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Por dentro dos dias – Barreiro
Do navegar é preciso…ao sobreviver é preciso!

Por dentro dos dias – Barreiro<br>
Do navegar é preciso…ao sobreviver é preciso! É um saber das teorias de comunicação, de longa data, vivida por muitos ismos, que vale mais uma imagem que cem palavras. É por isso que, em toda a história da humanidade, há rostos apagados.

Nasci num tempo muito diferente dos dias de hoje, não tenho saudosismo, até, pelo contrário, por vezes, tenho pena de não ter tempo de vida para assistir a tanta coisa que o futuro anuncia, todos os dias.
Nasci num tempo que ficávamos à porta de casa, à noite, sentados para conversar e conviver. A minha rua era uma rede social com todas as casas de portas abertas. A rua era uma família de sentimentos.

Um destes dias, alguém escrevia, que as mudanças que estamos a viver são impressionantes, uma verdadeira revolução comunicacional. As redes sociais são, hoje, ruas onde navegamos e perdemos o sentido do viver, olhos nos olhos.

Todos, afinal, sabemos como isto está a começar, mas não sabemos como isto vai acabar, um mundo onde somos seres virtuais. Um mundo de canibalismo intelectual e emocional.
Um mundo onde predominam as mais diferentes teorias em simultâneo. Um mundo onde se reinventa a vida e reinventam verdades e falsidades.

Um mundo de «teorias de conspiração», que geram inimigos comuns, que matam mensageiros, que deturpam rostos.
Um mundo de «teorias de provocação» que criam situações, valorizam contextos, jogam com meias verdades, incentivam ódios, provocam com subtileza, para depois se os visados reagem, mudam de pele e transformam-se em vitimas. Provocam até ao limite do perder a paciência, repetem mentiras e falsidades, com o objectivo único, esse de estimular a reacção negativa do alvo. São questões pessoais, são questões politicas, são negócios. As redes sociais são uma catadupa de sentimentos à flor da pele. Ódios e vaidades. É nesse espaço que se faz ou quer fazer politica e gerir a imagem da polis.

Por exemplo, os criativos desenvolvem «teorias do ridículo» procurando desviar o debates de ideias que nascem com alguma seriedade, para um nível de discussão que seja preenchido pelo vazios de ideias. Chacota. Forjam-se pseudo contextos, feitos de mitos e fantasmas, para fazer convergir o pensar para a plena baixeza de sentimentos. A finalidade é gerar um vazio de opiniões, ridicularizando, com sarcasmo, gerando correntes de opiniões, afinal, forjadas sobre não opiniões.

A ética é uma batata. Essa só se aplica ao mundo do jornalismo. Mas, depois, quando os ditos criativos se colocam no lado, dito, sério de cidadãos, tornam-se em seres “puros e nobres”. É nesse patamar, de nobreza cidadã que erguem a bandeira da ética, não pelos valores da ética, mas, de novo, para abrir uma nova frente de conflitualidade, agora, pretendem transportar o debate de ideias para o «lodo das emoções», atingindo o populismo.
Banaliza-se de novo o debate de ideias, com floreados e retórica, e, nesse ridículo das palavras, ficam tão envolvidos no seu narcisismo de pureza, que nem conseguem conter as lágrimas, “autênticas", como diria Fernando Pessoa.

Tudo muito subtil e puro, com técnicas de apagar o sentido da vida e dar outro sentido aos acontecimentos reais, colocando sempre na mira de todos os factos - o inimigo comum. Pode ser o mensageiro. Pode ser o adversário politico, aquele que mais se teme, porque é o único que pode fazer frente. É terrível esse receio da história.

Na verdade, só se ataca aquilo que se teme. E, a vida diz, que só se ataca cobardemente aquilo que se teme, quando não se tem certezas, e, por baixo dos pés está areia, ou por debaixo das ideias, está, apenas e só, a luta pela sobrevivência.
O drama do sobreviver conduz ao valorizar o instinto animalesco, por essa razão, o caminho do fazer é sempre esse de promoção do acessório, do misturar tácticas e estratégias, só existe um valor a estimular - a imagem.
É um saber das teorias de comunicação, de longa data, vivida por muitos ismos, que vale mais uma imagem que cem palavras. É por isso que, em toda a história da humanidade, há rostos apagados. Queimados. Crucificados.

A hora é pois de cultivar a imagem, gerar perfis falsos, desenvolver discursos falsos, dinamizar narrativas falsas. Não faz mal que isso vá gerando ódios, conflitos, o importante é que tudo isso seja importante para manter o status.
Não interessa o ser, porque, de facto, o importante é parecer – quem parece é!
Depois sofrem, no silêncio, bebem, gerem a dor da consciência, porque perderam o sentido do sonho, e, até, o amor à liberdade, até, do viver a politica como uma causa nobre e de confronto ideológico. Estão prisioneiros de estigmas e das malhas que “o império tece”.
Do navegar é preciso…optam, todos os dias, pelo mais fácil - sobreviver é preciso.
É vida. Uma Páscoa Feliz!

António Sousa Pereira

19.04.2019 - 19:38

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