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INFERÊNCIAS
Horóscopos Diários
Dia 25 de Abril 2019
Por Maria Helena


A(nota)mentos - Barreiro
Beijo nos lábios vermelhos de Abril
– o sabor da palavra Liberdade


Rosto da Semana – Barreiro
Manuel Fernandes – o rosto de uma festa feita de presente e futuro


Por dentro dos dias – Barreiro
Do navegar é preciso…ao sobreviver é preciso!


Inferências
O tema central não é a Quinta do Braamcamp, é o PDM é a estratégia para o concelho.


ROSTOS DO ANO 2018
Reconhecimento aos que contribuíram para valorizar o concelho do Barreiro
. ROSTO DO ANO António Cordeiro


COLUNISTAS
Igualdade
Por Nuno Santa Clara
Barreiro


Falam, falam, falam e não fazem nada…
Por Nuno Miguel Fialho Cavaco
Moita


Quadro Comunitário de Apoio para o período 2021-2027
Por José Caria
Montijo


O dianho do «crowdfunding»
Por Carlos Alberto Correia
Barreiro


Até amanhã Sr. Alexandre. Bom Natal
Por Jorge Fagundes
Barreiro


O Barreiro está um pouco mais pobre!
Por Nuno Banza
Barreiro


BASTIDORES
Seixal - Com os votos contra do PSD e a abstenção do PS
Parlamento chumba medidas propostas pelo PCP para reduzir a poluição em Paio Pires


Sesimbra - Comemoração do 45º Aniversário do 25 de Abril
Homenagem a Manuel Alfredo Tito de Morais.


Bloco de Esquerda defende ligação Barreiro - Lisboa
Terceira Travessia do Tejo em modo ferroviário.


MOITA - VEREADORES DO PS VOTAM CONTRA O RELATÓRIO E CONTAS DE 2018
Precisamos de outras opções que certamente resultarão noutras contas


Aquisição de duas viaturas para o Programa Escola Segura no Barreiro
Bruno Vitorino considera necessário que CMB adquira face à incapacidade do Es


ENTREVISTA
Barreiro - TCB pode alargar serviço a concelhos limítrofes
Colaborar na mobilidade de Sesimbra, Palmela e Seixal para além da Moita
. Novos au


Desconstruir aquela ideia do Barreiro coitadinho
Projecto «Start XXI» uma aposta no desenvolvimento económico


AS EMPRESAS
Barreiro - Perturbação no regular funcionamento das carreiras
ALTERAÇÃO PROVISÓRIA DE PERCURSOS
. Carreiras 3, 6, 318, 701 e 702


Nos concelhos de Almada, Barreiro e Seixal
Embaixador do Qatar e Empresários Brasileiros visitam territórios Lisbon South Bay


DESPORTO
Barreiro - Patinagem Artística do Fabril única representante do Distrito de Setúbal
No Portugal Chapatim Roller Cup 2019 em Matosinhos


Campeonato de Portugal de Juniores e Absoluto 420
Clube de Vela do Barreiro coloca duas tripulações nos 5 primeiros lugares do Nacional


Moita - 26º Grande Prémio de Atletismo da Fonte da Prata
No âmbito do AtletisMoita vai ter lugar a 4 de maio


Campeonatos Nacionais de Jovens Clássicas de Xadrez em Portimão
Hugo Ferreira Sub 20 e Ferroviários do Barreiro conquistam 2º lugar


Barreiro - Raquel Augusto atleta de Ginástica Ritmica
Campeã Distrital em Movimentos Livres e Vice Campeã em Bola e Fita
. Apurada par


PERSONALIDADES
associação informal VULTOS DA NOSSA TERRA
HOMENGEM A JORGE TEIXEIRA
. APELO


AS ESCOLAS
Barreiro - Escola Secundária de Casquilhos na Lituânia
Erasmus+ - Projeto DE.CO.DE


