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Da iluminação da zona polis aos factos históricos do associativismo


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Criação do «Observatório Pensar o Associativismo no Barreiro»


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A Quinta de Braamcamp não é um território abandonado
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Bloco de Esquerda reúne com Soflusa e mantêm motivos de p


CDS Barreiro considera situação actual da Soflusa
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Concelhia do Barreiro do PSD
Problema não é político partidário é dos Barreirenses e do Barreiro
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PS Barreiro apela ao bom senso e responsabilidade
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Inferências
O tema central não é a Quinta do Braamcamp, é o PDM é a estratégia para o concelho.

Inferências<br>
O tema central não é a Quinta do Braamcamp, é o PDM é a estratégia para o concelho.<br>
A discussão que está a ser feita em torno do processo da Quinta de Braancamp, é o melhor exemplo de que somos uma cidade sem projecto, somos uma cidade que não sabe o que quer, que vive a correr atrás do imobiliário.

Os cidadãos são, têm que ser, cada vez mais o motor de transformação da cidade, uma cidade sem cidadania activa é uma cidade moribunda.

O movimento cívico de cidadania, nos anos 90, de repúdio de construção da ETRI, no território da antiga CUF, ficou inscrito como uma marca que apontou para a mudança de paradigma no pensar e fazer cidade.
Inicialmente o Poder Autárquico instalado não ligou, e, até, manteve alguma indiferença sobre os factos que iam emergindo no quotidiano.
Talvez os factos e as circunstâncias que se sucediam fossem considerados mera agitação partidária da oposição, então, liderada pelo Partido Socialista, e, até sendo, o PS, o partido que governava e tinha a tutela sobre a Quimiparque.

Mas, as situações cresciam. Ora uma conversa de cidadãos. Ora um artigo de jornal (naquele tempo não existiam as redes sociais, mas já se começava a sentir a pressão dos blogues). Os “pequenos acontecimentos” foram ocorrendo, debates em crescendo - era uma conversa numa escola, depois um encontro com meia dúzia de pessoas, e tudo isto, pouco a pouco, gerou um movimento cívico que, por fim, colocou na rua milhares de pessoas, e, até, os autarcas no Poder integraram-se na corrente de opinião pública que se assumia, numa voz envolvente, acima dos partidos, afirmando que não queria a ETRI na Quimiparque.


Este movimento de «cidadania activa», marcou os anos 90, e, sublinho, foi este impulso de cidadania activa, que abriu as brechas para um novo olhar sobre o futuro do concelho do Barreiro.
Foi o iniciar de um debate sobre um projecto para o concelho do Barreiro. Dinamizar ideias-força que fossem linhas estratégicas para a revisão do PDM.
Neste movimento cívico está a génese da necessidade da cidade de se olhar para o território da antiga CUF, e, pensar aquela “pérola” como elemento estruturante do desenvolvimento do concelho do Barreiro, assim como de valorização do Barreiro na Área Metropolitana de Lisboa.
Este movimento cívico foi decisivo para se pensar a importância da abertura do território da antiga CUF ao tecido urbano e alargar o centro da cidade para a antiga zona industrial, colocando em causa as ideias força e os conceitos que estavam expressos no PDM, esse, que, ainda hoje está em vigor, e, que tem uma visão para aquele território, que perspectiva zero de construção de habitação.

