Por Nuno Cavaco MoitaA Direita Empobrece. A Extrema-direita Embrutece.
A direita aborda os problemas da sociedade de forna simples. Para desafios diferentes, apresenta quase sempre a mesma resposta. Na saúde, defende a privatização. Na educação, aponta para a privatização. Na habitação, entrega a solução ao mercado. Nos salários, pede contenção e prudência para não perturbar os interesses económicos. Dizem que não é ideológico.

Por Jornal Rostos
Essas soluções não conseguem responder às dificuldades sentidas pela população, e abrem e abriram a porta à extrema-direita.
Faltam médicos? As rendas atingem valores incomportáveis? Os salários continuam baixos? Os serviços públicos degradam-se? A culpa é dos imigrantes.
Entretanto, o discurso é amplificado por uma rede de comentadores televisivos e fazedores de opinião que apresentam estas ideias como o pensamento do povo. Surge uma declaração chocante, uma provocação ou uma barbaridade, e logo aparece quem diga: "mas ele diz umas verdades".
Naturalmente que diz. Muitas dessas ideias já foram cuidadosamente normalizadas antes, através de artigos de opinião, debates televisivos e discursos políticos que prepararam o terreno para que o preconceito pareça razoável. O problema é que a extrema-direita deixou de ser apenas um fenómeno mediático. Em vários países conquistou representação institucional e responsabilidades de governo. Porém, quando chega o momento de resolver os problemas concretos das populações, o resultado raramente corresponde às promessas. Há muitos votos, muita propaganda e poucas soluções, geralmente até criam mais problemas, como acontece em várias autarquias.
É mais fácil ensinar alguém a odiar quem está mais vulnerável do que ensiná-lo a lutar pelos seus direitos.
Se não tens casa, a resposta não é culpar quem também procura uma casa. É exigir políticas de habitação pública capazes de responder às necessidades das famílias. Se o salário não chega ao fim do mês, a resposta não é apontar o dedo a quem trabalha ao teu lado. É lutar por melhores salários, por direitos laborais e por uma distribuição mais justa da riqueza produzida. Se o Serviço Nacional de Saúde enfrenta dificuldades, a resposta não é alimentar divisões entre trabalhadores. É exigir investimento público, mais profissionais e serviços acessíveis a todos.
É neste quadro que o PCP defendo e trabalhando por organizar os trabalhadores e o povo a lutar por direitos, salários dignos, valorização do trabalho e serviços públicos dignos para todos.
Nenhum trabalhador imigrante te reduziu o salário. Nenhum trabalhador imigrante aumentou, por si só, a renda da tua casa. Nenhum trabalhador imigrante decidiu privatizar serviços públicos ou enfraquecer o SNS.
Enquanto os trabalhadores se dividem entre si, aqueles que beneficiam dessa divisão continuam a acumular poder e lucro sem oposição organizada.
Por isso, a verdadeira escolha não é entre portugueses e imigrantes. É entre divisão e união. Entre resignação e luta. Entre aceitar os problemas como inevitáveis ou transformá-los através da ação coletiva.
A extrema-direita quer que olhemos para o lado, para quem tem menos, para quem é mais frágil e para quem é mais fácil culpar. Mas é para cima que devemos olhar. Para quem concentra a riqueza, para quem beneficia das desigualdades e para quem lucra quando os trabalhadores estão divididos e que geralmente “paga” as despesas da extrema-direita e não há almoços grátis.
Porque não é odiando quem tem menos que construiremos uma vida melhor. É lutando, juntos, por direitos, dignidade e justiça social.
A direita empobrece.
A extrema-direita embrutece.
A resposta está em organizar, lutar e transformar.
Nuno Cavaco
Militante do Partido Comunista Português













