Conta Loios

inferências

A (nota)mentos
Terminal tem que se adaptar à estratégia do Barreiro

A (nota)mentos<br>
Terminal tem que se adaptar à estratégia do BarreiroFoi pena, na Sessão de Esclarecimento sobre o Terminal de Contentores do Barreiro, não ser transmitida uma visão, no sentido de se registar que há alguma energia unificadora em torno do projecto. Nota-se que há falta de diálogo.

Em tempos idos, ainda não muito recuados, e, até, na última campanha eleitoral autárquica, uma das teses, por vezes, emergente na teoria politica local, assentava na afirmação que a gestão autárquica da CDU, ao longo de décadas, não tinha uma visão de cidade, não projectava futuro, apenas se limitava a “correr” atrás dos projectos oriundos do Poder Central, ora a Terceira Travessia do Tejo, ora, mais recentemente, o Terminal de Contentores do Barreiro.

Ocorreu-me isto ao pensamento, neste tempo, que, de novo o tema do Terminal de Contentores do Barreiro, está na agenda da vida politica local. Recorde-se que, até ao próximo dia 7 de Dezembro, está a decorrer o processo de Consulta Pública do Estudo de Impacto Ambiental, que contempla o novo projecto de localização do Terminal.

E, afinal, cá estamos, de novo, naturalmente, em torno de projectos oriundos do Poder Central, para desenvolver o futuro daquele território, nomeadamente, os 400 Hectares da ex-CUF, cuja única e exclusiva competência para que, na verdade, algo, ali aconteça, será apenas, e só, da responsabilidade do Poder Central.
O Poder Local vai atrás. A única opção que lhes resta é pensar, ver e agir, como pode e deve potenciar os projectos em curso e enquadrar os mesmos com o tecido urbano, de forma que os ditos projectos sejam um contributo para a valorização do concelho. O resto é mera conversa de circunstância.
Foi isso que, digam o que disserem, na verdade, verificou-se no decorrer da gestão CDU. Os assuntos eram debatidos, ou abordados, regularmente nas reuniões de Câmara, de forma a manter informados e enquadrados todos os vereadores, de todas as forças politicas, porque era preciso e importante unir todos em defesa dos interesses do Barreiro, fosse qual fosse o governo.
Sobre esta matéria do Terminal, ao nível de vereação, ou mesmo na Assembleia Municipal, raramente foram registadas divergências.

É preciso entender que uma decisão de implantação do Terminal de Contentores do Barreiro, pelo governo, no território da Baía do Tejo, sendo uma decisão do Poder Central, a mesma deve contar com a parceria do Poder Local, não porque o Poder Local é da mesma cor politica do governo, mas porque, a decisão do governo
vai influenciar e determinar a qualidade de vida do concelho e da cidade, e ao Poder Local compete, em primeiro lugar, zelar pelo desenvolvimento do concelho e nunca hipotecar o seu futuro.

O Poder Local ontem era dirigido por comunistas, hoje por socialistas e, no futuro, seja lá quem for, na verdade, em matérias como esta, de implementação de um projecto como o Terminal de Contentores do Barreiro, deve unir forças, juntar vontades, dialogar intensamente, procurar consensos, porque o futuro em construção é o legado que deixamos aos nossos filhos e netos.
Foi, por essa razão, que todos se uniram – do PSD ao PS, do PCP ao PEV ou BE, contra o anterior projecto de instalação do Terminal de Contentores do Barreiro.

Na Sessão de Esclarecimento que decorreu na Casa da Cultura da Baía do Tejo, um dos aspectos que ficou claro é que, sobre esta matéria do Terminal de Contentores do Barreiro, existem diferenças e falta diálogo.
Aquilo que existia, em tempos recentes de liderança dos comunistas, capacidade de unir nas diferenças – pelo sim ou pelo não, agora, ali, não se vislumbrou um posição comum. O PSD optou pelo silêncio. A CDU não falou, apenas se escutou a voz do PEV. Mas, no plano oficial, de quem promovia a sessão que era a Câmara Municipal do Barreiro, por mais que uma vez escutou-se a opinião do «executivo socialista». Fiquei perplexo.

O Poder Local se estiver mais unido, se mitigar as diferenças, ganha mais força para negociar perante o Poder Central, porque essa força comum de diferenças unidas, dá o capital politico acrescentado de ser a voz de todos . Um Poder Local que fala apenas em nome de um «executivo socialista» tem menos força para exigir, reivindicar ao Poder Central, soluções para muitos dossier’s que tem pela frente, em termos de acessibilidade e mobilidade urbana.

Um Poder Local forte contam com o apoio de toda a população ou da sua grande maioria, isso, só lhe dá força para não ser usado pelo Poder Central como um mero agente das suas politicas, mesmo sendo da mesma força politica, seja ao nível da relação do Poder Central com o Poder Local, ou do municipio com a freguesia – o respeito começa pelo respeito da autonomia e pelas respectivas competências e interesses, que podem, ou não, ser coincidentes. Isso é normal e natural.
Foi pena, na Sessão de Esclarecimento sobre o Terminal de Contentores do Barreiro, não ser transmitida uma visão, no sentido de se registar que há alguma energia unificadora em torno do projecto. Nota-se que há falta de diálogo.
Na verdade, o assunto nunca foi abordado com algum rigor nas reuniões de Câmara, não passando de meras trocas de informações e diálogos assentes em conflitos partidários.

