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Todo o associativismo é presente

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Todo o associativismo é presenteNos dias de hoje, é, cada vez mais, importante que o associativismo se afirme, todo ele, como «pontos de encontro» - de criatividade, de fazer democracia, de solidariedade, de Liberdade e de humanismo.
Será que este é o tempo de construir e desconstruir, de opor o velho ao novo?

Hoje, visitei no «Espaço Memória», a exposição com o tema – «Associativismo no Barreiro – os lugares, os factos e as pessoas», num primeiro olhar, acho que, globalmente, esta exposição é um contributo subsidiário para abrir o debate sobre o território e o associativismo.
Dialogar sobre a sua estrutura, sobre o seu conteúdo pode, portanto, tornar-se o «leit motiv», para uma reflexão sobre o Barreiro e o associativismo.
Portanto, com base nesta nota de abertura, posso salientar que gostei da exposição como um «projecto», que permite abrir caminhos, dar uma visão, e, colocar o «associativismo» na agenda do “fazer a polis”.

Considero esta exposição uma oportunidade, quer no plano sociológico, quer no plano politico, para que a cidade pense a sua cidadania.
Por estas razões, considero esta exposição uma iniciativa positiva, se, de facto, em torno dela formos capazes de gerar um amplo debate de ideias, tornando-a um elemento dinâmico e gerador de pensamento, de e sobre associativismo.

No mundo de hoje, onde se pugna pelo «fait divers», pela valorização da imagem, pelo consumo rápido, manter uma exposição visitável, até ao final do ano, é, sem dúvida, um evento importante que pode e deve contribuir para valorizar o debate de ideias e promover a reflexão sobre a vida do concelho e o papel do associativismo no «fazer cidade» e no «fazer cidadania».
Esta exposição sobre associativismo, é, sem dúvida, ela mesma, portadora de um conteúdo que abre perspectivas de reflexão e coloca abordagens diferenciadas sobre o pensar e fazer associativismo.

Aqui ficam algumas primeiras notas de reflexão que emergiram no decorrer da visita – as minhas percepções.
A primeira percepção, foi em torno do facto de serem destacadas no núcleo central da exposição, um conjunto de associações classificadas de «presente», e, talvez, consideradas como uma nova dimensão do fazer associativismo.
Só este assunto dá pano para mangas, até porque, há novas associações que ali não estão referenciadas. dou exemplos – EstbarrTuna, ou Miorita, ou «Escola Conde Ferreira – enquanto espaço interassociativo, ou a Cooperativa Mula, ou mesmo, algumas associações um pouco mais velhas mas são exemplo de «um novo fazer associativismo», como é o caso da Clinica Frater, ou a Camerata do Barreiro, até mesmo a Arte Viva, e , porque não a «nova» Cooperativa Cultural Popular Barreirense.

A segunda percepção, foi em torno da cronologia histórica, com a valorização de alguns factos e o esquecimento de outros, como, por exemplo evocar vitória do FC Barreirense ao Benfica, e, esquecer a vitória europeia da CUF ao Milão.
Ou, ainda, não serem referenciados, momentos históricos de presença de atletas do Barreiro nos Jogos Olimpicos, desde a Halterofilia do Luso, ou vela do Clube de Vela, e, remo da CUF.
Mesmo, de nomes destacados ao nível internacional no Xadrez, ou prémios de âmbito nacional no Teatro, caso do TEB – 22 de Novembro. E, mais, e mais…

A terceira percepção, o excesso de «eus da vida associativa, com uma híper valorização dos agraciados com a distinção do «Barreiro Reconhecido», na área do associativismo.
Por vezes, em conversas com o anterior presidente da Câmara, Carlos Humberto, costumava tecer criticas sobre o excesso do «nós» na vida cultural e associativa, esquecendo-se, por vezes, o papel do individuo na história. O autarca replicava, sempre, que o «nós» é «um eu, mais outro eu…».
Neste caso, nesta exposição o excesso de «eus» sobrepõe-se à ausência de «nós». Não existe uma breve nota sobre a história de algumas associações de referência, por exemplo as centenárias. As associações todas, ou quase todas, ficam reduzidas a galhardetes e a um ponto no mapa, as únicas com dados históricos, são as integradas no dito espaço que foca o «Presente».
E, já agora, salientar que, há mais, muito mais «eus» na vida associativa que esses que, em tal, ou tal momento, foram «reconhecidos» pela sua acção.

A quarta percepção, ali, de facto, parece que há um associativismo vivo, com actividade e dinâmica, esse é o dito como o associativismo do «presente» ou o «novo», e, há o outro associativismo, esse, talvez, considerado o do «passado», que fica registado com um galhardete e um ponto de referenciação no território.
Como considero que todo o associativismo é presente, porque todo o associativismo faz o presente do concelho, aquela distinção entre o «novo associativismo» e o «velho associativismo», fez-me algum incómodo, até porque, algum desse dito novo, existe, fazendo do velho «barriga de aluguer».

A quinta percepção, senti falta da valorização das práticas associativas, porque essas é que dão dimensão ao fazer associativismo.
Sei que há muitas práticas, mas dar uma visão de casos exemplares – a cidade do xadrez; a capital do basquetebol; os desportos náuticos; o futebol, O teatro, a música – do jazz ao clássico, dos corais ao experimental.
Exemplos que permitiam perceber como pelo fazer associativismo há mais vida no concelho, muito mais, que aquela que se projecta pelas redes sociais.

Outras notas registei após a visita à exposição, porque, na verdade, uma exposição é um livro aberto de ideias e pensamentos.
Uma exposição é uma interpretação histórica, sociológica, politica, filosófica, e, nela está contida, directa, ou indirectamente, uma visão da cidade e do fazer cidadania.
É, de facto, por isso que considero positiva esta exposição, porque pode dar um contributo essencial, para promover o debate de ideias sobre a importância estratégica do associativismo no fazer futuro – o velho e o novo associativismo. Pois.

A exposição vai estar patente ao público no «Espaço Memória», e pode ser visitada até ao próximo dia 31 de dezembro de 2019.
Considero que esta exposição pode ser um elemento central de debate – pensar associativismo/ pensar Barreiro.
Afinal o futuro constrói-se sempre a partir da desconstrução do passado.

Nos dias de hoje, é, cada vez mais, importante que o associativismo se afirme, todo ele, como «pontos de encontro» - de criatividade, de fazer democracia, de solidariedade, de Liberdade e de humanismo.
Será que este é o tempo de construir e desconstruir, de opor o velho ao novo?

António Sousa Pereira

21.05.2019 - 21:45

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