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Barreiro – Por dentro dos dias
Criação do «Observatório Pensar o Associativismo no Barreiro»

Barreiro – Por dentro dos dias<br />
Criação do «Observatório Pensar o Associativismo no Barreiro»Este «Observatório», na verdade, não tem objectivos de outra natureza qualquer – ideológicos, politicos, de organizção formal, visa apenas, e só, proporcionar uma abordagem regular de temas numa visão “académica”, que possa desenvolver “contributos subsidiários”, que através do diálogo, aproxime experiências da vida real à reflexão teórica.

O associativismo no Barreiro, certamente, como em outros lugares do nosso país, são os espaços onde, se juntam vontades, para dinamizar actividade, dar vida à comunidade, promover a cidadania e fazer cidade.
No Barreiro, nasceram as primeiras associações em plena Monarquia Constitucional e em torno do desenvolvimento ferroviário da vila, ou do crescimento da actividade agrícola.
No sáculo XIX, de facto, o movimento associativo é indissociável do desenvolvimento económico e cultural da comunidade. Uma vila com vida própria, que tinha no seu movimento associativo uma dimensão de “fazer cultura”, “fazer identidade”.
Um concelho com lugares com vida própria, onde, igualmente, as comunidades se identificavam com as dinâmicas associativas dos “sítios”, fosse no Alto da Paiva, Alto do Seixalinho, Lavradio, Quinta da Lomba, Palhais, Coina, Penalva ou Santo António da Charneca.

No século XX, com súbito crescimento urbano e aumento demográfico, uma nova “corrente associativa”, foi crescendo, ora na Cidade Sol, ora na Vila Chã, ora na Verderena, estes eram pontos de encontro, portas de inclusão, por onde se integravam na “cultura da comunidade”, muitos que viviam nesta margem e trabalhavam em Lisboa, A vertente dormitório que recusava ser dormitório.
Os JJB deram, também, um impulso a surgimento e muitas associações, algumas ainda hoje existem, muitas ficaram pelo caminho.

Do Barreiro com milhares de postos de trabalho, desde o sector ferroviário, passando pelo sector quimico, têxtil, marítimo, metalomecânico, que, naturalmente, impulsionava um comércio pujante, com lojas pioneiras – as cooperativas de consumo introduziram, com origem nos modelos suecos, os minimercados.
Era este Barreiro, com uma economia local sustentável que proporcionava uma intensa dinâmica associativa, que fazia da vila operária, o alfobre de criação de futebolistas que eram referência nos grandes nacionais – Benfica, Sporting ou Belenenses.
Era este Barreiro, com uma economia local pujante, que se divida entre uma vila com vida própria que sentia que “nem só de pão vive o homem”, e, por essa razão, era vila criativa, no teatro, na música, nas artes, no desporto.

O associativismo era o ponto de encontro de famílias, do fazer comunidade, da valorização do ser humano, de promoção cultural, de educação civica de encontro de gerações e interclassista.
O associativismo era um espaço de Liberdade e de sonho, onde se aspirava à construção de um mundo melhor, numa vila-cidade, que era, sem dúvida, uma terra de trabalho, da resistência, uma referência para o país. Afinal, era tudo nisso que germinava – “o tal orgulho de ser barreirense”.

Ao longo dos anos sempre ouvi falar em crise do associativismo. Cada época com o seu modelo de crise, fruto de circunstâncias, e mudanças de hábitos.
Por exemplo, se houve um tempo que a televisão foi importante para a vida associativa, dado que as famílias, juntavam-se nas associações para ver o novo m mundo nascer. Era rara a possibilidade financeira para ter televisão em casa. Esse foi um tempo.
Porque, quando nasceram as televisões privadas – SIC e TVI, aconteceu o inverso todas a gente tinha televisão em casa, e, de repente os espaços das associações – cafés pontos de encontro – transformaram-se, muitos deles, em lugares vazios.

Pensar o associativismo, é, naturalmente pensar a cidade, a sua evolução e as formas de sociabilidade e de relações culturais e sociais que contribuem para fazer cidade e cidadania.
Nos tempos de hoje, muitos de nós sentimos, como se está a perder o hábito de conversar, olhos nos olhos, e, igualmente, a perder-se a importância da vida associativa como espaços de fazer cidadania, promover o debate de ideias, construir e fazer a democracia.

Vem tudo isto a propósito de uma conversa, ontem, com dois associativistas, com quem partilhei experiências, vivemos contextos e, sentimos, como fazer e viver associativismo, faz-nos sentir a vida por dentro do coração.
O associativismo é uma forma se sentir mos o pulsar do tempo que vivemos.
Conversámos. Recordámos. Falámos dos tempos de hoje, e, de algumas preocupações, nomeadamente o vazio de debate de ideias, a falta de diálogo, a necessidade de pensar o associativismo e o seu papel no fazer Barreiro.
Isto, levou-nos a concluir que não basta avaliar as situações, é preciso debater e procurar abrir caminhos de futuro.
A nossa vontade resume-se, de alguma forma, no tentar juntar algumas vontades e, pouco a pouco, dinamizarmos um “grupo de reflexão”, que, de forma periódica converse, discute nas diferenças e abra portas para que o associativismo, nas suas diferenças histórias e epocais, na sua realidade Intergeracional e inter classes, seja uma dinâmica estruturante no dinamizar, construir, fazer cidade e viver cidadania.

Assim, nós os três – Alfredo Gonçalves, Artur Martins e António Sousa Pereira – assumimos a criação do «Observatório Pensar o Associativismo no Barreiro». Vamos alargar o Grupo de Reflexão a outros convidados.
Entretanto, Álvaro Cidrais, um homem preocupado a questões de cidadania e relações colaborativas, aceitou integrar este núcleo. Já somos quatro.
De sublinhar que este «Observatório», na verdade, não tem objectivos de outra natureza qualquer – ideológicos, politicos, de organizção formal, visa apenas, e só, proporcionar uma abordagem regular de temas numa visão “académica”, que possa desenvolver “contributos subsidiários”, que através do diálogo, aproxime experiências da vida real à reflexão teórica.
Em suma, pensar o associativismo, querendo com esta reflexão, igualmente, pensar Barreiro. Viver a polis, sentir a polis.

Marcámos um novo encontro para Junho. A ideia é conversar. E, depois, veremos qual o contributo deste «Observatório Pensar o Associativismo no Barreiro», no fomentar um debate e lançamento de temas que possam contribuir para dar ao associativismo uma dimensão de vivência activa no fazer cidade.

António Sousa Pereira

16.05.2019 - 17:39

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