entrevista
Exames de Ressonância Magnética feitos no Barreiro agora são em Cascais
É a mesma coisa transportar um doente para Cascais ou para o Barreiro?
. Poucos centros de RMN são dotados deste tipo de equipamentos no nosso País
A Radig – Casa de Saúde do Barreiro perdeu o concurso hospitalar para adjudicação de exames de Ressonância Magnética Nuclear (RMN) em favor de um grupo que efectua esses mesmos exames aos doentes do nosso hospital em Cascais.
“O que lamentamos profundamente é que ao fim de anos de relação de trabalho com o Hospital do Barreiro, o nosso esforço e dedicação tenha sido neglicenciado da forma que foi pelo Hospital” - é referido pela Radig – Casa de Saúde do Barreiro ao «Rostos».
Para conhecermos melhor este assunto colocámos algumas perguntas aos responsáveis da RADIG- Casa de Saúde do Barreiro, de forma a que conhecermos melhor o que está em causa.
De acordo com as nossas informações, a Radig perdeu o concurso hospitalar para adjudicação de exames de Ressonância Magnética Nuclear (RMN) em favor de um grupo que efectua esses mesmos exames aos doentes do nosso hospital em Cascais. Essa situação não é bem entendida pela população, já que tem de se deslocar a mais de 100 Kms, ida e volta, para obter um exame que poderia ser feito aqui no Barreiro. O que é que a Radig pensa desta situação?
“Antes de lhe responder directamente à questão que nos coloca, deixe-nos recuar um pouco… Fruto da aposta desta empresa na oferta de serviços de qualidade na área da saúde, decidiu-se investir na aquisição de um equipamento de RMN topo de gama, que é um dos modelos tecnologicamente mais avançados existentes na Península Ibérica, com a capacidade de fazer estudos dinâmicos dos orgãos, como seja perfusão coronária, hepato-biliar, entre outras… Para além disso, adquiriu-se um equipamento anestésico dito “compatível” com a RMN, o que significa poder administrar com segurança técnicas de sedação ou de anestesia a doentes sujeitos a estes exames.
Este equipamento é muito dispendioso, compreendendo uma máquina anestésica com um ventilador de características especiais e monitores de função cardíaca e respiratória também especiais que garantem sem risco a sua função quando expostos a meios de tão grande intensidade electro-magnética.”
Poucos centros de RMN são dotados deste tipo de equipamentos no nosso País
“Todos estes investimentos foram efectuados no sentido de proporcionar aos nossos utentes a possibilidade de beneficiar ao máximo das capacidades do equipamento, garantindo o cumprimento escrupuloso das normas de segurança para o utente. Posso dizer-lhe que são poucos os centros de RMN dotados deste tipo de equipamentos no nosso País e resta saber se o grupo a quem o Hospital adjudicou estes serviços possui equipamentos tecnologicamente comparáveis ao nosso!
Para além do mais, dispomos de uma Unidade de Recobro Anestésico monitorizada com enfermagem residente e supervisão médica. Pelo exposto, temos orgulho no Serviço que montámos e que prestamos aos utentes, que cumpre as normas internacionais de qualidade e que do ponto de vista estrutural envolve um grande número de técnicos altamente diferenciados.” – é referido.
Não foram os critérios de ordem técnica que prevaleceram à decisão
Percebemos então que a Radig, apesar dos investimentos que fez em equipamento e pessoal não cumpriu os critérios necessários para ser a proposta ganhadora para o Hospital. Que comentários faz a isso?
“Passando no concreto à sua pergunta, de facto perdemos o concurso do Hospital. Pelo exposto atrás, torna-se evidente que não foram os critérios de ordem técnica que prevaleceram à decisão, pois dificilmente haveria algo a apontar quanto às nossas capacidades técnicas.
Então, se não prevaleceram os critérios de ordem técnica, foram critérios de ordem económica. Constatou-se de facto que o preço unitário da proposta ganhadora era mais barata que a nossa, na ordem de poucos euros. Contudo, factores como a localização do local do exame, o custo do pessoal acompanhante (sejam familiares, médicos e ou enfermeiros ), o aumento de risco para o utente, foram sofrivelmente valorizados na ponderação do concurso. É a mesma coisa transportar um doente para Cascais ou para o Barreiro? O risco do transporte é igual? As condições técnicas são as mesmas? Gasta-se o mesmo dinheiro em tempo, pessoal, etc, etc, etc?… “
Lamentamos que ao fim de anos de relação de trabalho com o Hospital do Barreiro nosso esforço tenha sido neglicenciado
“Todas estas são questões que qualquer leigo se pode colocar, interrogando-se sobre a transparência que deve presidir a este tipo de concursos. Se recuarmos algumas décadas atrás, processos deste tipo eram impensáveis, desde logo porque eram parados pela capacidade das pessoas se organizarem na defesa dos seus interesses. “Esses tempos levou-os o vento”, como diz o poeta e de facto estas “tropelias” são hoje em dia consentidas pela perda de capacidade reinvindicativa das pessoas.
O que lamentamos profundamente é que ao fim de anos de relação de trabalho com o Hospital do Barreiro, o nosso esforço e dedicação tenha sido neglicenciado da forma que foi pelo Hospital, ainda por cima porque acreditamos que os utentes em nada terão a ganhar com esta decisão e o Hospital muito menos, porque no cômputo geral, esta decisão vai-lhe sair mais cara.” – é acrescentado.
Se não há procura não se fazem ressonâncias
Que tipo de repercussão poderá ter a perda do concurso para a vossa empresa?
“A resposta é simples: se não há procura não se fazem ressonâncias, se não se fazem ressonâncias não há facturação, se não se factura…”
13.8.2012 - 22:53
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comentários
| nome: |
Manuel Norberto Baptista Forte |
| comentario: |
Uma decisão "esquisita", parece-me. |
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| nome: |
Carlos Guinote |
| comentario: |
É lamentável, depois do investimento feito pela Casa de Saúde do Barreiro, que a administração do hospital tenha preferido dar estes exames a um "grupo" de Cascais... Quem lucra com esta decisão? Certamente que os doentes do hospital do Barreiro, não. |
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