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Inferências /Barreiro – Projecto da Quinta Braamcamp valoriza estratégia de expansão urbana
Vamos criar um concelho que vive do imobiliário e dependente de Lisboa

Inferências /Barreiro – Projecto da Quinta Braamcamp valoriza estratégia de expansão urbana<br>
Vamos criar um concelho que vive do imobiliário e dependente de Lisboa<br>
. A Quinta Braamcamp não está ao abandono há 40 anos,

. PS e PCP não são os donos disto tudo

As decisões em torno da Quinta Braamcamp vieram confirmar que o Barreiro não tem estratégia para o século XXI, a sua estratégia está inscrita no PDM do século XX.

Há quem, por piada, em algumas conversas, comece por dizer: “Não vamos falar da Braamcamp”. Uma ideia que vai sendo repetida, aqui e ali, visando minorizar o tema, considerar que é um assunto menor, ou, então, dada a banalização do assunto nas redes sociais, com estes epítetos, pretende-se ridicularizar os entusiastas, ou, então, desviar-se de abordar o assunto e empurrar o tema com a barriga, afastando a necessidade imperiosa de ter e assumir posição. Desvalorizando a importância da sua discussão e do tema, no contexto do pensar e fazer Barreiro, quando se reduz o tema a uma guerrilha entre os que querem o desenvolvimento e os que querem o marasmo.

PS e PCP não são os donos disto tudo

Outro facto, sobre a Quinta de Braamcamp é ter sido, por razões de tácticas e estratégicas, essas, que se espelham em muitos discursos que tem criado o pensamento que este assunto, não passa de um conflito entre o PS e o PCP, colocando em confronto duas visões politicas partidárias – PS e PCP – divergentes na visão para este território.
Portanto, desta forma, este é um tema colocado no âmbito do confronto partidário.
Mas, na verdade, não deve ser avaliado nessa perspectiva, este é um tema da polis, de todos nós - uma razão para viver cidadania.
Limitando-o a um confronto partidário afasta muitas pessoas de se envolver, porque não gostam de entrar em querelas, das quais, muitas vezes já estão fartas e cansadas. Jogos que adiam a cidade.
Na realidade, quando o assunto é abordado nessa dimensão politica, muitas vezes, é dado como adquirido, até usado por outras forças politicas, que o tema é pertença do PS ou do PCP. Até parece que todos aceitam de forma imperativa que esses dois partidos têm o papel determinante no apontar os rumos da cidade. Os outros calam-se. Ou colocam-se à espreita. Limitando-se a observar a guerra. Enfim, esperam colher os frutos, os despojos da dita guerrilha PS – PCP, ou sobre o assunto desenvolver novos cenários teórico-visonários.
A verdade,é que este confronto partidário, infelizmente, tem contribuído para estigmatizar o debate sobre a Quinta de Braamcamp, transformando-o de forma reducionista e absurda, a uma guerra de alecrim e manjerona, gerando ódios, clubites, dividindo a cidade em bons e maus. Há politicos que gostam de viver assim, pois, na verdade, é assim que eles são, ou acham que são politicos

Este tema não é um assunto do PS, nem é um assunto do PCP, mesmo sendo real que entre estes dois partidos existem opiniões divergentes. A vida da cidade não é a preto e branco.
O PS e PCP não são os donos disto tudo.
Queiram ou não queiram, esta duas principais forças politicas do concelho do Barreiro, nem uma, nem outra, são os donos disto tudo, nem a Quinta Braamcamp deve fazer parte de guerrilhas partidárias.
Portanto, é necessário retirar com urgência, mesmo com muita urgência e nobreza politica, retirar este assunto desse patamar de conflito partidário.
A Quinta Braamcamp é um tema politico. É um tema central da vida da polis, e, de importância estratégica para pensar o futuro do concelho do Barreiro.

Sobre o assunto é preciso colocar no prato da balança a diversidade de olhares e pensmentos. Equacionar. Enquadrar.
Não basta pensar milhões. Nem só de milhões vive o homem. O homem é ele e a natureza, e, esta, não há milhões que pague, acreditem.
A diversidade de olhares e recolha de opiniões é essencial. O assunto deve ser debatido, apreciado, e, deixar de ser um confronto politico partidário.
Por vezes, há contornos que demonstram que a tendência é para engajar o assunto em torno visões meramente eleitoralistas, de curto médio ou longo prazo. Ganhando hoje os eleitores de amanhã. Coisas de calculismo.
Não hipotequem o nosso futuro.Este assunto exige diálogo. Muito diálogo. Exige serenidade democrática.