Barreiro - Agrupamento de Escolas Augusto Cabrita
Presente na Polónia no encontro Erasmus «Um homem são num ambiente são»


Barreiro - Agrupamento de Escolas Augusto Cabrita
Participou na 17ª Edição do Prémio Internacional Marco & Alberto Ippolito na Roménia


REPORTAGEM
Barreiro – Rute Pio Lopes abre Encontros «O autor e os livros»
Fotografia foi sempre uma grande paixão da minha vida
. Sintonia é unir palavra


Rui Braga, responsável pela comunicação da Câmara Municipal do Barreiro
Alerta que «notícias falsas» não acontecem por acaso>
. «Perfis falsos


Barreiro - Escola de Música do Penalvense
Onde se aprende música fazendo música


Barreiro – Constituída «Plataforma contra a Venda da Quinta do Braamcamp»
Lançada a proposta de promover o DIA B – Braamcamp
. Constru


António Costa entregou a chave do primeiro dos 60 novos autocarros a gás dos TCB
Investimento total superior a 18 milhões de euros


Gilberto Gomes no Rotary
Barreiro não conseguiu recuperar os milhares de postos de trabalho que perdeu na CUF e nos ferroviários


MOLDURA
Seixal - Espetáculo comemorativo dos 45 Anos do 25 de Abril
Adiado para hoje dia 25 de Abril


Num percurso de cerca de 150 quilómetros pela antiga canada real
Romeiros transportam Nª Srª. da Boa Viagem da Moita a Viana do Alentejo


Moita - Comemorações do 45º aniversário do 25 de Abril
Concerto com Ana Moura adiado para 30 de abril


Barreiro - Conhecido o vencedor da Bolsa de Criação OUT.RA 2019
Produção e edição do novo disco do músico Van Ayres dão corpo ao projecto sele


Em Junho o 1º Festival de Jazz do Barreiro
JAZZ NO PARQUE 2019


Barreiro -Encontro «Alburrica/Quinta do Braamcamp em Debate»
«Estuário do Tejo e suas áreas ribeirinhas: estratégia para a sustentabilidade e d


No Salão dos Bombeiros Voluntários do Barreiro
Almoço comemorativo do 45.º aniversário de 25 de Abril
. Dia 28 de Abril, 13 horas


Arrancou no Município do Barreiro
Amarsul promove ações de sensibilização junto a ilhas ecológicas


Barreiro – Reserva o Sábado
Passeio Botânico


AUTARQUIAS
Assembleia Municipal do Barreiro
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Barreiro uma cidade amiga das famílias e das crianças
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Rui Garcia, Presidente da Associação de Municípios da Região de Setúbal
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Associação de Municípios da Região de Setúbal
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OPINIÃO
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CDU impede aumento de preço em viagens dos TCB
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O Dia B – Movimente esta ideia
Por Sofia Martins e Mónica Duarte
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Autarquia Em Modo Off
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«isto ainda vem do seu tempo, não é?»
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BARREIRO E BRAAMCAMP: UM EXERCÍCIO DE MEMÓRIA
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O Provedor do Preconceito
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Festas de Constância em Honra de Nossa Senhora da Boa Viagem
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I Intercâmbio de Grupos Corais e Instrumentais Séniores


Moita - Grupo Recreativo Familiar no Bairro Gouveia
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Dia Mundial do Livro em Grândola
Apresentação do livro «José Saramago: rota de vida — uma biografia»


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Moita – Centenário da «Catraia de Lisboa»
«Apesar de ter 100 anos continua a ser uma catraia»


Barreiro -Um documentário dedicado ao DIA B
O Pulsar da Cidade


ArteViva - Companhia de Teatro do Barreiro
«O Animador» - onde começa o mundo real e acaba a ficção?


