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Por dentro dos dias - Barreiro
Basta um sorriso!

Por dentro dos dias - Barreiro<br>
Basta um sorriso!No dia de hoje, há 17 anos, rumei a Lisboa, plenamente decidido, com uma decisão na consciência, com a certeza que estava a dar um passo que iria ser difícil, complexo, e, que ao tomar essa decisão, começava uma das mais belas maratonas da minha vida, aquela que decidi, enquanto tiver energias, será a raiz, a semente, a flor e o fruto do meu viver quotidiano.

O dia de hoje faz parte das minhas memórias. Isto de ter memórias é importante na vida, porque uma vida sem memórias é uma vida vazia. São as memórias que nos fazem pensar e sentir todo o tempo vivido e, nele, encontrar as referências, de decisões, de opções, de desejos, de vontades, de sonhos, de ilusões, de desilusões, de palavras, de comportamentos, que nos levaram a, em certo momento, em tal ou tal circunstância, a tomarmos uma opção, uma escolha, o dar o primeiro passo para fazer um caminho, como diz, o provérbio chinês, o começo de uma caminhada começa nesse instante que decidimos, dar o passo.

No dia de hoje, há 17 anos, rumei a Lisboa, plenamente decidido, com uma decisão na consciência, com a certeza que estava a dar um passo que iria ser difícil, complexo, e, que ao tomar essa decisão, começava uma das mais belas maratonas da minha vida, aquela que decidi, enquanto tiver energias, será a raíz, a semente, a flor e o fruto do meu viver quotidiano.

Sim, neste dia há 17 anos, 19 de Outubro de 2001, rumei a Lisboa para registar o título do «Jornal Rostos», este foi o primeiro acto concreto de uma opção que assumi, ali, em julho, desse mesmo ano, a olhar o oceano, com a água a molhar os meus pés, na Praia do Baleal.

Um dia hei-de escrever a história e as estórias dos meus anos de imprensa regional, desde o jornal «O Setubalense», passando pelo «Jornal Daterra», até «Jornal do Barreiro», e, este, o jornal «Rostos», que, ainda continua, e, enquanto eu tiver saúde, acreditem vai continuar, com muitos leitores, com poucos leitores, com apenas um leitor, vai continuar a manter-se fazendo jornalismo de proximidade, com os recursos que tiver, com os meios que contar, com uma vontade enorme, dar voz e dar rostos às cidades.

Hoje lia um texto sobre o assassinato de um jornalista. Na história são muitos os que foram mortos, mas, por vezes matar, não é só a morte física, por vezes, também é o assassinato de carácter, o sufoco pela fome, o fazer dobrar o joelho pela sobrevivência.
Também à morte pela censura, a morte intelectual.
Afinal, ao longo da vida os jornalistas são muitos vezes os eternos culpados. Foi sempre mais fácil culpar o mensageiro.

Os tempos que vivemos são complexos. Mas, mesmo com todas as complexidades, em todo o tempo que vivi neste mundo do jornalismo, nunca me senti mais livre, mais independente, mais sonhador, com mais vontade de fazer um jornalismo que vá ao encontro dos meus valores políticos e ideológicos – um jornalismo que cultiva a democracia, um jornalismo que valoriza a pluralidade, um jornalismo que não está ao serviço de nenhum partido, um jornalismo que não é neutro porque promove e valoriza a cidadania.

Um jornalismo, afinal que não teme contraditório, que erra e assume os erros, que dá voz ao silêncio, que não cala, afinal um jornalismo que acredita, do fundo daquilo que é essencial na vida humana – a mediocridade não dá sentido ao fazer humanidade.

Foi no dia de hoje, há 17 anos que comecei, este sonho e, digo-vos, hoje, com 66 anos de idade, cá do fundo de mim, das entranhas onde corre o sangue da Liberdade, sinto o desejo de crescer. Viver. Sorrir.

Hoje, sim, hoje e daqui para frente, cada dia, será, cada vez mais, e sempre, um dia que é, em cada dia, o primeiro dia do resto de uma vida pela democracia, pela liberdade, pelo amor à vida…
Contem com todos os anos que estão pela frente…mesmo pequeninos, vamos continuar, e, hoje, como há 17 anos, continuo a acreditar que de uma semente muito pequena nasce uma árvore.

Depois de tantas tormentas já passadas, agora, o caminho é navegar para fazer futuro.
É isso que sinto aqui, no meu coração a sorrir – fazer futuro, fazer cidadania, fazer jornalismo na comunidade com a comunidade.
Sorrindo. Basta um sorriso!

António Sousa Pereira

20.10.2018 - 10:48

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