A vinda ao Barreiro do Arquitecto Manuel Salgado, a convite de Pedro Canário, o programa eleitoral do PS que lhe deu a primeira vitória no concelho do Barreiro, a elaboração do Masterplan pela Quimiparque, no decorrer da gestão de Emídio Xavier, a elaboração do Plano de Desenvolvimento da Quimiparque, na gestão de Carlos Humberto, tudo isto são reflexos estruturantes fruto dos debates e reflexões que ocorreram em torno do processo da ETRI, nos anos 90. Um novo paradigma para cidade, nunca suficientemente consolidado.
Nos anos de gestão de Carlos Humberto, sentem-se alguns frutos, deste processo iniciado com o movimento cívico da ETRI, com a abertura e ligação do território da Baía do Tejo à cidade.
Este autarca, por muito que o critiquem, deu alguns passos em frente, tendo um papel decisivo junto ao Poder Central – que já Emídio Xavier tinha tentado –para que o governo ( fosse liderado pelo PSD ou pelo PS) colocasse na agenda politica, o pensar e agir neste território, quer através da reconversão dos terrenos poluídos, quer dando-lhe dimensão económica e colocá-lo ao serviço da região. Estamos onde estamos.
No governo PSD abordou-se a temática da reindustrialização. E, por aí ficámos. Terminal Multimodal, enfim. Opções em aberto, que estão sendo continuadas pelo actual governo.
O facto é que estamos onde estamos. Ali, está uma pérola por burilar.
Tentou-se um Plano de Urbanização da Quimiparque, passou-se para o Plano da Quimiparque e Zonas Envolventes, visando rasgar caminhos para ligar a antiga zona industrial aos territórios ferroviários, estes, também da responsabilidade do Poder Central.
Enfim abordagens, que pelos vistos não obtêm o consenso político dos partidos. Sai um entra o outro e tudo muda, volta o outro e já nada é do que o mesmo tinha dito.
É este o Barreiro que se esgota a si mesmo, com discussões de lana caprina, com conversas de aziados, com os discursos de muros ideológicos, com conversas da treta.
E, a verdade é que os políticos locais, só saíram dos seus casulos estratégicos, de bons e maus, e deu saltos em frente estruturantes com os cidadãos a exigir e a avançar por cima das guerrilhas partidárias, com impulsos de cidadania.

Ultimamente falou-se muito, no impulsionar nos territórios da Baía do Tejo, nichos de «industrias criativas».
Sente-se que vão avançando. Este é um caminho positivo. Talvez possa tornar-se uma estratégia impulsionadora do pensar e fazer a cidade do século XXI, uma linha para a revisão do PDM e para definir uma estratégia de cidade.

O projecto Lisbon South Bay abriu caminhos para dar ao território uma dimensão estratégica na AML. Pode dizer-se que a actual Administração da Baía do Tejo tem feito o trabalho de casa e não brinca em serviço.
Mas, afinal, tudo isto acontece à margem de uma revisão do PDM, da definição de um pensamento estratégico para o concelho, de uma visão da afirmação do concelho na AML, pela sua diferenciação – atraindo modelos de trabalho, de cultura, de criatividade, fazendo cidadania e gerando economia.
Não há um projecto de cidade. Não há uma ideia substantiva para o concelho.Vive-se dos acontecimentos.

O Barreiro desde os anos 80, com a decadência da cidade da fábrica não teve, até hoje, outra linha estratégica de desenvolvimento para o seu território se não aquela que foi dinamizada em torno do PDM. Uma cidade que se projectava com um modelo de expansão urbana, que se sonhava ser a grande residência do mundo regional emergente da Autoeuropa.

É este o PDM que está em vigor. É este PDM que não foi revisto, nem pela gestão PS, que lançou um amplo debate sobre estratégia, quebrado pela perda das eleições. Nem pela CDU, que iniciou um debate visão Barreiro 2030. Encerrado nas últimas eleições autáquicas.
Agora voltamos ao principio. É este PDM que nos gere, que tem uma estratégia que aponta para um Barreiro de 200 mil habitantes. Um projecto de concelho assente na expansão urbana.
Foi rotulado de megalomaníaco. Não apontava visão de futuro. Mas, quando se trata de encaixar soluções como a expansão urbana, lá contemplada, para Quinta de Braamcamp, já é útil.

Uma cidade que tem mais de 2000 fogos aprovados por construir, mais de 5000 fogos para vender. Prédios de qualidade emparedados, alguns com uma vista única.
Uma cidade com um tecido histórico envelhecido, onde foram realizadas, algumas acções de revitalização do seu espaço público, no tempo de Eduardo Porfirio, e, com o REPARA, na gestão de Carlos Humberto.

