bastidores
José Aguiar Branco afirmou ontem em Almada
“Temos que fazer o que o país precisa, mesmo que tenha custos de popularidade”
O presidente da comissão executiva do GENEPSD, José Aguiar Branco afirmou ontem que Portugal precisa que sejam feitas mudanças estruturais, mesmo que isso traga custos ao nível das sondagens e da popularidade.
No âmbito da conferência sobre a GENEPSD e a social-democracia, organizada pelo PSD Almada, Aguiar Branco criticou a actuação do Governo PS, considerando que a realidade não correspondia ao que era dito por José Sócrates.
“Foi de imagem em imagem. De comunicação em comunicação, até que o país foi quase à bancarrota”, lembra.
O actual ministro da Defesa diz que “o PSD deve defender o que o País precisa, o que necessita de ser feito, mesmo que em termos de sondagem, de popularidade, isso tenha custos”.
Aguiar Branco criticou ainda a moção de censura, apresentada esta segunda-feira pelo PCP, dizendo não entender a mesma, dado que surge em contraciclo com as informações recebidas das instâncias estrangeiras, que têm reconhecido o esforço e a capacidade que o país tem feito em honrar os seus compromissos.
“Parece que foi há muito tempo que o governo do eng. Sócrates estava em funções. Não foi. Foi há um ano. Não é possível remediar o que foi feito num espaço de tempo tão curto”, refere.
O orçamento que actualmente se encontra em execução é para Aguiar Branco o “mais difícil” da vida democrática do País, devido às suas dificuldades em elaborar e de executar.
“Para que seja possível o crescimento, para que seja possível o bem-estar é preciso ter as contas públicas em dia”, sublinha, acrescentando ainda que o crescimento que se verificou foi “baseado no crédito e não na capacidade de investimento”.
O social-democrata salientou a necessidade da execução de reformas para um crescimento sustentável, criando assim condições para crescer, apresentando como exemplos a extinção dos governos civis, o fim das golden shares, bem como a concentração e racionalização dos hospitais militares.
“O PSD não quer um estado que crie clientelismos, dependências, mas sim um estado com igualdade de oportunidades que permitam às pessoas se tornarem self-made men”, afirma.
Aguiar Branco deu ainda como exemplo o caso da Grécia, que teve uma reestruturação da dívida, tendo-lhe sido perdoada 30 por cento da mesma. “Salvou-se? É uma ilusão, pois a Grécia já provou que isso não dá resultado”, explica.
“Temos que resistir à tentação de fazer alterações e somos nós que temos que mostrar que somos capazes de cumprir”, considera.
Para Aguiar Branco, o desemprego é a maior preocupação, defendendo que só com maior crescimento, com empresas mais competitivas é que se poderá criar novos postos de trabalho.
A aposta nas reformas estruturais, permitindo que as empresas tenham maior capacidade de actuação no mercado nacional e internacional, é uma das medidas que o social-democrata aponta para a recuperação do tecido económico.
“É necessária criatividade, engenho e muita coragem, resistir ao facilitismo e à ilusão para que no futuro os nossos filhos não passem por aquilo que estamos a passar”, conclui Aguiar Branco.
O presidente do PSD Almada e deputado Nuno Matias, considera que o trabalho feito na elaboração da GENEPSD foi um primeiro passo para a “concepção e elaboração das medidas estruturais” a implementar no País.
O dirigente social-democrata realça que este foi um projecto que colocou todo o partido a discutir as vertentes temáticas para um Portugal no século XXI, tendo sido constituído um modelo para o desenvolvimento enquanto nação.
Fonte - PSD
27.6.2012 - 17:51
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