Barreiro - Grupo Recreativo União Penalvense
Um ponto de encontro de gerações
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EUROPA
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«Europe CARES — Uma educação inclusiva de qualidade para crianças com deficiência»


Opinião pública em Portugal relativamente à União Europeia
Eurobarómetro 90: Portugueses mais confiantes na economia e no emprego


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Inferências
O tema central não é a Quinta do Braamcamp, é o PDM é a estratégia para o concelho.

Inferências<br>
O tema central não é a Quinta do Braamcamp, é o PDM é a estratégia para o concelho.<br>
A discussão que está a ser feita em torno do processo da Quinta de Braancamp, é o melhor exemplo de que somos uma cidade sem projecto, somos uma cidade que não sabe o que quer, que vive a correr atrás do imobiliário.

Os cidadãos são, têm que ser, cada vez mais o motor de transformação da cidade, uma cidade sem cidadania activa é uma cidade moribunda.

O movimento cívico de cidadania, nos anos 90, de repúdio de construção da ETRI, no território da antiga CUF, ficou inscrito como uma marca que apontou para a mudança de paradigma no pensar e fazer cidade.
Inicialmente o Poder Autárquico instalado não ligou, e, até, manteve alguma indiferença sobre os factos que iam emergindo no quotidiano.
Talvez os factos e as circunstâncias que se sucediam fossem considerados mera agitação partidária da oposição, então, liderada pelo Partido Socialista, e, até sendo, o PS, o partido que governava e tinha a tutela sobre a Quimiparque.

Mas, as situações cresciam. Ora uma conversa de cidadãos. Ora um artigo de jornal (naquele tempo não existiam as redes sociais, mas já se começava a sentir a pressão dos blogues). Os “pequenos acontecimentos” foram ocorrendo, debates em crescendo - era uma conversa numa escola, depois um encontro com meia dúzia de pessoas, e tudo isto, pouco a pouco, gerou um movimento cívico que, por fim, colocou na rua milhares de pessoas, e, até, os autarcas no Poder integraram-se na corrente de opinião pública que se assumia, numa voz envolvente, acima dos partidos, afirmando que não queria a ETRI na Quimiparque.


Este movimento de «cidadania activa», marcou os anos 90, e, sublinho, foi este impulso de cidadania activa, que abriu as brechas para um novo olhar sobre o futuro do concelho do Barreiro.
Foi o iniciar de um debate sobre um projecto para o concelho do Barreiro. Dinamizar ideias-força que fossem linhas estratégicas para a revisão do PDM.
Neste movimento cívico está a génese da necessidade da cidade de se olhar para o território da antiga CUF, e, pensar aquela “pérola” como elemento estruturante do desenvolvimento do concelho do Barreiro, assim como de valorização do Barreiro na Área Metropolitana de Lisboa.
Este movimento cívico foi decisivo para se pensar a importância da abertura do território da antiga CUF ao tecido urbano e alargar o centro da cidade para a antiga zona industrial, colocando em causa as ideias força e os conceitos que estavam expressos no PDM, esse, que, ainda hoje está em vigor, e, que tem uma visão para aquele território, que perspectiva zero de construção de habitação.

