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Barreiro – Paços do Concelho o epicentro da vida politica local

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Barreiro – Paços do Concelho o epicentro da vida politica localAs reuniões públicas de Câmara esvaziam politicamente a Assembleia Municipal. Todo o debate politico centra-se nos Paços do Concelho.

Não há nada que una os partidos na reunião de Câmara, apesar de por vezes, se erguer a bandeira “aquilo que nos une”. O que os une são as estratégias de luta pelo poder.
A democracia não ganhou com a realização das reuniões públicas quinzenais, antes pelo contrário foi metida e reduzida ao «funil autárquico”.

Ao longo do actual mandato autárquico as reuniões da Câmara Municipal do Barreiro foram públicas, com uma regularidade quinzenal, uma opção politica que tinha por objectivo contribuir para aproximar os cidadãos da vida politica autárquica.
A tradição de reuniões públicas descentralizadas ficou na gaveta para posterior avaliação, se, sim, ou não, se justificava retomar essa prática de realização de reuniões de proximidade. O assunto não voltou mais a ser colocado em agenda para reflexão. Portanto, hoje, parece ser um dado adquirido que, talvez, ao longo do actual mandato as reuniões serão sempre nos Paços do Concelho.

Mas, aqui e agora, passados cerca de dois anos de mandato, penso, que nem sequer é essa reflexão se vão, ou não, ser descentralizadas as reuniões da Câmara Municipal do Barreiro, o tema politico central em apreciação.
Hoje, o que se pode concluir é que as reuniões de Câmara, sendo quinzenais e públicas, se transformaram no “forum politico”, no “epicentro” da vida politica local.
Os temas das reuniões de Câmara, transformam-se nos assuntos que marcam agenda politica. Os partidos raramente assumem posições. A Assembleia Municipal deixou de ser o centro da vida democrática, as suas reuniões são abafadas pela “quinzenalidade” da reuniões de Câmara.
As reuniões públicas de Câmara esvaziam politicamente o papel da Assembleia Municipal. Todo o debate politico centra-se nos Paços do Concelho.
Um politica local municipalizada, porque a agenda e os temas são o que se debate naquele ‘teatro’ da vida local.

A vida politica local quase que fica reduzida aos debates das reuniões de Câmara, onde apenas três partidos têm voz – PS, CDU e PSD.
O BE e o PAN estão ausentes deste palco, e, regra geral ,não tomam posição, enquanto partidos sobre os temas debatidos nas reuniões de Câmara. Tecem comentários nas reuniões da AMB. E ficam pelo silêncio.
O público tem o seu período de intervenção. Ponto final. É de lei, aí termina a sua participação.

As estratégias que são visiveis nesta reuniões, são óbvias. O PSD não apoia o PS, o PSD quer rasgar caminhos para ocupar o lugar do PS.
O PSD sabe que nunca se afirmará como alternativa, ou mesmo alternância, se a CDU estiver no poder. Mas, o PSD sabe que a força politica que é alternativa ao PS é a CDU, por isso, usa o PS contra a CDU e usa a CDU contra o PS, faz jogos tácticos empurrando pelos flancos. Esvaziar o PS. E enterrar a CDU, neste caso com a ajuda do PS. Tudo isto é visivel nas reuniões de Câmara, uma após outra.

O PSD está como peixe na água, usa o palco da teatralidade politica que são as reuniões quinzenais, que sabe serem favoráveis à sua estratégica. Assume-se como mediador, contra os muros ideológicos socializantes do PS e da CDU, que são a causa do imobilismo.
O PS junta-se ao PSD, porque este tema do imobilismo cola bem com a não valorização do potencial.
Não há nada que una os partidos na reunião de Câmara, apesar de por vezes, se erguer a bandeira “aquilo que nos une”. O que os une são as estratégias de luta pelo poder.