Uma coisa é certa, colocar a discussão da Quinta Braamcamp neste patamar partidário – PS- PCP, por onde tem sido manipulado, nas redes sociais e nos discursos de ocasião, claramente pensados para marketing politico, é, afinal, manter de pé uma guerrilha e não um debate de ideias.
Diz-se que se quer discutir e que se envolveu na discussão milhares de pessoas, e, o que parece é que não se quer discutir, quer-se divulgar uma proposta, dada como adquirida. Ponto final.
Este é o nosso caderno. Estamos a apresentar a nossa proposta. Ponto final. Já basta, dessa narrativa que que tudo o que mexe, para além de certas visões é comunista ou anti-socialista. Por vezes, há situações que parece que vivo o ‘eterno retorno’.

Aquele espaço não está ao abandono há 40 anos

Fico triste, quando para defender a proposta que se considera que é aquela que defende os interesses do Barreiro, e, para a defender, usam-se premissas que não são verdadeiras. Isto gera dúvidas.
Não é verdade que aquele espaço tenha estado ao abandono há 40 anos. Aquele espaço todos sabemos foi propriedade privada até há dois ou três anos atrás, quando a autarquia decidiu comprar, por unanimidade, para o colocar ao serviço da comunidade.
Estimular através de narrativas de abandono, ódios que foram os tenebrosos que destruiram o Barreiro, que estão contra o progresso do Barreiro, e, a causa do abandono, demonstra falta de ética. A verdade é que foram eles os tais «tenebrosos» que foram os verdadeiros protagonista da compra da Quinta de Braamcamp e abrir um caminho para o futuro.
Enfim, este é um discurso que visa fomentar um bode expiatório, que aponta culpados, que cria os muros ideológicos - só de um lado, porque do outro lado é só transparência, até estão acima da ideologia. Só pensam nos milhões que vão entrar no Barreiro.

Mas, por trás de tudo isto, o que se esconde, muitas vezes é que a realidade económica e sociológica do concelho do Barreiro sofre, ainda hoje, com os efeitos da desindustrialização – a perda de população do Barreiro; o não aproveitamento do potencial; a perda de emprego; o envelhecimento do concelho, a insegurança, e, ao longo destes anos – com excepção no mandato de Carlos Humberto e Emidio Xavier – tem existido uma total inoperância do Poder Local para dialogar com o Poder central e colocar o Barreiro na agenda do Poder central, porque, esse, tem sobre a sua responsabilidade directa mais de 2/3 do território do Barreiro – da Baía do Tejo, aos territórios ferroviários e Mata da Machada.

O Barreiro continua à procura de si próprio. Não há um projecto de cidade. Não há uma ideia que nos permita ter uma visão do concelho. Vive-se de imagem. Há lugares que estão a degradar-se, no plano urbanístico e no plano sociológico, e, pronto, assobia-se para o lado.

A vida numa cidade construída num clima de tensão activo e agressivo, como tem sido, este vivido, em torno da Quinta de Braamcamp, só interessa a quem faz politiquice e não a quem faz politica.
É a luta pelo poder. É uma «luta de galos pelo poder». A guerrilha urbana incentiva o silêncio de cidadãos que até gostavam de dar opinião. Esses, São abafados pela guerrilha.
É por isso que há forças politicas partidárias que também se remetem ao silêncio, vão gerindo o silêncio para não serem conotadas com uns, ou com outros – pois por um lado estão os que querem o bem do Barreiro – PS - , e, do outro, estão os que querem o mal do Barreiro – PCP/CDU.
E, por fim, no meio de tudo isto até, ignora-se e esconde-se, a grande verdade de tudo isto - se após anos de abandono, hoje, a Quinta Braamcamp é um tema da vida local, e, para que tal tenha acontecido, fiquem a saber que há um patrono real, esse, escreve-se com esta letras – PCP/ CDU, que retirou a Quinta do abandono e trouxe-a para o dominio público.

Na verdade, muito do que por aqui está escrito, são reflexões, que fui guardando, que tinha intenção de escrever, mas, quis aguardar pelo debate público, que estava anunciado, esse que ia ser promovido pela Câmara Municipal do Barreiro, órgão eleito pelos barreirenses, que, após as eleições, independentemente da força politica vencedora, passa a ser representativo de todos os barreirenses, mesmo daqueles que neles não votaram.
Esperava que, aquele fosse um debate promovido pela Câmara Municipal do Barreiro. Não foi.
Foi um debate promovido pelo «executivo socialista» da Câmara Municipal do Barreiro, que apresentou a sua proposta, essa, do «executivo socialista» da CMB.
Pensava que era um debate para recolher opiniões e debater o projecto. Não. Foi uma sessão para dizer é isto que queremos, é isto que o «executivo socialista» vai apresentar ao órgão Câmara.

Recordo, que assisti, durante os anos de gestão CDU a debates sobre os mais variados temas promovidos pelas Câmara, mas, digo-vos, não recordo situações de debates promovidos pela Câmara Municipal do Barreiro como sendo do «executivo CDU». Foi coisa que nunca ouvi, ou vi, enfim, são metodologias, é a partidarizaçâo do órgão municipal.

