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A(nota)mentos - Barreiro
Nas actuais circunstancias a quem interessa o crime?

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Nas actuais circunstancias a quem interessa o crime?<br>
O vandalizar um outdoor é assim, na vida politica da cidade, como criar uma espécie de «fake news» gerada por um «Perfil falso».
Ninguém sabe quem foi o autor. Apenas toda a gente sabe quem foi a vitima.

E, neste caso, a vitima é nem mais nem menos a força politica que tem nas mãos a decisão de muitos projectos em curso no concelho do Barreiro.

Hoje, verifiquei que o outdoor do PSD – Partido Social Democrata instalado há meses na Praça da Paz, junto ao Forum Barreiro, foi vandalizado.
A primeira pergunta que coloquei a mim mesmo foi: Nas actuais circunstancias a quem interessa o crime?

Em tempos mais quentes da vida politica, pré-eleitorais ou eleitorais, faz parte da memória, que sempre foi registado, quer no Barreiro, quer noutros concelhos por todo o país, a prática de vandalizar a propaganda politica, à esquerda e à direita. É uma realidade emergente de um país que, ainda nos dias de hoje, continua a aprender que a democracia não é uma ideologia, mas sim, isso sim, um confronto de ideologias, correntes de pensamento sobre a vida e a polis.


Ao olhar o outdoor do PSD vandalizado, foram muitas as perguntas que me ocorreram, por diversas razões, por diversas circunstancias.

- Nestas circunstancias a quem interessa o crime?
- Porque só agora este acto de vandalismo?
- Ou, porquê o recomeçar destes actos de vandalismo que se viveram na campanha eleitoral?
- Quer se, com este acto de vandalismo, por quem contra quem?
- Qual o bode expiatório que é apontado sempre, no Barreiro, quando acontecem estes actos de vandalismo?
- Porque se pretende nesta fase da vida politica local, agredir o PSD numa tentativa pequenina de o fragilizar?

Digo, que não fiquei admirado que isto acontecesse, acho natural, e, até era de esperar, quer pela forma como decorreu, no Barreiro, a última campanha eleitoral autárquica, quer pelo facto de desde então, aqui e agora, vivermos num clima de permanente confronto politico, acima de tudo, com os olhos colocados nas próximas eleições autárquicas.
É isso, de facto, e apenas isso, que marca o clima da vida política local.
A vandalização de um outdoor faz parte desse clima de maus e bons, alimentado de forma permanente nas redes sociais, onde, hoje, muitos, infelizmente, acham que se vive a participação e a cidadania.

E, digo-vos, até, não fiquei admirado por uma razão politica central, saber que, nos dias de hoje, no concelho do Barreiro, o PSD é o partido charneira e pelas suas posições passam muitas decisões da vida autárquica.
O PSD de certa forma tem sido a força politica que lidera, ou condiciona, sem liderar, as opções politicas da vida autárquica. O voto do PSD é decisivo para tudo, para viabilizar as opções, nem que seja pela abstenção.
O PS precisa do PSD, não age sem a vontade do PSD, porque o PS, juntou-se ao PSD, para declarar, desde a primeira hora guerrilha à CDU.

Por isso ataque ao PSD, ou fazer do PSD uma vitima, é sopa no mel, para tentar «esvaziar» este partido retirando-lhe alguma força politica que tem, na vida da “politica real” ao nível local, mas que não tem ao nível do tecido eleitoral, isso, meramente por razões históricas, e, enquanto o bloco central na Península de Setúbal for formado pelo bloco CDU/PS.

O vandalismo do outdoor do PSD não é mais que o emergir do “caldo cultural” e “visão politica do mundo a preto e branco” que, nas redes sociais, marcou as últimas eleições autárquicas, e, na verdade, tem sido uma constante na vida politica local, visando intencionalidades politicas, nomeadamente «desconstruir» modelos de participação e «desmontar» redes de cidadania e de identidade, transferindo para o mundo virtual, das redes sociais, o pseudo debate de ideias, onde, afinal a discussão politica se reduz ao confronto e agressão.

O vandalizar um outdoor é assim, na vida politica da cidade, como criar uma espécie de «fake news» gerada por um «Perfil falso».
Ninguém sabe quem foi o autor. Apenas toda a gente sabe quem foi a vitima.
E, neste caso, a vitima é nem mais nem menos a força politica que tem nas mãos a decisão de muitos projectos em curso no concelho do Barreiro.
Por isso, repito a pergunta: a quem interessa nestas circunstancias este crime?

António Sousa Pereira

11.04.2019 - 16:12

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