A vinda ao Barreiro do Arquitecto Manuel Salgado, a convite de Pedro Canário, o programa eleitoral do PS que lhe deu a primeira vitória no concelho do Barreiro, a elaboração do Masterplan pela Quimiparque, no decorrer da gestão de Emídio Xavier, a elaboração do Plano de Desenvolvimento da Quimiparque, na gestão de Carlos Humberto, tudo isto são reflexos estruturantes fruto dos debates e reflexões que ocorreram em torno do processo da ETRI, nos anos 90. Um novo paradigma para cidade, nunca suficientemente consolidado.
Nos anos de gestão de Carlos Humberto, sentem-se alguns frutos, deste processo iniciado com o movimento cívico da ETRI, com a abertura e ligação do território da Baía do Tejo à cidade.
Este autarca, por muito que o critiquem, deu alguns passos em frente, tendo um papel decisivo junto ao Poder Central – que já Emídio Xavier tinha tentado –para que o governo ( fosse liderado pelo PSD ou pelo PS) colocasse na agenda politica, o pensar e agir neste território, quer através da reconversão dos terrenos poluídos, quer dando-lhe dimensão económica e colocá-lo ao serviço da região. Estamos onde estamos.
No governo PSD abordou-se a temática da reindustrialização. E, por aí ficámos. Terminal Multimodal, enfim. Opções em aberto, que estão sendo continuadas pelo actual governo.
O facto é que estamos onde estamos. Ali, está uma pérola por burilar.
Tentou-se um Plano de Urbanização da Quimiparque, passou-se para o Plano da Quimiparque e Zonas Envolventes, visando rasgar caminhos para ligar a antiga zona industrial aos territórios ferroviários, estes, também da responsabilidade do Poder Central.
Enfim abordagens, que pelos vistos não obtêm o consenso político dos partidos. Sai um entra o outro e tudo muda, volta o outro e já nada é do que o mesmo tinha dito.
É este o Barreiro que se esgota a si mesmo, com discussões de lana caprina, com conversas de aziados, com os discursos de muros ideológicos, com conversas da treta.
E, a verdade é que os políticos locais, só saíram dos seus casulos estratégicos, de bons e maus, e deu saltos em frente estruturantes com os cidadãos a exigir e a avançar por cima das guerrilhas partidárias, com impulsos de cidadania.

Ultimamente falou-se muito, no impulsionar nos territórios da Baía do Tejo, nichos de «industrias criativas».
Sente-se que vão avançando. Este é um caminho positivo. Talvez possa tornar-se uma estratégia impulsionadora do pensar e fazer a cidade do século XXI, uma linha para a revisão do PDM e para definir uma estratégia de cidade.

O projecto Lisbon South Bay abriu caminhos para dar ao território uma dimensão estratégica na AML. Pode dizer-se que a actual Administração da Baía do Tejo tem feito o trabalho de casa e não brinca em serviço.
Mas, afinal, tudo isto acontece à margem de uma revisão do PDM, da definição de um pensamento estratégico para o concelho, de uma visão da afirmação do concelho na AML, pela sua diferenciação – atraindo modelos de trabalho, de cultura, de criatividade, fazendo cidadania e gerando economia.
Não há um projecto de cidade. Não há uma ideia substantiva para o concelho.Vive-se dos acontecimentos.

O Barreiro desde os anos 80, com a decadência da cidade da fábrica não teve, até hoje, outra linha estratégica de desenvolvimento para o seu território se não aquela que foi dinamizada em torno do PDM. Uma cidade que se projectava com um modelo de expansão urbana, que se sonhava ser a grande residência do mundo regional emergente da Autoeuropa.

É este o PDM que está em vigor. É este PDM que não foi revisto, nem pela gestão PS, que lançou um amplo debate sobre estratégia, quebrado pela perda das eleições. Nem pela CDU, que iniciou um debate visão Barreiro 2030. Encerrado nas últimas eleições autáquicas.
Agora voltamos ao principio. É este PDM que nos gere, que tem uma estratégia que aponta para um Barreiro de 200 mil habitantes. Um projecto de concelho assente na expansão urbana.
Foi rotulado de megalomaníaco. Não apontava visão de futuro. Mas, quando se trata de encaixar soluções como a expansão urbana, lá contemplada, para Quinta de Braamcamp, já é útil.

Uma cidade que tem mais de 2000 fogos aprovados por construir, mais de 5000 fogos para vender. Prédios de qualidade emparedados, alguns com uma vista única.
Uma cidade com um tecido histórico envelhecido, onde foram realizadas, algumas acções de revitalização do seu espaço público, no tempo de Eduardo Porfirio, e, com o REPARA, na gestão de Carlos Humberto.