Na «Sessão de Esclarecimento» promovida pelo «executivo PS» da Câmara Municipal do Barreiro, que deu a conhecer a proposta que, pelo que foi dito, vai ser apresentada posteriormente ao executivo municipal, ali, após escutar atentamente as palavras do «executivo PS» sobre a Quinta de Braamcamp, posso dizer que fiquei esclarecido, como cidadão, e, conhecedor dos argumentos que fundamentam e serão utilizados para «apresentação do pacote» que vai definir as bases do concurso público, o tal, que irá desencadear, posteriormente, uma «operação imobiliária», e, em torno dela, naturalmente as respectivas contrapartidas. Anunciam-se milhões. Muitos milhões.

Se calhar, quem sabe, fazendo as mesmas contas, feitas para esses milhões, certamente, seriam tantos, os mesmos, ou mais, que podiam entrar nos próximos dez anos se a CMB apostasse na requalificação do território urbano e no estímulo à reabilitação do edificado, apoio ao desenvolvimento de comércio local, criação de áreas de serviços, criar urbanidade com praças e sitios pedonais.
Recordo que, dizem ser mais de 6000 fogos que estão ao ‘abandono’. Mas, isto só seria possível se existisse, como visão, uma estratégia de revitalização urbana e não numa estratégia de expansão urbana.

É por isso que a minha opinião de um cidadão do Barreiro, que tenho o direito a ter opinião. Afirmo e reafirmo que discordo da proposta do «executivo PS». Nem se trata de vender ou não vender, Trata-se dos contornos. Da forma. Ponto final.
Sei, estou convicto que este processo, pode demorar, andar para trás e para a frente, com arrufos daqui e dali, mas no final vai avançar. Tenho pena. Fico triste.
Lamento que seja utilizado o conteúdo de um PDM absurdo – que visa fomentar a cidade de betão, como era dito - mas, agora, o mesmo, sirva de argumento para justificar uma urbanização, que vai tornar um ponto de excelência ambiental, um ponto que podia e devia ser pensado como uma âncora de valorização do concelho na AML, transformado um território, ali junto ao Tejo, numa urbanização com 184 fogos, que será, por exemplo, o dobro da urbanização de Vilas da Serra, em Penalva. Mais mesmo, mas esta com terceiros andares, permitindo mirar o rio, através das ‘ruas com permeabilidade’. Isto num tempo que se aposta na defesa do ambiente, como principal arma no combate às alterações climáticas.
Mas, enfim, os milhões tudo compram. É vida.

Este projecto será, «o pai do sonho imobiliário do século XXI», esse, afinal, que pretendem que seja aquilo que vai marcar o dito «desenvolvimento» do Barreiro, o qual não será outra coisa que crescimento urbano, expansão urbana. Sim, claro, ‘habitação também é desenvolvimento’.
Por isso já está a servir de «âncora publicitária» do sector imobiliário. Já vi anúncios em jornais, de casas à venda na Avenida da Praia, onde está escrito, edificio – “perto do projecto da Quinta de Braamcamp”. É isto.
E, certamente, em breve outras expansões irão surgir, igualmente, com protestos de alguns sectores sociais. Mas será o ‘progresso’. Está no PDM. Dou um exemplo, basta pensar as «Oficinas da CP».

Na verdade, considero que é mau, mesmo muito mau, para o Barreiro e para a vida social e para a democracia local, para a sã convivência entre pessoas que vivem na mesma cidade e querem partilhar a vida comunitária , a forma como este tema da Quinta da Braamcamp tem sido usado, como ‘leit motiv’ para dividir a cidade, para gerar climas de crispação, para gerar intolerância e contribui apara impedir o respeito democrático e de confronto de visões. A democracia é o confronto de opiniões. A democracia não é a imposição de uma verdade absoluta.
Por tudo, pela sua importância estratégica e estruturante, este assunto exigia calma, tempo de maturação e diálogo institucional.
Não há pressa, não há mesmo pressa nenhuma. É mentira esse discurso de estar há décadas ao abandono. Sejamos adultos.
Nenhuma conjuntura de mercado justifica andar a correr para colocar a ‘quinta’ no Mercado. Afinal, se há pressas devido às conjucturas do mercado, se este é apenas uma janela de oportunidade, agora ou pode ser tarde, podemos estar a gerar um elefante branco. E, depois quem vier que feche a porta.

A Quinta de Braamcamp naquilo que ela for transformada no futuro, não vai ser par uso de comunistas, socialistas, sociais-democratas, bloquistas, panistas, democratas cristãos – é de todos e para todos.

