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Dia 21 de Agosto 2017
Por Maria Helena


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Regina Janeiro – um exemplo de resiliência e sonho


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Moita - PS entrega Processo de Candidatura
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Bloco de Esquerda - Barreiro
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CDU – Coligação Democrática Unitária entregou no Tribunal do Barreiro
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Memórias de uma aula de Zeca Afonso em Setúbal
Começar a endireitar este país no sentido da honestidade

Memórias de uma aula de Zeca Afonso em Setúbal<br>
Começar a endireitar este país no sentido da honestidadeNós temos sempre que mostrar o que somos, temos que ser dignos connosco para sermos dignos com os outros. Por isso, acho que não devem copiar. Há que criar princípios de honestidade e isso começa em vocês, os futuros homens e mulheres de Portugal. Não concordam?

Nótula

Sou Amiga da Hélida [Carvalho Santos] desde a adolescência, marcada, para sempre, pelo nosso percurso no Liceu Nacional de Setúbal e, no comboio, a caminho do mesmo. Já nos conhecíamos há anos mas esse foi o tempo do início de uma relação que perdura e perdurará.

Sei, desde então, dos seus belos escritos, testemunhados pela correspondência comigo, muita dela guardada, com gosto, em pasta informática. Pouco mais li, ao longo destes anos, se exceptuar os textos, oportunos e bonitos, publicados no jornal de um grande clube desportivo.
Imaginava uma grande quantidade por editar porque ela me dizia guardá-los, numa arca, para deixar, como herança, à filha e neta, grandes amores.

Consegui que me enviasse esta preciosidade da qual nada comento.

Manuela Fonseca *
* Colunista do Jornal Rostos

Memórias de uma aula de Zeca Afonso em Setúbal


Barreiro, 4 de Outubro de 1967
(Quarta-feira)

Segundo dia de aulas. Continua o desassossego, com o pessoal a trocar beijos, abraços e confidências, depois desta longa separação que foram 3 meses e meio de férias. Estávamos todos fartos do verão, com saudades uns dos outros. A sala é a mesma do ano passado, no 1º andar e cheirava a nova, tudo encerado e polido, apesar do material já ser mais do que velho. Somos o 7.º A e como não chumbou nem veio ninguém de novo, a pauta é exactamente igual à do ano passado. Eu sou o n.º 34, e fico sentada na segunda fila, do lado da janela, cá atrás, que é o lugar dos mais altos.

Hoje tivemos, pela primeira vez, Organização Política e apareceu-nos um professor novo, acho que é a primeira vez que dá aulas em Setúbal, dizem que veio corrido de um liceu de Coimbra, por causa da política. Já ontem se falava à boca cheia dele, havia malta muito excitada e contente porque dizem que ele é um fadista afamado. Tenho realmente uma vaga ideia de ouvir o meu tio Diamantino falar dele, mas já não sei se foi por causa da cantoria se por causa da política. A Inês contou que ouviu o pai comentar, em casa, que o homem é todo revolucionário, arranja sarilhos por todo o lado onde passa. Ela diz que ele já esteve preso por causa da política, é capaz de ser comunista. Diferente dos outros professores, é de certeza. Quando entrou na sala, já tinha dado o segundo toque, estava quase no limite da falta. Entrou por ali a dentro, todo despenteado, com uma gabardine na mão e enquanto a atirava para cima da secretária, perguntou-nos:

- Vocês são o 7.º A, não são? Desculpem o atraso mas enganei-me e fui parar a outra sala. Não faz mal. Se vocês chegarem atrasados também não vos vou chatear
Tinha um ar simpático, ligeiro, um visual que não se enquadrava nada com a imagem de todos os outros professores. Deu para perceber que as primeiras palavras, aliadas à postura solta e descontraída, começavam a cativar toda a gente. A Carolina virou-se para trás e disse-me que já o tinha visto na televisão, a cantar Fado de Coimbra. Realmente o rosto não me era estranho. É alto, feições correctas, embora os dentes não sejam um modelo de perfeição e é bem parecido, digamos que um homem interessante para se olhar. O Artur soprou-me que ele deve ter uns 36 anos e acho que sim, nota-se que já é velho. Depois das primeiras palavras, sentou-se na secretária, abriu o livro de ponto, rabiscou o que tinha a escrever e ficou uns cinco minutos, em silêncio, a olhar o pátio vazio, através das janelas da sala, impecavelmente limpas.

