reportagem
Associação Naval Sarilhense - Moita
Papel de vanguarda na valorização do Património do Tejo
“A valorização do património do Tejo e suas embarcações tem sido mais fruto de actores locais, com acção de todos os que partilham estas vivências e – “muitos menos de estratégias politicas” – sublinhou Graça Filipe, Museóloga, que apresentou o Livro “Embarcações Tradicionais do Estuário do Tejo: Contributos para a compreensão da sua evolução funcional”.
A Associação Naval Sarilhense no âmbito das comemorações do seu 25.º Aniversário, publicou o livro “Embarcações Tradicionais do Estuário do Tejo: Contributos para a compreensão da sua evolução funcional”, da autoria de André Fernandes e Mário Pinto.
Esta obra sintetiza parte do trabalho de investigação desenvolvido ao abrigo do Protocolo entre a Associação Naval Sarilhense e o Instituto de Dinâmica do Espaço da Universidade Nova de Lisboa (IDE-UNL).
A Sessão de Apresentação teve lugar no dia 14 de Julho, no Auditório da Biblioteca Municipal Bento de Jesus Caraça (Moita) e contou com a participação de Rui Garcia (Vice-Presidente da Câmara Municipal da Moita), João Figueira de Sousa (Presidente do IDE-UNL), Graça Filipe (Museóloga, que apresentou o Livro), André Fernandes e Mário Pinto (autores).
Importância das embarcações tradicionais
“O livro ao longo de seis capítulos, analisa a importância do papel desempenhado pelas embarcações tradicionais do Estuário do Tejo no transporte fluvial de mercadorias, esboçando ainda uma síntese interpretativa do processo de formulação destas embarcações como construtos culturais, na sequência da sua obsolescência funcional. Uma perda de funcionalidade ocorrida em resultado da modernização do sistema de transportes da Região de Lisboa e das evoluções técnicas e tecnológicas nos transportes, em particular das embarcações utilizadas para o transporte fluvial de mercadorias (tráfego local) no Estuário do Tejo.” – é sublinhado pela ANS.
Um trabalho aturado sobre o tema
João Figueira de Sousa, Presidente do IDE-UNL, salientou que a obra constitui “um exercício que demonstra um trabalho aturado sobre o tema, um profundo conhecimento da problemática das embarcações tradicionais e, não menos importante, uma capacidade assinalável de distanciamento e interpretação do processo que se propuseram a analisar”.
Rui Garcia, Vice presidente da Câmara Municipal da Moita, reconheceu a importância do Tejo ao longo dos anos nas vivências do concelho da Moita.
ANS tem contribuído para a investigação
Graça Filipe, referiu que existe “um crescente conhecimento social destas temáticas e das vivências destas temáticas”, sendo a ANS uma instituição que tem contribuído para a investigação e divulgação.
“A ANS assume um papel de vanguarda na defesa do património do Tejo” – sublinhou.
Na sua opinião a valorização do património do Tejo e suas embarcações tem sido mais fruto de actores locais, com acção de todos os que partilham estas vivências e – “muitos menos de estratégias politicas”.
Papel das autarquias da Margem Sul
A Museóloga enfatizou o papel que tem sido desempenhado por algumas autarquias do estuário do Tejo, “particularmente na margem sul”, na “preservação do património” do Tejo.
Lançou um repto para que o trabalho de inventariação fosse desenvolvido, nomeadamente, efectuando-se o registo de embarcações em ruínas que se encontram em diversos pontos do estuário do Tejo.
E, também deixou em aberto uma nova pista de investigação, que desenvolve-se um estudo sobre os barcos a vapor do Tejo.
“Esta obra enriquece o conhecimento e o saber sobre o estuário do Tejo” – sublinhou Graça Filipe, afirmando a sua importância do ponto de vista cultural e de intervenção civivca..
A “ponte” do Alentejo com Lisboa
No decorrer da sessão, André Fernandes, um dos autores da obra apresentada, recordou que as embarcações do estuário do Tejo ao longo de muitos anos faziam a ligação entre as duas margens, mas também eram a “ponte” que ligava o Alentejo a Lisboa e a Região Centro à margem sul.
Referiu que a obra editada é fruto de um trabalho colectivo – “muitas horas de conversa com Arrais e homens do Tejo”, porque estes são a memória viva do rio.
Sublinhou que “esta obra é um ponto de partida” e que outros trabalhos serão concretizados no âmbito do Protocolo assinado entre a ANS e a Universidade Nova de Lisboa.
19.7.2012 - 16:33
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