A primeira razão que todos nós elegemos uma autarquia é para que esteja ao serviço de todos.
E isto para dizer, que na Campanha Eleitoral, o tempo em que os partidos se confrotam e a apresentam as suas propostas ao eleitorado. E, nas últimas eleições autárquicas, nenhum partido, mesmo nenhum partido politico, colocou o cenário de venda da Quinta de Braamcamp.
Frederico Rosa, actual presidente da CMB, numa entrevista que lhe fiz, respondeu que devia continuar a ser do dominio público.
E, talvez, numa visão de futuro, uma ideia entre o marketing politico e ser um projecto que queria marcar a diferença do PCP/CDU, o PS apresentou uma proposta em video, em paineis. Um sonho. Uma visão. Uma ambição.
Foi uma boa táctica eleitoral, e, talvez, a roda gigante anunciada, a praia de ondas e tudo o mais, que pode ser visto num video de grande pujança criativa, contribui para a vitória dos socialistas. Era uma ideia de sangue novo. Uma nova visão de ser cidade.
Assim o PS antecipou-se ao PCP/CDU que tinha proposto a compra (aprovada por unanimidade – CDU/PS e PSD), mas, até ali, ainda não tinha apresentado qualquer proposta, apenas algumas ideias soltas, valorizando o mesmo que o PS, um território ao serviço da comunidade.

No entanto, para o PS, tudo que apresentou pelos vistos foi mesmo marketing politico. Uma ambição. Uma visão. Agora foi tudo para o caixote do lixo. A roda gigante. A praia de ondas. Todos os sonhos do delírio eleitoral, de uma ambição, agora estão ignorados.

Na sessão de esclarecimento, para mim, isto ficou claro o que se pretende é criar um pacote que tem por base um negócio da venda da Quinta de Braamcamp por 5 milhões de euros e as respectivas contrapartidas, que irá valorizar outros negócios da zona envolvente. É vida.
É, isso, que vai ser, apenas isso, um negócio imobiliário com contrapartidas. É pena.

Talvez, pelo andar da carruagem, a coisa seja adiada. Tenho algumas dúvidas, isto, até, pode não se concretizar até às próximas eleições autárquicas.

Este é um assunto que promete, que vai continuar a ser o tema para alimentar as redes sociais.
É um bom tema para confundir e dinamizar o discurso politico que coloca em confronto - o potencial versus marasmo.

Mas, depois de tudo isto, não posso deixar de tecer algumas notas finais. Estas sim considero relevantes deixar para memória futura.

A Quinta de Braamcamp é o tema central que pode e deve ajudar a reflexão sobre a forma como se está a pensar o futuro do território do concelho do Barreiro.
Assim como a ETRI, no final do século XX, ajudou a colocar na agenda da cidade a necessidade de pensar o território da Baía do Tejo/Quimiparque, para além, muito para além da visão que estava no PDM, nos dias de hoje, a Quinta Braamcamp pode, neste século XXI, abrir o debate e clarificar, se vamos ser uma cidade que quer ter vida própria, com capacidade de gerar um modelo de cidade, que aproveite as suas potencialidades – desde o nível académico, passando pelo património e pelo promover um concelho com dinâmicas locais, sitios de vida própria, do Lavradio a Coina, requalificando o espaço urbano, requalificando e valorizando o edificado, gerando zonas pedonais, apostando na consolidação urbana, desenvolvendo a rede de transportes urbanos, exigindo a construção de acessibilidades, retirando o Barreiro do guetto, aproveitar o potencial do rio e da Mata da Machada. Ser uma cidade criativa, com nichos de artes, ou transformar-se numa cidade depósito de arquivos e de pessoas.

O caminho que o projecto imobiliário da Quinta Braamcamp indicia é esse de se apostar na valorização da expansão urbana, o caminho para criar um concelho dormitório, com zonas novas para a classe média que está sendo empurrada para fora de Lisboa. Começa na Braamcamp, a seguir vai ser nas Oficinas da CP, nada de novo, está previsto no PDM. Depois será Coina, que está a 30 minutos de Lisboa.
Nem vale a pena fazer a revisão do PDM. Aliás ele assim, está adequado, para dinamizar a estratégia do imobiliário.

Por fim, seremos um nicho dito de turismo, para ficarmos felizes, com uns festivais e feiras. É giro.

Pelo que tem sido dito, em torno da discussão da Quinta de Braamcamp, começo a acreditar que o Barreiro é um concelho que perdeu ambição.
O seu rumo vai ser esse – imobiliário e turismo residual. Cidade dormitório de Lisboa, nada tem a ver com o conceito que pensa e sente uma cidade de duas margens. Seremos sempre a outra margem, a outra banda. Lisboa agradece.

As decisões em torno da Quinta Braamcamp vieram confirmar que o Barreiro não tem estratégia para o século XXI, a sua estratégia está inscrita no PDM do século XX.

Até já, divirtam-se!

António Sousa Pereira

28.09.2019 - 12:45

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