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Por favor, não deixem morrer o «Pestarola»!

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Por favor, não deixem morrer o «Pestarola»!<br />
Nos tempos de hoje, que tanto se fala em ambiente e valores identitários, é triste ver o nosso «Pestarola» ali enterrado no cemitério.

Será que na Assembleia Municipal do Barreiro, não há força politica para exigir a recuperação do «Pestarola»?

No âmbito do Encontro de Culturas Ribeirinhas, que decorreu no concelho da Moita, visitei o Estaleiro do Mestre Jaime, ali, em Sarilhos Pequenos.

A «Muleta» lá estava, e, pelos vistos continua a aguardar que se concretizem as necessárias vistorias. Um barco frondoso que, no dia que começar a navegar nas águas do Tejo, vai ser uma referência ao nível das embarcações tradicionais.

A «Muleta» para além de ser um ícone do brazão do concelho do Barreiro, é um barco ligado às memórias da comunidade piscatória, segundo dizem, oriunda do Algarve, que em tempos remotos veio viver para esta margem do Tejo e dedicava-se à pesca na barra do Tejo, sendo a «Muleta» o barco que era a marca identitária desta comunidade.

A construção da «Muleta» foi uma aventura e uma decisão de amor ao Barreiro e ás suas memórias. Um dia muitos vão sentir o prazer de navegar no Tejo e, até, atracar em Lisboa, porque, finalmente, isso é possível graças ao empenho e dedicação da comunidade náutica da Moita, da Marinha do Tejo e da Câmara Municipal da Moita.
A Câmara Municipal do Barreiro, entretanto já assinou o protocolo, sobre esta matéria com a APL.
E, pelo que tem sido dito, também está em fase de conclusão o acordo sobre o cais de acostagem da «Muleta», aqui no Barreiro, através do diálogo que tem sido mantido pelo actual executivo municipal com as entidades.

Mas, na verdade, o que motivou esta nota, foi ter reparado que no Estaleiro do Mestre Jaime, ali, está,o varino «Pestarola», abandonado, quase como que sobre ele tenha existido decisão de o condenar á morte. Tudo na vida tem um tempo. E tudo que nasce morre.
Mas, uma das grandes decisões politicas e culturais do Poder Local, nas zonas ribeirinhas do Tejo, é dar um contributo para valorizar as tradições e as embarcações tradicionais – o bote, o catraio, o varino. O Barreiro devia ter uma linha de pensamento direccionada para esta vertente, que, de facto, está patente na construção da «Muleta», mas devia estar também na recuperação do «Pestarola».

O orçamento não deve ser uma fortuna tão grande, certamente, são tostões, num orçamento de 55 milhões.

Nos tempos de hoje, que tanto se fala em ambiente e valores identitários, é triste ver o nosso «Pestarola» ali enterrado no cemitério.
Será que na Assembleia Municipal do Barreiro, não há força politica para exigir a recuperação do «Pestarola»?

Quando olhei o «Pestarola» naquele estado de abandono, que, certamente, agora, para ser recuperado será uma intervenção global, fiquei triste.

Viajei no Tejo no varino «Pestarola». Senti o prazer de escutar as ondas a bater no casco. Deliciei-me com as velas a a rasgar o vento. Senti o Barreiro e as memórias da sua comunidade piscatória.

Poderão dizer – nem sei – que o varino aquele estilo não era uma embarcação tradicional do Barreiro. Não sei. Mas sei, isso sei, que parta mim, e para algumas gerações e até mesmo para muitas crianças e jovens do fim do século XX e principio do século XXI, o «Pestarola», faz parte das vivências da comunidade barreirense e sua ligação ao rio Tejo.

Por favor, não deixem morrer o «Pestarola»!
O «Pestarola» já está inscrito nas memórias e na cultura ribeirinha do Barreiro.

S.P.

29.10.2019 - 00:01

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