Uma cidade que sobreviveu à decadência industrial com a expansão urbana, nos Fidalguinhos, em Palhais ou Coina, em Santo André, Casquilhos ou na Vila Chã.
Os patrões dos anos 70, os construtores civis, ou os interessados nos negócios imobiliário, são eles que continuam a ser quem determina o desenvolvimento e as politicas da autarquia. Talvez por isso, e só por isso, o PDM está bem como está. Resolve situações.

Depois, a nossa realidade, é esta e não outra, somos o Barreiro, a cidade que vive do Estado como principal e grande empregador – Hospital, Tribunal, Escolas, autarquias, TCB, Segurança Social, IEFP, aqueles que dependem do Estado, IPSS’s, e, como consumidores o seu exército de reformados.

Enfim, a verdade é que chegamos aos dias de hoje, sem que fosse concretizada a revisão do PDM, pelas gestões PS, nem CDU, nem, agora, se vislumbra que o novo executivo municipal, liderado pelo PS (que tanto criticou a não revisão do PDM), esteja a mexer uma palha para que a revisão do PDM seja uma realidade.
A revisão do PDM, a estratégia para o PDM, o apontar o caminho para o concelho, esta devia ser uma linha central de um executivo municipal que pretendesse marcar a diferença, fazendo deste processo um exemplo de que tem uma nova forma de pensar e sentir a cidade.
Esta sim, podia ser uma marca politica que fizesse a tal diferença do pensar, gerir e fazer cidade. Envolvendo a cidade no “pensar cidade”, no “fazer cidade”.

A discussão que está a ser feita em torno do processo da Quinta de Braancamp, é o melhor exemplo de que somos uma cidade sem projecto, somo uma cidade que não sabe o que quer, que vive a correr atrás do imobiliário – o “Santo Graal” do Barreiro desde os anos 70, antes do 25 de Abril ( quando teve inicio a decadência do patrão CUF, e começou o patrão construção civil).

Uma cidade que viveu de costas voltadas para o rio, que iniciou nos anos 90, uma viragem, implementando projectos de valorização da zona ribeirinha, com intervenções positivas, está agora numa encruzilhada de vender ou não vender o seu próprio património, apenas por uma razão – porque não tem projecto, porque não tem PDM, porque não tem estratégia.

E, neste processo, o mais triste, é que fomentam-se discussões marginais, apenas para alimentar as guerrilhas partidárias. Não se discute. Baralha-se os dados e são esses os dados que estão lançados.
Quando me perguntam se a Quinta do Braamcamp vai ser vendida. A minha resposta é sim, vai ser vendida. A correlação de forças ideológica, actualmente maioritária na autarquia é favorável à viabilização do processo imobiliário, e, pasme-se, até se defende com o previsto no PDM, tanto criticado.
Tudo indica que o PS e o PSD estão de pedra e cal neste processo.
O PSD ainda vai falando da necessidade de existir um estudo urbanístico que ligue à envolvente, e, trouxe para a agenda a construção do Pavilhão para a Escola Alfredo da Silva. Uma ideia já conhecida e falada no âmbito do REPARA.
Depois, no plano do discurso da cidade coloca-se quem está contra esta linha de estratégia de expansão urbana, como os aziados, os comunistas, gerando estigmas e caldo para conflitos, não para a reflexão ou pensar cidade.

Porque, de facto, não há projecto de cidade, não há uma ideia central estruturante para um modelo de cidade.
Não há uma visão para as zonas ribeirinhas, da Quinta de Braamcamp até ao Coina, com a ligação ao Seixal, por isso, optou-se por afastar o Barreiro da estratégia da AML de implementação de 10.000 km de redes cicláveis e pedonais até 2030, como referiu o Secretário de Estado, um destes dias, ali no POLIS.

O mau PDM de 1994, afinal serve para justificar o processo imobiliário da Quinta do Braamcamp. Afinal os maus comunistas, agora, até são bons. Foram eles, mesmo com muros ideológicos que compraram a Quinta, e como não fizeram a revisão do PDM, deixaram em aberto todas as condições para o privatizável.

