bastidores
Distrital de Setúbal da Ordem dos Médicos alerta
Para retirada de capacidades funcionais aos Hospitais do Distrito
. Reavaliação da Rede Nacional de Emergência e Urgência
"É com profunda apreensão e preocupação que o Distrito Médico de Setúbal que após uma leitura preliminar do relatório “Reavaliação da Rede Nacional de Emergência e Urgência” constata que em relação ao Distrito se perspectiva a tomada de medidas que podem vir a ser graves para os utentes." - sublinha um comunicado do Conselho Distrital de Setúbal da Ordem dos Médicos.
"O Hospital Garcia de Orta, por si só, não tem potencialidades para vir a dar resposta ao tratamento das situações mais complexas deste Distrito se nele for concentrada a procura de cuidados." - é referido.
ABORDAGEM DO DISTRITO MÉDICO DE SETÚBAL SOBRE O DOCUMENTO “REAVALIAÇÃO DA REDE NACIONAL DE EMERGÊNCIA E URGÊNCIA”
É com profunda apreensão e preocupação que o Distrito Médico de Setúbal que após uma leitura preliminar do relatório “Reavaliação da Rede Nacional de Emergência e Urgência” constata que em relação ao Distrito se perspectiva a tomada de medidas que podem vir a ser graves para os utentes.
É inaceitável que se faça a “Reavaliação da Rede Nacional de Emergência e Urgência” sem consulta prévia da Ordem dos Médicos.
As alterações propostas no relatório vão afectar em muitos aspectos os cuidados de saúde com carácter de urgência de que a população do Distrito possa vir a carecer, sem que se vislumbrem soluções alternativas mais racionais que aportem ganhos de efectividade no tratamento dos doentes.
Por outro lado esta “Reavaliação da Rede Nacional de Emergência e Urgência” vai ter implicação na dinâmica, no funcionamento e na organização Hospitalar, bem como nos respectivos Serviços de Acção Médica, com inevitável repercussão na qualidade dos cuidados de saúde prestados aos utentes residentes ou em trânsito no Distrito.
Do Relatório não consta, por exemplo, qualquer referência à Via Verde Coronária para a Península de Setúbal.
Como não consta que tipo de função vão ter todas as restantes especialidades Médicas e Cirúrgicas nos Hospitais com Serviços autónomos mas com urgência Médico-Cirúrgica.
Como não concebe qualquer Centro de Assistência ao sinistrado grave numa região de risco, sujeita à ocorrência de catástrofes diversas, sísmicas e industriais, situações calamitosas que a verificarem-se implicarão, com alta probabilidade, o corte absoluto das acessibilidades a Lisboa. Este sério risco impõe que a região ao sul do Tejo e, logo, o Distrito de Setúbal, não seja empobrecida nas capacidades humanas e materiais instaladas e, pelo contrário, um denodado esforço seja feito no sentido da racional auto-suficiência de recursos na Saúde.
Fica expressa a nossa séria preocupação porque estas medidas configuram, muito claramente, tratar-se de um primeiro passo de um processo que visa retirar capacidades funcionais aos Hospitais deste Distrito, visando a sua centralização paulatina nos serviços de saúde, urgentes e não urgentes, de Lisboa à boa maneira de tempos que não esquecemos e em que as patologias que hoje são tratadas no Distrito, deixarão de o ser.
Afirmamos ainda que a extinção de determinados Serviços implicará a diminuição ou mesmo o fim da actividade de outros. O Hospital Garcia de Orta, por si só, não tem potencialidades para vir a dar resposta ao tratamento das situações mais complexas deste Distrito se nele for concentrada a procura de cuidados.
Estamos abertos a uma análise visando a reestruturação dos Serviços de Urgências do Distrito que, a nosso ver, nunca pode ser feita de forma isolada e sem tomar em conta os seus efeitos, quer sobre outros Serviços Hospitalares, quer sobre os Cuidados de Saúde Primários. Tal análise implica um estudo cuidado prévio que vise a integração de respostas a montante e a jusante das Urgências.
Só assim se defenderá, realmente, o Serviço Nacional de Saúde prestador de cuidados eficazes e eficientes e de qualidade, equitativo e acessível para os utentes e fonte de satisfação para os profissionais, a quem, assim, será exigida toda a dedicação.
Setúbal, 03 de Agosto de 2012
Conselho Distrital de Setúbal da Ordem dos Médicos
6.8.2012 - 16:29
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