O que parece é existir em torno disto um excesso de protagonismo desnecessário.
O que parece é que se quer empurrar para o anterior executivo CDU, como sendo o pai de uma má solução e, agora, o novo executivo PS, este sim, é o pai de uma boa solução.
E, enquanto ao nível local, andamos neste patamar, de saber quem é o verdadeiro pai da criança, o Poder Central decide, e, nós, que «achamos» que temos uma visão de cidade. lá vamos a reboque, desviando com discussões secundárias, o debate do verdadeiro foco, esse é que interessa saber e decidir com coragem.

Esse que ouvi Frederico Rosa, assumir enquanto candidato, e pronto, se quiserem dizer que, sim, foi ontem que Rui Lopo, também o disse, e que ao dizer isso, tal, foi uma evolução, levem a bicicleta, para mim pouco conta. O que conta é a força e o sentido dessa reflexão – não é o Barreiro que tem que se adaptar à estratégia do Terminal, é o Terminal que tem que se adaptar à estratégia do Barreiro.
Ouvi isto de Carlos Humberto. Ouvi isto de Frederico Rosa.
Então, qual é o problema!?

Ou, o Terminal de Contentores interessa ao futuro do Barreiro e pode contribuir para o seu desenvolvimento. E, neste caso, este é um potencial a pensar, debater, construir e fazer futuro.
Ou, o Terminal de Contentores não interessa ao futuro do Barreiro, porque vai hipotecar o seu futuro e, então, com coragem, tal como fez Almada, é preciso sair para a rua e gritar – Não!

O Terminal de Contentores do Barreiro usado como arma de guerrilha politica, esvazia a capacidade reivindicativa do Poder Local e só prejudica o Barreiro.

Sim, sim! Não, não. Ponto final! Isto não é uma matéria de confronto partidários o resultado final, pelo bem ou pelo mal, afecta a todos, com partido ou sem partido, com religião ou sem religião.

Por favor, basta! Guardem a honestidade e a seriedade politica para outras guerras, e, de uma vez por todas, sentem-se a discutir e defender os interesses do povo do Barreiro que está acima das guerrilhas partidárias.

Um dia perguntei a Carlos Humberto, se o Terminal de Contentores era apenas um Terminal de Contentores. Ele disse que não, que o objectivo era desenvolver um Terminal Multimodal do Barreiro, para desenvolver uma plataforma logística e atrair empresas para o território da Baía do Tejo. Eu acreditei e expressei o meu apoio ao Terminal. O Barreiro precisa de emprego.
Se for este o projecto só vai valorizar o Barreiro e a região e cria condições para, mais tarde, ou mais cedo, ser inadiável, a Terceira Travessia do Tejo, nem que seja, apenas, na primeira fase, só ferroviária.

Um dia perguntei a Carlos Humberto se o Terminal afectava a Avenida da Praia, disse-me que não e, quando surgiu o primeiro Estudo de Impacto Ambiental, olhos nos olhos, confrontei-o. Ele disse-me, olhos nos olhos – Sousa Pereira achas que eu alguma vez defendia isto. Eu acreditei.
Ontem voltei a ficar com dúvidas. Espero que decidam o melhor. O Barreiro merece.
Digo-vos, ontem, quando vi algumas imagens, comentei para alguém a meu lado – Meu rico, Masterplan!


Um dia perguntei a Carlos Humberto, se todo o projecto em marcha, ligado ao Plano de Urbanização da Quimiparque e Zonas adjacentes, não ia colocar a vila do Lavradio num gueto, isoloda do Tejo e do restante tecido urbano, devido aos novos feixes de linhas ferroviárias e viadutos rodoviários. Ele disse-me que não, acreditei. Pelo que ouvi ontem fiquei preocupado. E quem vai ficar no gueto se isso acontecer, são todos os que cá vivem, seja qual for a sua opção de voto.
Fiquei incomodado.

Era tudo isto que devia divulgado e esclarecido. Isto não é um assunto de guerras politicas partidárias.
Isto é cidadania. Isto é o futuro.
Isto é o que nós vamos legar aos nossos filhos.

Gostei do que ouvi ontem por parte da APL, mas, depois ficam as dúvidas quando olhamos para as imagens.
Ter dúvidas não é mau, é colocar perguntas, e só quem coloca perguntas encontra respostas.

António Sousa Pereira

26.11.2018 - 00:36

Imprimir   imprimir

PUB.

PUB.





Pesquisar outras notícias no Google

Design: Rostos Design. Fotografia e Textos: Jornal Rostos.
Copyright © 2002-2019 Todos os direitos reservados.