Enquanto ele estava nesta espécie de marasmo nós começámos a bichanar uns com os outros, cada um emitindo a sua opinião, fazendo conjecturas. Às tantas, o bichanar foi subindo de tom e já era uma algazarra tão grande que parece tê-lo acordado. Outro qualquer professor já nos teria pregado um raspanete, coberto de ameaças, mas ele não disse nada, como se não tivesse ouvido ou, melhor, não se importasse. Aliás, aposto que nem nos ouviu. O ar dele, enquanto esteve ausente, era tão distante que mais parecia ter-se, efectivamente, evadido da sala. Quando recomeçou a falar connosco, em pé, em cima do estrado, já tinha ganho o primeiro round de simpatia. Depois, veio o mais surpreendente:

- Bem, eu sou o vosso novo professor de Organização Política, mas devo dizer-vos que não percebo nada disto. Vocês já deram isto o ano passado, não foi? Então sabem, de certeza, mais que eu.
Gargalhada geral.

- Podem rir porque é verdade. Eu não percebo nada disto, as minhas disciplinas, aquelas em que me formei, são História e Filosofia, não tenho culpa que me tivessem posto aqui, tipo castigo, para dar uma matéria que não conheço, nem me interessa. Podia estudar para vir aqui desbobinar, tipo papagaio, mas não estou para isso. Não entro em palhaçadas.
Voltámos a rir, numa sonora gargalhada, tipo coro afinado, mas ele ficou impávido e sereno. Continuava a mostrar um semblante discreto, calmo, simpático.

- Pois é, não vou sobrecarregar a minha massa cinzenta com coisas absolutamente inúteis e falsas. Tudo isto é uma fantochada sem interesse. Não vou perder um minuto do meu estudo com esta porcaria.
Começámos a olhar uns para outros, espantados; nunca na vida nos tinha passado pela frente um professor com tamanha ousadia.

- Eu estudaria, isso sim, uma Organização Política que funcionasse, como noutros países acontece, não é esta fantochada que não passa de pura teoria. Na prática não existe, é uma Constituição carregada de falsidade. Portugal vive numa democracia de fachada, este regime que nos governa é uma ditadura desumana e cruel.

Não se ouvia uma mosca na sala. Os rostos tinham deixado cair o sorriso e estavam agora absolutamente atónitos, vidrados no rosto e nas palavras daquele homem ímpar. O que ele nos estava a dizer é o que ouvimos comentar, todos os dias, aos nossos pais, mas sempre com as devidas recomendações para não o repetirmos na rua porque nunca se sabe quem ouve. A Pide persegue toda a gente como uma nuvem de fumo branco, que se sente mas não se apalpa.

- Repito: eu não percebo nada desta disciplina que vos venho leccionar, nem quero perceber. Estou-me nas tintas para esta porcaria. Mas, atenção, vocês é outra coisa. Vocês vão ter que estudar porque, no final do ano, vão ter que fazer exame para concluírem o vosso 7.º ano e poderem entrar na Faculdade. Isso, vocês tem que fazer. Estudar. Para serem homens e mulheres cultos para puderem combater, cada um onde estiver, esta ditadura infame que está a destruir a vossa pátria e a dos vossos filhos. Vocês são o amanhã e são vocês que têm que lutar por um novo país.

Não vão precisar de mim para estudar esta materiazinha de chacha, basta estudarem umas horas e empinam isto num instante. Isto não vale nada. Eu venho dar aulas, preciso de vir, preciso de ganhar a vida, mas as minhas aulas vão ser aulas de cultura e política geral. Vão ficar a saber que há países onde existem regimes diferentes deste, que nos oprime, países onde há liberdade de pensamento e de expressão, educação para todos, cuidados de saúde que não são apenas para os privilegiados, enfim, outras coisas que a seu tempo vos ensinarei. Percebem? Nós temos que aprender a não ser autómatos, a pensar pela nossa cabeça. O Salazar quer fazer de vocês, a juventude deste país, carneiros, mas eu não vou deixar que os meus alunos o sejam. Vou abrir-lhes a porta do conhecimento, da cultura e da verdade. Vou ensinar-lhes que, além fronteiras, há outros mundos e outras hipóteses de vida, que não se configuram a esta ditadura de miséria social e cultural.

