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Barreiro - Por dentro dos dias
Quinta Braamcamp – a nossa «Ribeira das Naus»

Barreiro - Por dentro dos dias<br />
Quinta Braamcamp – a nossa «Ribeira das Naus»<br />
Olho em volta, e dou comigo a imaginar que, ali, mesmo ao lado, naquela caldeira que faz parte da Quinta de Braamcamp, está a nossa «Ribeira das Naus», dando continuidade de forma integrada à «Praça do Tejo».

Naquela caldeira podia ser criada uma «Pista de Formação» de remo e actividades náuticas.

Tempo de recomeçar. Um novo ano pela frente. A vida começa a agitar-se. Gosto sempre deste reencontro com as ruas da cidade, após uns tempos de ausência.
Encontrei um amigo que comentou, alguns artigos que publiquei recentemente. Gostei, disse ele – “bons artigos, continua”.
Dei um volta pelo centro da cidade. Sentei-me a tomar café, ali, junto ao Parque Catarina Eufémia.
Fui mergulhar os olhos no Tejo. Ali, naquele espaço da Quinta de Braamcamp, que, considero pode tornar-se a mais bela «Praça» do estuário. O Terreiro do Paço, da Margem Sul.
Olho em volta, e dou comigo a imaginar que, ali, mesmo ao lado, naquela caldeira que faz parte da Quinta de Braamcamp, está a nossa «Ribeira das Naus», dando continuidade de forma integrada à «Praça do Tejo».

Enquanto me delicio a imaginar e sonhar com um arranjo urbanístico e paisagístico que ligue a «Praça do Tejo» à «caldeira», numa continuidade da Avenida da Praia e ligada ao Passeio Ribeirinho Augusto Cabrita. Olho para a outra margem e recordo a forma como, ao longo das últimas décadas, a Câmara Municipal de Lisboa, tudo tem feito para ligar a cidade ao Tejo. Aquela zona da Ribeira das Naus é um exemplo. E, nós, hoje, graças a decisões do anterior executivo municipal, aprovadas por unanimidade, estamos a dois passos do futuro, porque aquela caldeira é municipal, não se justificando a sua venda a privados, para, depois, num qualquer ‘caderno de encargos’ definir as formas de fruição pela comunidade.

Achei maravilhoso pensar o enquadramento urbano da caldeira, com o espaço envolvente da Escola Alfredo da Silva e da Igreja da Nª Srª do Rosário. Está ali, sem dúvida, a nossa Ribeira das Naus.
Ao olhar aquele espaço recordei, quando no ano de 2016, no âmbito das Jornadas Parlamentares do Partido Socialista, num tempo que a Câmara Municipal do Barreiro era liderada pela CDU, os dirigentes do Clube Naval Barreirense divulgaram aos deputados socialistas como naquela caldeira podia ser criada uma «Pista de Formação», que abria portas para ali serem realizadas provas ao nível nacional. Era possível realizar naquele espaço a Taça nacional de remo, foi dito.

Esta pista de formação podia evitar a regular deslocação dos atletas do Clube Naval Barreirense, para treinos, para a Freguesia do Torrão, no concelho de Alcácer do Sal
O Clube Naval Barreirense tinha um projecto de construção da pista de formação, com o apoio de um privado, para o qual já existia uma memória descritiva, visando a recuperação do plano de água e, saliente- se, na altura nem se fazia ideia que a Câmara Municipal do Barreiro ia adquirir a Quinta Braamcamp.
Este projecto de criação de uma «Pista de Formação» de actividades náuticas, segundo foi revelado contava com o “apoio verbal” do Clube de Vela do Barreiro, dos Ferroviários e do Fabril.
Este foi um assunto debatido com os deputados socialistas, porque era uma mais valia para o concelho do Barreiro e para a AML.
Recorde-se que as condições de formação actuais “são condicionadas pelas marés” e a criação da Pista de Formação na Caldeira iria criar condições de treino com muitas vantagens, não só para o remo, mas também para a vela, canoagem ou kitsurf.

Olhava aquele espaço e recordava estas Jornadas Socialistas, as propostas do Clube Naval Barreirense, a existência de investidores privados, num tempo que a Caldeira não era propriedade municipal. Hoje está meio caminho andado.
Porque não se reabre este dossier? Porque tem que ser vendida a caldeira? A nossa «Ribeira das Naus», real, linda, com ligação ao Tejo.
Um cidade que conta com a existência de clubes que desenvolvem actividades náuticas, com campeões nacionais, europeus, mundiais e olimpicos. Uma cidade que tem um Agrupamento de Escuteiros Maritimos, tem ali, naquela caldeira o seu verdadeiro potencial de afirmação como cidade de desportos náuticos.
Esta, até, podia ser uma vertente educacional, inovadora e de dimensão metropolitana a dinamizar na, e pela, Escola Alfredo da Silva.
Uma cidade que tem nas suas mãos este enorme potencial, agora opta por vender,e, com a venda irá definir com o privado definir as regras de utilização. É isto que não consigo perceber, numa cidade que tem o desporto no seu coração.
Era isto que pensava, hoje, pela manhã, ao dar a minha primeira volta junto ao Tejo, junto ao nosso Terreiro do Paço e nossa Ribeira das Naus.
Até já, divirtam-se!

António Sousa Pereira

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03.09.2019 - 23:48

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