entrevista
Carlos Humberto, Presidente da Câmara Municipal do Barreiro
«Eu jamais tomaria a decisão de candidatar-me a presidente da Câmara se não fosse convidado»
. Não sei se é possível sem a visão do Arco Ribeirinho Sul construir a cidade das duas margens».
"A Lei pressupõe um conjunto de critérios e não é claro que fiquem quatro freguesias, a proposta das quatro freguesias que existia anteriormente não resolve. Por exemplo, pelo que li, e digo com reservas, o Lavradio não pode ser freguesia” - refere Carlos Humberto, Presidente da Câmara Municipal do Barreiro.
"Não afasto o cenário do Aeroporto do Montijo, embora compreendendo as consequências na qualidade de vida das populações, não estou em condições de avaliar, aceito que o Montijo é uma solução que serve o Barreiro e a região.” - sublinha.
Carlos Humberto, Presidente da Câmara Municipal do Barreiro, nesta fase que caminha para o final de mais um mandato, em entrevista ao «Rostos», sublinha que continua a manter “um grande desejo de servir o Barreiro, e uma disponibilidade para em conjunto com as pessoas encontrar os caminhos”.
Refere que em “momentos com esta complexidade” que atingem o país, o Barreiro e o Poder Local, - “só é possível atingir objectivos de desenvolvimento com grande combatividade”.
Ampliar o mais possível as convergências
“São momentos muito exigentes, mas são momentos que cada um de nós tem que dizer presente. É com esta predisposição, de quem não sabe tudo, de quem tem que aprender com os outros e fazer o caminho com os outros, tendo as nossas concepções, nossos saberes e nossas sensibilidades, a nossa experiência de vida, é neste corolário que é preciso fazer um caminho, ampliando o mais possível as convergências, sem abdicar daquilo que consideramos fundamental para o desenvolvimento do concelho e do país” – refere o autarca.
Projectos estruturantes não vão ser abandonados
“Como encara o adiamento de alguns projectos considerados essenciais na estratégia definida?
“Há um sentimento de angústia e muitas vezes de interrogações, mas, paralelamente temos uma consciência muito clara daquilo que achamos que é o caminho, um caminho que vai sendo influenciado pelas realidades concretas, que se vão modificando.
No último ano e meio nós tivemos profundos revezes. Temos uma perspectiva de desenvolvimento que considerávamos que era atingível ao longo de uma década, mas tivemos alguns revezez. Isso não pressupõe que esses projectos estruturantes vão ser abandonados” – sublinha.
Concursos para o REPARA vão avançar
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“Até penso que, algumas das coisas, sem querer falar antes de tempo, mais vale falar com as coisas certas ou quase certas. Penso que estamos em condições daqui a algumas semanas de avançar com o primeiro Concurso para o REPARA, mesmo neste contexto económico.
A APL nas primeiras semanas de Agosto fará a abertura das propostas da muralha.
Penso que até ao fim do ano, lançaremos outros dois concursos do REPARA.” – sublinha Carlos Humberto.
Cidade para todos em avaliação
“Na candidatura Cidade para Todos, estamos dependentes daquilo que será a análise financeira ao fim do 1º semestre. Vamos ver e perceber, perante toda a complexidade da Lei dos Compromissos, do empréstimo para as Autarquias, e de toda a alteração legislativa sobre o Poder Local.
No pós férias, estamos em condições de ver como avançamos na candidatura da Cidade para todos” - refere.
POLIS falta menos de 10%
“O POLIS naquilo que falta, há uma parte da zona verde que é da responsabilidade do urbanizador, sendo uma empresa que está em dificuldades ainda não concluiu, mas admitimos a hipótese ou a empresa, ou a Câmara utilizando as garantias bancárias pode executar o que falta, pode demorar algum tempo, um ano ou dois anos, mas em última análise será cumprido.
Noutra fase, a zona dos dois edifícios, não desistimos, recentemente fizemos contactos, esta é uma fase mais complexa devido à situação da economia. Não é fácil encontrar interessados. A autarquia não tem meios.
O POLIS no fundamental faltará menos de 10% do valor global daquele investimento.
Esta é uma obra muito importante, porque é a concretização de uma visão estratégica de abrir o Barreiro para os seus rios e requalificaras suas zonas ribeirinhas, este é um dos elementos estratégicos do desenvolvimento do Barreiro, que é preciso continuar a apostar de forma sistemática na zona ribeirinha que vai do Lavradio até Coina”.
Quebra nas receitas cerca de 5 milhões de euros
A situação financeira do município não pode afectar o avanço dos projectos?
“Todo o Poder Local, quase todo o Poder Local atravessa, neste momento dificuldades financeiras, que não são diferentes das dificuldades do país.
A Câmara do Barreiro atravessa dificuldades significativas, tivemos o ano passado uma quebra nas receitas na ordem dos 5 milhões de euros.
Este ano, nas primeiras análises, não diminuímos a receita, até há uma ligeiríssima recuperação, mas a situação é muito difícil.
De qualquer forma, nós temos projectos e o Barreiro não pode abdicar de ter projectos. O Barreiro é uma terra de sonho, uma terra que dá gosto viver, portanto temos que ter projectos, planos e propostas, sobre aquilo que queremos que seja o nosso desenvolvimento.