Outra coisa: vou ter que vos dar um ponto por período porque vocês têm que ter notas para ir a exame. O ponto que farei será com perguntas do vosso livro que terão que ter a paciência de estudar. A matéria é uma falsidade do princípio ao fim, mas não há volta a dar, para atingirem os vossos mais altos objectivos. Têm que estudar. Se quiserem copiar é com vocês, não vou andar, feita toupeira, a fiscalizá-los, se quiserem trazer o livro e copiar, é uma decisão vossa, no entanto acho que devem começar a endireitar este país no sentido da honestidade, sim porque o nosso país é um país de bufos, de corruptos e de vigaristas. Não falo de vocês, jovens, falo dos homens da minha idade e mais velhos, em qualquer quadrante da sociedade. Nós temos sempre que mostrar o que somos, temos que ser dignos connosco para sermos dignos com os outros. Por isso, acho que não devem copiar. Há que criar princípios de honestidade e isso começa em vocês, os futuros homens e mulheres de Portugal. Não concordam?

Bem, por hoje é tudo, podem sair. Vemo-nos na próxima aula.
Espantoso. Quando ele terminou estava tudo lívido, sem palavras. Que fenómeno é este que aterrou em Setúbal?
Já me esquecia de escrever. Esta ave rara, o nosso professor de Organização Política, chama-se Zeca Afonso.

Hélida Carvalho Santos

21.6.2011 - 23:41
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comentários

