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Por dentro dos Dias - Barreiro
Deixa-me sentir Abril no meu coração!

Por dentro dos Dias - Barreiro <br />
Deixa-me sentir Abril no meu coração!Sabes, neste tempo vivido aprendi que a minha Liberdade, não acaba onde começa a tua Liberdade. Porque a minha Liberdade não pode acabar porque começa outra qualquer Liberdade.

Há os que gostam de comemorar o 25 de Abril.
Outros gostam de celebrar o 25 de Novembro.
Acredito que também há aqueles que preferiam festejar o 11 de Março.
Como outros optariam por celebrar o 28 de Setembro.
No meio destas datas, quantos e quantas terão datas na memória para recordar, umas com alegria, outras com tristeza. A norte e a sul. Tantas datas de um tempo feito de tantas mudanças, na derrocada de uma cultura de silêncio. Um tempo feito de sonhos e ilusões, num mundo, marcado por dois mundos, no próprio mundo.

E, neste tempo que vivemos, assim como ontem, também há os que gostam de festejar o 16 de Março, outros o 28 de Maio.
As datas são as marcas de um tempo inscrito no tempo que vivemos.
Cá por mim, enquanto for permitido, continuarei a festejar e recordar essa data única – limpa – o 25 de Abril.
É isso que prefiro, guardar, sentir, reviver e manter vivas todas as recordações, lutas e combates que floriram nesse momento único, de cânticos escritos com a palavra Amor.
Amor a Portugal!
Amor à Liberdade!
É esta data que festejo, celebro e canto, depois, para trás e para a frente, cada um que festeje o que entender e lhe faça bem ao seu ser e estar no mundo.
Cada qual guarda no coração aquilo que tem escrito no seu sangue.
Já vivi tanta coisa, já vi tanta coisa, que enquanto for vivo, basta-me festejar o 25 de Abril, dar o meu contributo para que essa efeméride passe como um testemunho para gerações futuras escrita com duas palavras – Liberdade e Democracia. Esta é a força, a energia, o sentir nascido, na canção – “o povo é quem mais ordena, dentro de ti ó cidade!”.
Porque a Liberdade é o sangue da Democracia.
É isto que eu celebro sempre que celebro Abril.

Sabes, neste tempo vivido aprendi que a minha Liberdade, não acaba onde começa a tua Liberdade. Porque a minha Liberdade não pode acabar porque começa outra qualquer Liberdade.
Senti na pele, antes e depois do 25 de Abril, o que é a minha Liberdade acabar onde começava a de outro, que me impunha a sua Liberdade!
Sabes, sou daqueles que acredita que a minha Liberdade começa, onde começa a tua Liberdade. A minha Liberdade não termina em ti, em ti começa a minha Liberdade. Só tenho Liberdade se tu também tiveres Liberdade.

É por isso, só por isso que a minha Liberdade se escreve 25 de Abril, esse dia de Primavera a florir, o dia que foi semeada a palavra Liberdade.
A Liberdade é Amor. A Liberdade é esperança. A Liberdade é paixão.
E, digo-te, no mundo de hoje, cada vez mais marcado pela intolerância, pelo populismo, pelo fanatismo, cada vez sinto mais importante erguer o cravo de Abril, contro o ódio, contra a intolerância, contra os ditos «novos democratas», que acham que eles são a pureza da democracia, e, batem com a mão no peito, orando ao Deus do Amor e, no quotidiano, cultivam o racismo, xenofobia, misogenismo, valorizando um pensamento único, sem respeito pelas diferenças e o direito de opinião.
É, isso, por vezes querem fazer aos outros aquilo que criticaram durante anos, que diziam que lhes faziam. Depois queixem-se de nascerem extremismos.
Há cada vez mais, um novo ismo, feito de purismo, que tende para o “voxismo”. É Democracia.

É por tudo isto, digo e repito, que festejo Abril – o 25 de Abril – o antes e o depois, que não esqueço e onde aprendi tanta coisa, tanta coisa, de tanta gente, por isso, esse antes e depois, deixo para os que gostam de festejar passado.
Eu quero festejar em cada presente, o 25 de Abril com futuro. Só assim festejo a Liberdade e a Democracia.
Olha, até podia, apenas festejar, aqui e agora, o dia 2 de Abril. Afinal é, ainda, o garante dos sonhos e esperanças do 25 de Abril.

Repito, quero festejar, sempre, em cada Abril, um Abril de futuro, o Abril que se escreve LIBERDADE e DEMOCRACIA.
Este é o legado que recebi do 25 de Abril. Tudo o resto, é o resto, e, digo-te, há tanto ainda por saber…talvez um dia, talvez um dia.

Quero que as crianças e jovens de hoje, os meus filhos, aprendam que o 25 de Abril abriu os caminhos ao meu país de reencontro consigo mesmo, que, um dia, depois de um dia ter partido a desbravar o mundo, de novo, agora, com o 25 de Abril, como referência histórica, voltou a ser o cantinho Lusitano, esse lugar, onde foi cultivada uma das línguas mais faladas no mundo.
Gosto do meu Portugal que está prestes a celebrar 900 anos de história.
Olha, se eu não estiver cá e tu festejares essa efeméride em 2043, nesse ano lança por mim um cravo ao Tejo, se, então, ainda te for permitido. Dá, às Tágides, por mim, um beijo de Liberdade!

Quero que as crianças e jovens de hoje, os meus filhos, aprendam que o 25 de Abril abriu os caminhos ao mais belo que existe na humanidade, essa energia que permite criar, crescer, sonhar – a Liberdade. E sem Liberdade, que permite as diferenças, não há democracia.
Por isso festejo o 25 de Abril que abriu as portas à Liberdade.
Não confundas o resto. Porque se confundires o resto, tens que ver e pensar, tudo, mesmo tudo, de todos, no antes e depois do 25 de Abril. Não sejas reducionista. A história não se limita a uma data.
Mas, cá por mim há uma data que é história – 25 de Abril, será, hoje e sempre, um marco para Portugal. Pensa apenas, por exemplo, no seu território, a história de Portugal antes e depois do 25 de Abril.
E, pensa, esta data como o encerrar de um capítulo da história da humanidade, do sentir a europeização.
E, por fim, coloca esse cravo de Abril no teu coração e sente como és mais homem, mais humano, mais senhor de ti mesmo, se escutares a voz da Liberdade, a pulsar no teu corpo e a florir nos teus neurónios.
Nunca esqueças, a Liberdade é essa flor que é preciso regar todos os dias, para que floresça em todas as Primaveras, permitindo que exista democracia como a corrente de um rio, aí, onde navegam todas as ideologias.

Um abraço para ti. Festeja a data que entenderes. És livre.
Deixa-me, a mim, festejar Abril e sentir Abril no meu coração!

António Sousa Pereira

29.04.2019 - 13:11

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