Uma cidade que sobreviveu à decadência industrial com a expansão urbana, nos Fidalguinhos, em Palhais ou Coina, em Santo André, Casquilhos ou na Vila Chã.
Os patrões dos anos 70, os construtores civis, ou os interessados nos negócios imobiliário, são eles que continuam a ser quem determina o desenvolvimento e as politicas da autarquia. Talvez por isso, e só por isso, o PDM está bem como está. Resolve situações.

Depois, a nossa realidade, é esta e não outra, somos o Barreiro, a cidade que vive do Estado como principal e grande empregador – Hospital, Tribunal, Escolas, autarquias, TCB, Segurança Social, IEFP, aqueles que dependem do Estado, IPSS’s, e, como consumidores o seu exército de reformados.

Enfim, a verdade é que chegamos aos dias de hoje, sem que fosse concretizada a revisão do PDM, pelas gestões PS, nem CDU, nem, agora, se vislumbra que o novo executivo municipal, liderado pelo PS (que tanto criticou a não revisão do PDM), esteja a mexer uma palha para que a revisão do PDM seja uma realidade.
A revisão do PDM, a estratégia para o PDM, o apontar o caminho para o concelho, esta devia ser uma linha central de um executivo municipal que pretendesse marcar a diferença, fazendo deste processo um exemplo de que tem uma nova forma de pensar e sentir a cidade.
Esta sim, podia ser uma marca politica que fizesse a tal diferença do pensar, gerir e fazer cidade. Envolvendo a cidade no “pensar cidade”, no “fazer cidade”.

A discussão que está a ser feita em torno do processo da Quinta de Braancamp, é o melhor exemplo de que somos uma cidade sem projecto, somo uma cidade que não sabe o que quer, que vive a correr atrás do imobiliário – o “Santo Graal” do Barreiro desde os anos 70, antes do 25 de Abril ( quando teve inicio a decadência do patrão CUF, e começou o patrão construção civil).

Uma cidade que viveu de costas voltadas para o rio, que iniciou nos anos 90, uma viragem, implementando projectos de valorização da zona ribeirinha, com intervenções positivas, está agora numa encruzilhada de vender ou não vender o seu próprio património, apenas por uma razão – porque não tem projecto, porque não tem PDM, porque não tem estratégia.

E, neste processo, o mais triste, é que fomentam-se discussões marginais, apenas para alimentar as guerrilhas partidárias. Não se discute. Baralha-se os dados e são esses os dados que estão lançados.
Quando me perguntam se a Quinta do Braamcamp vai ser vendida. A minha resposta é sim, vai ser vendida. A correlação de forças ideológica, actualmente maioritária na autarquia é favorável à viabilização do processo imobiliário, e, pasme-se, até se defende com o previsto no PDM, tanto criticado.
Tudo indica que o PS e o PSD estão de pedra e cal neste processo.
O PSD ainda vai falando da necessidade de existir um estudo urbanístico que ligue à envolvente, e, trouxe para a agenda a construção do Pavilhão para a Escola Alfredo da Silva. Uma ideia já conhecida e falada no âmbito do REPARA.
Depois, no plano do discurso da cidade coloca-se quem está contra esta linha de estratégia de expansão urbana, como os aziados, os comunistas, gerando estigmas e caldo para conflitos, não para a reflexão ou pensar cidade.

Porque, de facto, não há projecto de cidade, não há uma ideia central estruturante para um modelo de cidade.
Não há uma visão para as zonas ribeirinhas, da Quinta de Braamcamp até ao Coina, com a ligação ao Seixal, por isso, optou-se por afastar o Barreiro da estratégia da AML de implementação de 10.000 km de redes cicláveis e pedonais até 2030, como referiu o Secretário de Estado, um destes dias, ali no POLIS.

O mau PDM de 1994, afinal serve para justificar o processo imobiliário da Quinta do Braamcamp. Afinal os maus comunistas, agora, até são bons. Foram eles, mesmo com muros ideológicos que compraram a Quinta, e como não fizeram a revisão do PDM, deixaram em aberto todas as condições para o privatizável.