nome: José Palácio Marques
comentario: Sem mais comentários, e para quê?
nome: Jorgete Teixeira
comentario: Recomendo vivamente! Fez-me lembrar um professor meu de Filosofia que chegou ao Liceu de Vila Real para ensinar OPAN, era o Dr. Limpinho, o primeiro nome não me lembro. Tomou a mesma posição que o Zeca. No ano seguinte tinha sido dispensado de dar aulas. Vozes incómodas que formaram uma geração e a despertaram para as lutas por um país melhor, mais justo e solidário.Tantos anos depois, que falta que nos fazem homens assim!
nome: manueldominguez.es
comentario: ¿por que me facedes chorar?, que lindo mensaje, que belas palabras os meus parabens , gracias obrigado.-a25abril.org
nome: Eduardo Cunha
comentario: Epá mais alguem que se lembra do Limpinho! Era muito correcto e interessado, lembro-me de uma cicatriz estranha no pescoço nunca lhe vi essa posição anti qualquer coisa agressiva, mas era desalinhado, não de roupa mas com o sistema, o substituto dizia sempre: -silêncio! postura de cantor do S. Carlos, lenço ao pescoço e tudo, muitissimo afectado: Viva o Limpinho! abaixo a politica, viva a introdução!
nome: Herminio(Agueda)
comentario: Quem foi contemporaneo do Zeca e o conheceu pessoalmente, ou de outra forma, nao tem duvidas que este relato e autentico, e mesmo do Zeca, do saudoso Zeca. Tenho a certeza que se o "trovador da liverdade" fosse vivo hoje ,Portugal seria diferente, nao estaria onde esta! Onde estiveres, ZECA, recebe um abraço meu
nome: Maria Eduarda
comentario: Ter sido o pai espiritual de uma geração, não foi coisa que reconhecesse (talvez nem acreditasse). Mas, foi! Obrigada querido Zéca, por TUDO.
nome: Leono Vieira
comentario: As lágrimas vieram aos meu olhos...
nome: Mário Afonso
comentario: Tenho muita pena de não ter estado nessa aula. Foi um raro momento, previlégio de uns felizardos. Obrigado prof. Zeca Afonso
nome: Ana Santos
comentario: Também tive um professor em OPAN que só nos dizia: "atenção está no livro, mas não escrevam isto no exame!". Devo ter escrito o que não devia, porque tive um 11!!!! quando quase todos tinham de 16 para cima!!!! Mas tive 15 a Filosofia!
nome: Manuela Fonseca
comentario: Claro que, pouco tempo depois dessa aula, "Era de noite e levaram Quem naquela cama dormia, Dormia, dormia." - o Zeca foi preso e não chegou a fazer a avalialção dos alunos. (Ainda há quem tenha saudades de ditaduras e ditadores? Fraco gosto.)
nome: Hélida Carvalho Santos
comentario: Depois de tanta gente ter mostrado interesse por este texto que tive guardado durante mais de 40 anos no meu baú de memórias, acho que devo aos leitores que se continuam a interessar pela figura deste homem ímpar, uma nota final. Zeca Afonso só conseguiu ser nosso professor durante um período. Prenderam-no, se a memória não me falha, no início de 68. Deixou de ser nosso professor e passou a ser o nosso héroi. Os anos passaram, a morte levou-o, nós crescemos, hoje já somos quase todos avós, mas ele continua dentro nós, como a nossa primeira e única grande referência de integridade absoluta, no mundo da política. E quando os professores nos marcam desta maneira, não existe morte que os derrube porque os seus ensinamentos, os seus códigos e os seus valores irão continuar sempre vivos, através dos rapazes e raparigas que tão elevadamente ajudaram a formar e a crescer. Hoje tenho 62 anos mas continuo a recordar, como se fosse hoje, a figura do Zeca Afonso em cima do estrado da velhinha sala de aulas, com os olhos dele nos nossos, dizendo: temos que ser dignos connosco para sermos dignos com os outros. Há que criar princípios de honestidade e isso começa em vocês, os futuros homens e mulheres de Portugal. Por esses alunos, aqui fica, publicamente, a expressão do nosso eterno reconhecimento. Hélida Carvalho Santos
nome: Rosário Vaz
comentario: Ainda bem que o texto saíu a público! Tal como a Manuela Fonseca, tinha tido acesso a essa preciosidade, pela mesma via, a amiga comum, Hélida Pais. Comentei, na altura, com a autora, que ter beneficiado destas "não aulas" terá sido um privilégio que deixou marcas. Que falta nos faz este homem nos dias tortuosos de hoje! Mais uma vez, obrigada, Hélida e parabéns pela excelência do texto!
nome: manuel santos
comentario: Zeca Afonso foi alguem que nao conheci pessoalmente; mas foi um homem que atravez da sua musica das suas palavras do seu portuguesismo de todas as coisas que lutou para mudar este Pais , jamais passara ao lado da historia que ele mesmo ajudou a criar, bem haja Zeca por toda a eternidade.
nome: Carlos Neves
comentario: Ao ler estas palavras não pude conter algumas lágrimas. Tive a honra e o prazer de o conhecer. Para quem o conheceu...isto não é novidade. Que falta nos fazes camarada Zeca. Até sempre
nome: Jacinto Saraiva Baptista
comentario: Eu já tinha recebido o texto sem identificação do autor e como sendo um escrito feito agora, "de memória", o que, em meu entender, se prestava a diversas interpretações. Lido agora o esclarecimento feito pela Hélida e considerando que a autora escreveu o texto na época do acontecimento e o guardou, só tenho que lhe dar os parabéns e um bem haja por no lo ter dado a conhecer.E já agora porque não publica os textos que tem no tal baú, e que dêem a conhecer um pouco o que foi a vida desta geração, que está agora na casa dos 60 anos? Jacinto Saraiva Baptista
nome: Irene Almeida
comentario: Obrigada por este texto...é sempre bom recordar pessoas com valor e com "valores"
nome: José Manuel Castanheira
comentario: Querida Mana. A descrição dos factos dessa aula, retrata com toda a fidelidade, a realidade. Eu próprio tenho contado esta história a outras pessoas, incluindo aos meus filhos. Desconhecia esta tua faceta. Se ncontrares mais textos no baú, delicia-nos
nome: Vitruvius
comentario: Também eu tive grandes professores. Quero aqui recordar o meu prof. de literatura, um velho solteirão de uns quarenta anos que acabou por casar com uma colega da minha turma; quando declamava poesia, especialmente o Cântico Negro, do Régio, a aula parava a respiração. É uma dávida dos deuses, quando aparecem estes HOMENS. Quanto ao ZECA, tentei ouvir a sua música ao vivo várias vezes, antes do 25 de Abril, mas nunca tive essa sorte. A PIDE estava lá sempre. A minha última tentativa foi na Rua António Maria Cardoso, no CNC, no princípio do ano de 1974. Lembraste ZECA? Fomos todos corridos à paulada pela polícia de choque. Entrei em corrida acelarada no Teatro de Trindade ... sem pagar bilhete!...

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