectivo viabilizar a conclusão do estudo monográfico do sítio arqueológico pré-histórico da Ponta da Passadeira, localizado no Lavradio, Barreiro, e cujo projecto de investigação, pluridisciplinar, tem sido levado a cabo pelo MAEDS.
Acrescentava-se, ainda, que no âmbito do protocolo de cooperação, para a valorização científica e cultural do património arqueológico, serão realizados estudos de caracterização do bosque neolítico, actualmente submerso, e estudos ceramológicos, que conduzirão à publicação de uma monografia sobre o sítio Pré-histórico da Ponta da Passadeira e à realização de um colóquio internacional sobre Pré-história Europeia das Zonas Ribeirinhas.
Hoje, quem visita a ETAR – BARREIRO/ MOITA, na sua entrada, encontra, e muito bem, alguns artefactos e um conjunto de paines sobre sítio pré-histórico da Ponta da Passadeira.
O Sítio pré-histórico da Ponta da Passadeira, no Barreiro, deveria, desde já, ser enquadrado no Plano de Urbanização da Quimiparque e áreas adjacentes, perspectivando a futura fruição daquele território nas margens do Tejo, quer para a população do Lavradio - que está isolada do Rio - quer gerando ali um polo de actractividade turistica ao concelho.
Estamos a falar de um «lugar» onde, pelo que é dito, terá sido localizada uma das primeiras áreas - e única conhecida - onde existiu acção humana sedentária na margem sul do Tejo. É, portanto, um filão onde pode ser potenciado um núcleo museológico, expondo ali, numa parceria com o MAEDS, os muitos artefactos que estão em Setúbal.
E, quem sabe, no âmbito dos estudos sobre Pré-história Europeia das Zonas Ribeirinhas, este não poderia ser um projecto co-financiado pelos fundos Europeus.
Sabemos que perante as actuais condições económicas do país, sem dúvida, este não será um projecto para os dias de hoje, mas, o que é importante, muitas vezes é pensar futuro, é sonhar futuro. Esta uma «pérola» que não podemos perder. Devemos acarinhá-la e pensar como pode ser valorizada.
Estamos perante um espaço que tem condições naturais de grande beleza, estamos perante um espaço que tem uma realidade patrimonial histórica única na Área Metropolitana de Lisboa.
Por essa razão, agora, que está esclarecido que aquele território é pertença do concelho do Barreiro, é ao Barreiro que lhe compete definir estratégias, apontar caminhos de futuro e dar-lhe, pouco a pouco, visibildade de forma que um dia, com base em estudos e projectos, ali possa nascer algo que valorize o concelho, e sejaum ponto de atractividade para estudantes e turistico, por ser único na região.
Lá vão dizer que estou a sonhar, ou que isto é uma utopia.
Não me importo de sonhar e ser utópico, quando essa utopia tem raízes nas memórias, no valores naturais e patrimoniais.
É por isso que defendo, desde já, que aquela parcela de território seja pensada e enquadrada nos estudos do Plano de Urbanização da Qumiparque e áreas adjacentes, de forma a perspectivra-lhe futuro e abrir uma janela de esperança, que, um dia, noutras condições económicas e financeiras poderão tornar-se uma realidade.
António Sousa Pereira
9.8.2012 - 13:08
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comentários
| nome: |
LdS |
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De acordo. Deleuze definiu ética como "sabermos estar à altura do que nos acontece", como se pode encontrar transcrito e ao alcance de toda a gente na estação de metro do parque, em Lisboa. Este é o caso: há que estar à altura do valor que nos cabe e que precisamente aqui temos. Aliás este caso dos limites a nascente do concelho é também exemplar: temo-nos debruçado preferencialmente sobre a ribeira do Coina, a poente, e há razões para isso. Mas não há razão para que se desatendam os outros limites do concelho nem que se minimizem situações de desrespeito de formalidades essenciais quanto a esses limites. Doa a quem doer o exemplo recente de Lisboa constituiu uma lição; doa a quem doer o que lá é válido é igualmente válido aqui. |
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| nome: |
Antonio |
| comentario: |
Ética é sabermos partilhar, o que lá está pertence á História o nosso dever é preservar e dar a conhecer.
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| nome: |
LdS |
| comentario: |
Isso mesmo: partilhar, preservar, dar a conhecer. Mas sem por em causa os limites em que o poder autárquico se confina, dando argumentos (nem que seja por passividade) aos que precisamente isso pretendem. |
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