Mas, de facto, sente-se na cidade, que estamos perante a possibilidade da emergência de um novo movimento cívico, que contribua para abrir brechas para que se faça um debate, que vá para além dos partidos, que sendo importantes, não são os donos da cidade, e, tal como nos anos 90, no processo da ETRI, os cidadãos de todas as cores politicas saíram à rua para dizer não à ETRI, hoje, que se saia à rua para que se defina, objectivamente, o que se quer das zonas ribeirinhas e como enquadra-las no conceito de cidade.
Que se abra um amplo processo de reflexão sobre e a cidade, sem estigmas, sem querer marginalizar ninguém, por razões ideológicas.
Foi assim nos anos 90. Pequenas conversas, pequenos encontros, juntar pessoas e vontades acima dos partidos, gerar plataformas de debate, nichos de discussão, conversas de café.
O tema central não é, não deve ser a venda da Quinta do Braamcamp, esse pode ser o leit motiv, o tema central é a revisão do PDM, a estratégia para o concelho.
Mesmo que o processo imobiliário seja concretizado, quando da aprovação da revisão do PDM, que só vai, de certeza, acontecer após as próximas eleições autárquicas, tudo pode ser repensado e renegociado.
O eleitorado tem nas mãos a decisão de votar, mas votar esclarecido. Votar em quem apontar estratégias. Foi isso que aconteceu no passado.
São os barreirenses quem vai decidir, queiram ou não, e, de facto, a decisão que tomarem será o Barreiro onde querem viver.
Os cidadãos são, têm que ser, cada vez mais o motor de transformação da cidade, uma cidade sem cidadania activa é uma cidade moribunda.

Os cidadãos devem exigir aos políticos que sejam os impulsionadores de uma estratégia de cidade e que apontem um modelo de futuro para o seu desenvolvimento. Isto irá esclarecer sobre as opções – ou um concelho que se desenvolve com base na continua expansão urbanística, ou um concelho que se revitaliza, promove centralidades, sítios para viver – um concelho feito de sítios com cidadania, um concelho com os olhos no Tejo, no Coina e na Mata a Machada.
Esta é a questão central, o resto, resolve-se pelas opções de cidade assumidas.

Digam-nos qual o modelo de desenvolvimento da cidade.

Mas, pelos vistos, parece de facto, que, tal como nos anos 90, aqui e agora, só uma grande mobilização dos cidadãos, acima dos partidos, pode ser o contributo para que se pense, discuta e avance um projecto de cidade e se defina um pensamento estratégico para o território do concelho do Barreiro.
Considero que as decisões que venham a ser tomadas sobre o dossier Quinta do Braamcamp, ficará como a marca e a definição do paradigma de cidade que vai marcar as próximas décadas, neste século XXI.

Pelo que vi na Quinta do Braamcamp, famílias a conversar e pessoas de diferentes opções, conversando nas suas diferenças, com respeito, como se fosse uma espécie de «plataforma 2835» de «cidadania activa», acho que os políticos, mais uma vez, devem estar atentos e, atempadamente, sentir o pulsar da cidade.

Os partidos costumam cometer erros fatais – um quando querem reduzir os cidadãos ao seu modelo de pensar; então, afastam as pessoas da cidadania; outro quando querem controlar os movimentos de acção civica, silenciam a cidade, e, o mais grave é quando acham que uma cidade se resume às guerrilhas partidárias.
Pode estar a nascer no Barreiro um sentimento de cansaço dos partidos e, isso, na verdade, não ajuda a democracia, nem valoriza a cidadania. É que há mais cidade para além dos mundos partidários.

Não desvalorizem os pequenos nadas, porque a vida é feita de pequenos nadas, e, de facto, isso dos aziados, acho que já se fez a catarse. Freud, explica isso!

António Sousa Pereira

02.04.2019 - 21:00
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nome: aliette martins
comentario: Sousa Pereira, forte abraço.Excelente exposição. Poucos faria melhor.

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