Portanto, apesar dos condicionalismos financeiros, dos constrangimentos legais que estão todos os dias a surgir, a nossa perspectiva é de combatividade.
Penso, que embora condicionados por essa realidade, há coisas que podem ser concretizadas.
Coloca-se o “se”, porque não temos certezas absolutas e porque a situação é muito exigente, mas, acredito que podem ser realizada uma grande percentagem dos projectos iniciais.
Há fome no Barreiro
Qual é a situação social do concelho neste momento? Há fome no Barreiro?
“Há fome no país. Há fome no Barreiro”
O PS acusa a Câmara de ser insensível às questões sociais?
“Só quem não conhece as pessoas que estão à frente da Câmara, só quem olha a Câmara com lentes distorcidas, só quem olha para a actividade do município numa perspectiva sectária é que pode fazer essas afirmações, só quem não conhece os eleitos da Câmara é pode fazer essas afirmações, porque, pela prática de intervenção cívica, social e politica, mas acima de tudo pela intervenção quotidiana no muito que se faz, para tal basta avaliar os protocolos de entendimento com as IPSS’s, a cedência de terrenos, a construção de equipamentos sociais, como foi concretizado nestes anos.”
Voltar às quatro freguesias que existiam não resolve
Como está a situação da extinção das freguesias no concelho?
“Há uma legislação aprovada na Assembleia da República, proposta pelo Governo. No caso do Barreiro, obrigaria a uma redução na ordem dos 55% das freguesias existentes.
Há avaliação distinta, mas aponta para que fiquem quatro freguesias. Estamos numa fase em que as freguesias se estão a pronunciar, a Assembleia Municipal tem que se pronunciar, de acordo com a legislação se não se pronunciar no sentido daquilo que a legislação impõe de redução das freguesias, a opinião dos órgãos autárquicos não será tida em conta.
Nós temos dois caminhos, ou o caminho de propormos a redução, ou o caminho de considerarmos que a situação actual, ou uma situação intermédia, naquilo que se considere necessário, e, tal, segundo a Lei significa que o Barreiro opta pelo não pronunciamento, dado que não é feita proposta de redução.
As freguesias irão pronunciar-se, assim como a Câmara e a Assembleia Municipal, nesta fase estou a ouvir, após a saída da lei, quer as freguesias, quer os vereadores da Câmara.
Com base nesses contactos e com a minha opinião irei levar uma proposta a reunião de Câmara, mas ainda não me quero pronunciar, sem recolher as opiniões .
Está a ser feita uma avaliação daquilo que a Lei propõe, as alternativas que se colocam e depois iremos optar.
A Lei pressupõe um conjunto de critérios e não é claro que fiquem quatro freguesias, a proposta das quatro freguesias que existia anteriormente não resolve. Por exemplo, pelo que li, e digo com reservas, o Lavradio não pode ser freguesia”.
Arco Ribeirinho Sul é um grande projecto nacional
Sobre o Arco Ribeirinho Sul como está o desenvolvimento deste projecto?
“Partindo do local para o geral, quando cheguei à Câmara havia um percurso de estudos sobre o território, vários estudos. Os mais significativos eram os estudos feitos, na gestão de Pedro Canário, executado pelo Arquitecto Manuel Salgado, por iniciativa da Câmara, depois ma gestão de Emidio de Xavier foi elaborado o Masterplan, por iniciativa da Quimiparque.
Nós partimos para a construção de uma solução conjunta com o envolvimento das entidades interessadas, foi com essa visão, que fizemos o caminho, envolvendo a Administração da Qumiparque /Baia Tejo, a Câmara e todas as entidades que tinham a ver com aquele território.
Optamos por uma solução construída com o o contributo e propostas consensualizadas e muito trabalhada, chegou-se a uma solução.
Estou convencidíssimo que a Câmara do Barreiro teve um papel relevante neste processo de construção do Plano de Urbanização da Quimiparque e áreas adjacentes, dando um contributo para fazer a Administração Central compreender que era necessário rebuscar a ideia do Arco Ribeirinho Sul, envolvendo os três territórios da Quimiparque, Siderurgia Nacional e Margueira.
O Arco Ribeirinho Sul é um grande projecto nacional, é um projecto muito importante para a Área Metropolitana de Lisboa, é nodal para que a AML se assuma como uma grande cidade região.
Não sei se é possível sem a visão do Arco Ribeirinho Sul construir a cidade das duas margens.
Este é um projecto de interesse nacional, que não há razão nenhuma para que pare um projecto desta dimensão.
Este é um projecto também fundamental para a Peninsula de Setúbal e determinante para o Barreiro, não pode ter do presidente da Câmara outra postura, senão continuar a trabalhar e a construir soluções para que ele se materialize.
Independentemente de haver exitações, de haver dúvidas, de haver criticas, nós não somos imunes, estamos disponíveis para analisar e continuar a trabalhar.”
Aceito que o Aeroporto do Montijo é uma solução
“O projecto Arco Riberinho Sul apareceu antes da opção da construção do Aeroporto de Lisboa em Alcochete.
