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Por dentro dos Dias - Barreiro
Somos os afectos que enchem as veias!

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Somos os afectos que enchem as veias!O encontro com o ser, é o encontro com o cidadão de corpo inteiro, é o encontro com o ser Liberdade, é o encontro com o ser Criatividade, é o encontro com o ser Solidariedade. A vida.

Há uma idade que é a idade que nós conluímos que somos, sim, é isso, apenas somos. É a idade na qual, acreditem, nada, mesmo nada, na verdade, temos que provar seja o que for, nem a nós próprios, nem aos outros. É idade do ser. Maturidade.
A idade do ser, é aquela idade que sentimos, que está chegando o tempo de viver a plenitude do tempo. Vivendo os silêncios. Iluminando as cores. Serenidade.
A idade da “consciência do ser”, não tenho dúvidas, é muito diferente da idade da “consciência do estar”. Viver o “estar” é muito diferente de viver o “ser”. É isso que separa a harmonia da angústia.
A “consciência do estar” tem ritmo, agita-nos, pressiona-nos, move-nos, por vezes nem temos tempo para saborear o sol, ou mergulhar os olhos no luar.
A “consciência do ser” gera afectos, ternura, sentimos harmonia no colorido dos dias, tocamos os sabores com os olhos, mergulhamos nos aromas com os lábios. Somos.

É por isso que “estar” não é “ser”. O “estar” causa stress, obriga-nos a deambular por dentro dos dias. Colocamos o foco. Não vivemos, focamos. É essa a labuta do quotidiano. Sorrimos para cultivar imagem de felicidade. Erguemos bandeiras. Imaginamos causas. Propagamos a ética. O estar é muito exigente, é um combate pela sobrevivência. Estamos rodeados de adversários. O estar é combater. Na empresa. Na escola. Na associação. Na cidade.
Há mesmo quem diga que, só deixa de estar quem desiste de combater. No estar, nunca há vitórias antecipadas.
É por isso que estar, nessa “consciência do estar”, muitos, ao longo das experiências de vida, sabemos, para eles, não há amigos. Há companheiros de luta. Parceiros de combate. Adversários. Os “amigos” são as circunstâncias.
Aliás, há mesmo aqueles que no estar, tornam-se peritos, discretos, de usar e deitar fora. Kafkianos. Dizem-se, até, verticais, coerentes.
É por isso que na idade do estar, nunca somos, ou, quando somos, somos esquizofrenicamente. Somos parecer. Somos imaginação. Somos estratégia.

Muito diferente, acreditem, é esse tempo quando atingimos a idade do ser, a “consciência do ser”. Essa é a idade do somos. É uma idade que, até, nos permite pensar às avessas. Não sobrevivemos, vivemos. Unimos as ideias, as palavras, ao viver. Como alguém dizia, é, esse, o tempo que deixamos de pensar como vivemos, para passar a viver como pensamos.
A idade do ser é a idade do tempo vivido, de todo o tempo vivido. Somos o que realizámos. Somos as raízes dos pensamentos plantados com acções. Não somos imaginação. Somos realidade vivida. Somos todas as certezas que construímos. Somos tudo o que ficou pelo caminho. Somos sonhos adiados. Somos sonhos perdidos. Somos, até, tudo o que negámos. Somos o que fomos. Somos paixão na acção. Somos ser no fazer. Somos amizade sentida. Somos amor no coração. Somos. Ponto final.
Somos os beijos guardados. Somos os afectos que enchem as veias, esse lugar, onde pulsa todo o tempo, por dentro do tempo – a alma, a mente, o espírito.
Somos o que vivemos. A idade da “consciência do ser” é linda. É mesmo linda.
Sentir o “ tempo do ser”, é tocar na própria respiração, é sentir nos nervos o instante, único, esse, misturado nos sons de Chopin. Aqui e agora.
Paramos, olhamos para trás e pensamos : Valeu a pena todo o tempo que vivi! Gostei de viver. Gosto de viver. Sou tudo o que sou, orgulhosamente. Feliz.
Chegar à “consciência do ser”, viver o “ser”, é encontrar o belo nos dias, é mergulhar no sublime, por dentro de todo o tempo vivido.
Ser, aqui e agora, a totalidade. Nada perturba. Nada incomoda. Viver, isso, apenas isso, viver. Fluindo. Sentir que somos o tempo, todo o tempo, esse, que é feito da semente, raiz, folha, flor e fruto.
Neste tempo do ser, na verdade, descobrimos que já não podemos voltar para trás, que já não queremos voltar para trás, que já não desejamos voltar para trás, apenas, o que nos move é ser - o que somos. Um silêncio imenso.

O encontro com o ser, é o encontro com o cidadão de corpo inteiro, é o encontro com o ser Liberdade, é o encontro com o ser Criatividade, é o encontro com o ser Solidariedade. A vida.
Ser eu, tu, nós. Ser. Mergulhar por dentro do ser que somos- sorrindo. Ser, afinal, essa vontade que nos move, ser essa energia que vivemos quotidianamente e faz nascer futuro, todos dias, sendo eternidade!
Até amanhã, divirtam-se!

António Sousa Pereira

13.10.2019 - 11:42

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