Mas, de facto, sente-se na cidade, que estamos perante a possibilidade da emergência de um novo movimento cívico, que contribua para abrir brechas para que se faça um debate, que vá para além dos partidos, que sendo importantes, não são os donos da cidade, e, tal como nos anos 90, no processo da ETRI, os cidadãos de todas as cores politicas saíram à rua para dizer não à ETRI, hoje, que se saia à rua para que se defina, objectivamente, o que se quer das zonas ribeirinhas e como enquadra-las no conceito de cidade.
Que se abra um amplo processo de reflexão sobre e a cidade, sem estigmas, sem querer marginalizar ninguém, por razões ideológicas.
Foi assim nos anos 90. Pequenas conversas, pequenos encontros, juntar pessoas e vontades acima dos partidos, gerar plataformas de debate, nichos de discussão, conversas de café.
O tema central não é, não deve ser a venda da Quinta do Braamcamp, esse pode ser o leit motiv, o tema central é a revisão do PDM, a estratégia para o concelho.
Mesmo que o processo imobiliário seja concretizado, quando da aprovação da revisão do PDM, que só vai, de certeza, acontecer após as próximas eleições autárquicas, tudo pode ser repensado e renegociado.
O eleitorado tem nas mãos a decisão de votar, mas votar esclarecido. Votar em quem apontar estratégias. Foi isso que aconteceu no passado.
São os barreirenses quem vai decidir, queiram ou não, e, de facto, a decisão que tomarem será o Barreiro onde querem viver.
Os cidadãos são, têm que ser, cada vez mais o motor de transformação da cidade, uma cidade sem cidadania activa é uma cidade moribunda.

Os cidadãos devem exigir aos políticos que sejam os impulsionadores de uma estratégia de cidade e que apontem um modelo de futuro para o seu desenvolvimento. Isto irá esclarecer sobre as opções – ou um concelho que se desenvolve com base na continua expansão urbanística, ou um concelho que se revitaliza, promove centralidades, sítios para viver – um concelho feito de sítios com cidadania, um concelho com os olhos no Tejo, no Coina e na Mata a Machada.
Esta é a questão central, o resto, resolve-se pelas opções de cidade assumidas.

Digam-nos qual o modelo de desenvolvimento da cidade.

Mas, pelos vistos, parece de facto, que, tal como nos anos 90, aqui e agora, só uma grande mobilização dos cidadãos, acima dos partidos, pode ser o contributo para que se pense, discuta e avance um projecto de cidade e se defina um pensamento estratégico para o território do concelho do Barreiro.
Considero que as decisões que venham a ser tomadas sobre o dossier Quinta do Braamcamp, ficará como a marca e a definição do paradigma de cidade que vai marcar as próximas décadas, neste século XXI.

Pelo que vi na Quinta do Braamcamp, famílias a conversar e pessoas de diferentes opções, conversando nas suas diferenças, com respeito, como se fosse uma espécie de «plataforma 2835» de «cidadania activa», acho que os políticos, mais uma vez, devem estar atentos e, atempadamente, sentir o pulsar da cidade.

Os partidos costumam cometer erros fatais – um quando querem reduzir os cidadãos ao seu modelo de pensar; então, afastam as pessoas da cidadania; outro quando querem controlar os movimentos de acção civica, silenciam a cidade, e, o mais grave é quando acham que uma cidade se resume às guerrilhas partidárias.
Pode estar a nascer no Barreiro um sentimento de cansaço dos partidos e, isso, na verdade, não ajuda a democracia, nem valoriza a cidadania. É que há mais cidade para além dos mundos partidários.

Não desvalorizem os pequenos nadas, porque a vida é feita de pequenos nadas, e, de facto, isso dos aziados, acho que já se fez a catarse. Freud, explica isso!

António Sousa Pereira

02.04.2019 - 21:00
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nome: aliette martins
comentario: Sousa Pereira, forte abraço.Excelente exposição. Poucos faria melhor.

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