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Bastidores

Assembleia Municipal do BarreiroAprova moção do Bloco de Esquerda que defende reversão da privatização da AMARSUL

 A Assembleia Municipal do Barreiro na sua reuniaõ de ontem dia 30 de setembro, aprovou uma moção apresentada pelo Bloco de Esquerda que defende reversão da privatização da AMARSUL. A moção  contou com os votos a Favor do PS, CDU e BE; os votos Contra do CH e PSD.

4 min de leitura
Assembleia Municipal do Barreiro Aprova moção do Bloco de Esquerda que defende reversão da privatização da AMARSUL

Por Jornal Rostos

Assembleia Municipal do Barreiro

Moção

Pela reversão da privatização da AMARSUL


A recolha e o tratamento de resíduos sólidos constituem uma componente fulcral para o bem-estar das populações e para a proteção do meio ambiente, sendo uma das mais importantes formas de garantir a salubridade, quer das nossas casas, quer das nossas ruas.

No Barreiro, este serviço é assegurado pela AMARSUL, outrora uma empresa pública detida pelo Estado e pelos municípios da Península de Setúbal. Contudo, em 2015, o Governo PSD/CDS, liderado por Pedro Passos Coelho, decidiu privatizar os 51% de capital detidos pelo Estado. Atualmente, a principal acionista é a EGF – Empresa Geral do Fomento, S.A., integrada no grupo Mota-Engil. Refira-se que a EGF é também a acionista maioritária de grande parte das empresas congéneres à AMARSUL que operam de Norte a Sul do país, estando presente em 174 municípios, abrangendo 60% do território nacional e servindo cerca de 6,3 milhões de pessoas.


Na sequência desta privatização, o preço por tonelada de resíduos cobrado pela AMARSUL mais do que triplicou, disparando de 23,75 € para os atuais 77,04 € — um agravamento desproporcional e bastante superior à inflação acumulada no mesmo período, que rondará os 25%. Apesar deste aumento superior a 300%, tal não se reflete nas nossas ruas, onde os contentores de lixo e as áreas envolventes se encontram frequentemente lotados e num estado de profunda insalubridade. O preço disparou, mas a limpeza do nosso concelho tem vindo a degradar-se de forma trágica. A recolha revela-se insuficiente e deficiente, fazendo com que a população seja duplamente penalizada: pelo agravamento brutal dos custos e pelo aumento da sujidade.

É inevitável questionar a justeza e a utilidade deste preçário, tal como o tem feito, e bem, a Comunidade Intermunicipal da Península de Setúbal. O caráter excessivo destas tarifas é evidente, existindo, aliás, precedentes em casos semelhantes. Na região de Aveiro, a ERSUC – Resíduos Sólidos do Centro, cujo maior acionista também é a EGF, foi recentemente obrigada pela Entidade Reguladora a baixar o preço da tonelada de 75,30 € para 50,25 €.

Ainda assim, no caso da AMARSUL, estas tarifas continuam a permitir que os parcos recursos financeiros dos municípios sejam drenados para o setor privado. Apenas este ano, a AMARSUL procedeu à distribuição de dividendos no valor de 1.200.000 €, capital que reverteu, na sua esmagadora maioria, para os acionistas da EGF e do grupo Mota-Engil.


Com a privatização da AMARSUL, um serviço público essencial e inalienável foi subtraído ao controlo público. Por inerência das suas características, este serviço constitui um monopólio natural, que foi, no entanto, submetido a uma lógica de lucro rentista, sobrepondo a procura incessante por acumulação de riqueza privada ao serviço do bem comum. Passada mais de uma década, a conclusão é incontornável: assistimos à concentração de riqueza e de poder à custa de uma pior qualidade de vida das populações.


Assim, a Assembleia Municipal do Barreiro, reunida no dia 30 de Setembro de 2026 delibera:


1. Exigir ao Governo a avaliação, em articulação com os municípios, a reversão da privatização da EGF e as condições para assegurar uma gestão pública dos sistemas multimunicipais de resíduos, com participação efetiva dos municípios nas decisões estratégicas e na gestão.


2. Apoiar e acompanhar a elaboração do plano de ação metropolitano de gestão de resíduos urbanos da Área Metropolitana de Lisboa, incluindo a avaliação de uma entidade pública intermunicipal ou metropolitana que permita coordenar a recolha seletiva, a triagem, o tratamento e a valorização dos resíduos, respeitando as competências dos municípios e as necessidades específicas da Península de Setúbal.


3. Apoiar a posição conjunta aprovada pelos nove municípios da Comunidade Intermunicipal da Península de Setúbal em 20 de maio de 2026, designadamente quanto à revisão das contrapartidas financeiras e da Taxa de Gestão de Resíduos, ao financiamento dos investimentos necessários e à criação de novas soluções de tratamento e valorização.


4. Instar o Governo a avaliar, com a Área Metropolitana de Lisboa, a Comunidade Intermunicipal da Península de Setúbal e os municípios envolvidos,  as alternativas para reforçar o tratamento dos resíduos não recicláveis.


5. Remeter a presente recomendação ao Governo, à Área Metropolitana de Lisboa, à Comunidade Intermunicipal da Península de Setúbal, à ERSAR e aos grupos parlamentares da Assembleia da República.

O Grupo Municipal do Bloco de Esquerda

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