O projecto da Quimiparque estava em maturação quando foi tomada essa opção.
Agora, o Governo, para já, põe em causa a localização de Alcochete e aposta na solução Portela + um, sendo colocadas várias opções.
Sei que há uma inclinação para o Montijo, não conheço mais que isso, aguardo que haja resposta a esta questão.
Na tal visão da AML e no desenvolvimento da região de Setúbal é importante que o Aerporto seja nesta margem e considero que era bom que avançasse a fase zero do Aeroporto de Alcochete,
Não afasto o cenário do Montijo, embora compreendendo as consequências na qualidade de vida das populações, não estou em condições de avaliar, aceito que o Montijo é uma solução que serve o Barreiro e a região.”
1000 cidadãos inscritos para o Dia B
Que vai ser o Dia B?
“A concepção que tenho de dia B, é aquilo que tenho afirmado, é dia de Barreiro, de belo, de bonito de bom, uma terra de participação de exercício da cidadania.
O Dia B pressupõe uma intervenção cívica das populações na construção daquilo que é de todos.
Nós país estamos em dificuldades, mas quem está em condições de resolver os nosso problemas somos nós próprios, estando disponíveis para participar e construir.
Estamos aqui para valorizar a nossa terra. Temos mais de 1000 cidadãos inscritos para o Dia B, vamos enquadrar todas estas vontades, temos mais de 40 projectos, acredito que vai ser um grande dia de cidadania do Barreiro.”
Só aceito ser convidado pelo PCP
Vai de novo candidatar-se?
“Essa é uma discussão que terá que ser feita, em primeiro, com os meus pares. Uma discussão que tem que ser feita com o meu partido.
Naturalmente é uma decisão minha, mas eu só decido se for convidado, porque se não for convidado nem sequer decido, porque está decidido não sou convidado. Eu jamais tomaria a decisão de candidatar-me a presidente da Câmara se não fosse convidado.
E, a ser convidado só aceito ser convidado pelo PCP.
É um assunto que ainda não foi analisado, que mais mês, menos mês, começa a ser feita essa abordagem, mas é uma coisa que de forma sistemática ainda não se começou a abordar.
Lá para o fim do ano o meu partido, deverá começar a discutir quem deve ser o candidato.
Da minha parte, do ponto de vista pessoal, uma coisa é clara, só há uma hipótese de eu ser candidato, se o PCP me convidar, depois, eu tenho algumas maleitas ao nível de saúde, um assunto que é importante para avaliar, e, digo, gostava mesmo de fazer outras coisas na vida, não gostava de me reformar como Presidente de Câmara. Aliás nunca imaginei ser presidente da Câmara.
Depois, se for convidado, há uma coisa que determinará, até mais que a minha saúde, acho que isso é fundamental, avaliar se consigo continuar a ser presidente da Câmara com o ritmo que impus a mim mesmo, porque não serei candidato se considerar que, mais coisa menos coisa, não serei capaz de manter o ritmo de trabalho.”
“O PCP e a CDU tem várias pessoas em condições de serem candidatos, isso não é um problema para o PCP” – sublinha a finalizar Carlos Humberto.
S.P.
28.6.2012 - 1:47
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comentários
| nome: |
Rogério |
| comentario: |
SR. Presidente com imensso respeito e estima vou opinar pois vivemos num país livre e democratico, sobre o assunto polis o senhor diz que faz falta uma zona verde que esta sobre açalda do urbanizador, pois no dia em que o senhor fez a inauguração do Continente o senhor afirmou aqui para o rostos que estava tudo num bom caminho sobre a zona do polis, eu não sou politico nem sou uma alta patente da minha cidade (Barreiro) e discordei logo das suas palvras pois a realidade desse urbanizador ja na altura não era boa mas o FC Barreirense até pode informar melhor do que eu a situação desse urbanizador, pois parace que estão em divda com o FCB, alias se alguem perdeu na historia do polis foi o barreirense, clube centenario e porta de estandarte desta cidade que arrasta milhares de barreirenses, o barreirense levou um chuto de alguem pois aquela zona foi doada ao barreirense par ser uma zona desportiva mas muitos interesses reduziram a um quadradozito o campo do FCB mas enfim. Sobre a cidade do Barreiro existe uma desorganização territorial como é possivel existir duas vilas ( lavradio e st. André ) coladas a uma cidade Barreiro constituida por as freguesias Barreiro, alto seixalinho e verderena não tem logica nenhuma e vai contra a lesgilação do estatuto Cidade, um significado Cidade é um conjunto de freguesias urbanas e continua, neste caso a Cidade devia ser formada por as 5 freguesias st. andré, lavradio, barreiro,verderna, altoseixalinho isto era o correcto. |
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| nome: |
Helder L.opes |
| comentario: |
Como comentário principal, devo dizer que não concordo com o presidente quando ele diz que só é candidato por convite do PCP. Ele foi eleito com os votos dos barreirenses e deverão ser eles a convidarem o presidente a candidatar-se. Desde já o faço aqui. Senhor presidente CANDIDATE-SE. O Barreiro agradece-lhe. |
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