A democracia não ganhou com a realização das reuniões públicas quinzenais, antes pelo contrário foi metida e reduzida ao «funil autárquico”.
Parece que para a politica local, não há mais vida para além da vida autárquica, nem sequer é municipal, é meramente autárquica.
Ali, na reuniões de Câmara há, na verdade, alguns rostos que se destacam no confronto de ideias, no calor aceso do diálogo – Rui Braga (PS); Rui Lopo (CDU) e Bruno Vitorino (PSD) são, na realidade, os principais protagonistas do confronto partidário.

As reuniões prolongam-se ao longo de horas. Cansam. São um espaço de retórica politica, centrada em jogos de poder, lutas pelo poder, por vezes, distantes da vida real e dos efeitos que as matérias causam sobre a comunidade.
Os debates das reuniões quinzenais depois, têm continuidade nas redes sociais, que se alimentam dos fait divers, ou das diversidades sem estratégia de cidade, assentes em pseudos conflitos que passam por dicotomias já requentadas – investimentos versus desinvestimento; potencial versus imobilismo; privado versus público, os maus e os bons, os aziados, etc.
A cidade dita da ‘participação’ politica transformou-se em cidade da ‘municipalização’ politica. Cultiva-se a intolerância e a ortodoxia.

Um pormenor curioso são as transmissões das reuniões pelo o Youtube. Só um - o presidente - tem direito a imagem em ‘grande plano’, e, uma vez ou outra João Pintassilgo, vice presidente.
Os eleitos do PS e PSD quando estão a intervir a imagem tem um tratamento de quem está a comunicar com quem em casa os vê, com um plano de dignidade. Os eleitos da CDU estão tapados por uma técnica da autarquia que acompanha as sessões, nunca têm um plano de quem fala para quem está em casa, no caso da Vereadora Sofia Martins, esta parece que está sempre a falar para o vazio ou para uma parede.
Fico admirado como os eleitos da CDU aceitam este tratamento de imagem humilhante.

Na sala estão quatro câmara a filmar, existe, nos Paços do Concelho, um estúdio de produção de tratamento de imagem em directo, que podia e devia, em respeito pela democracia, estudar uma colocação das câmaras para que existisse um tratamento de imagem igual e não diferenciador, nos planos próximos ou distantes.
A democracia começa no exemplo.

A vida politica local tem que existir para além das reuniões de Câmara, os partidos deviam dar o exemplo e ser promotores de iniciativas em torno de matérias centrais, essas, que estão há anos adiadas, e, na verdade, são a principal causa da perda de emprego, de envelhecimento e decréscimo demográfico do concelho do Barreiro. Tudo o resto é conversa de retórica. Jogos de poder.
Por exemplo, a Ponte Barreiro – Seixal, problemas de mobilidade e acessibilidades com a Península e com Lisboa – barcos de qualidade, as soluções para os territórios da antiga CUF e para os territórios ferroviários, o contributo das zonas ribeirinhas da Praia da Barra- a-Barra até Coina, passando pela Mata da Machada, no fazer cidade.
Tudo isto só é possível fazer em parceria com o Poder Central. Um Poder Local no Barreiro que pensa que sozinho, sem o Poder Central, consegue transformar o Barreiro e retirá-lo da decadência pós desindustrialização está a enganar-se a si próprio e aos cidadãos.
Muito resistem os pequenos empresários locais.

Mas ,enfim, vamos continuar mais um ano com a vida politica local centrada nesta «desconstrução», que visa manter um epicentro municipalizador, assim como quem diz "je suis le roi"!
Cá vamos vivendo neste ilusionismo politico, com manobras de diversão, com discussões de circunstância, em torno do acessório e do criar factos politicos.
É por isso que as reuniões de Câmara, públicas e quinzenais, são um bom espaço teatral, gerador de videos, colocando os Paços do Concelho como epicentro da politica local, o verdadeiro «funil da democracia local».
Até já, divirtam-se!

António Sousa Pereira

04.09.2019 - 17:36

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