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A(nota)mentos - Escola Superior de Tecnologia do Barreiro 20 anos de vida
A cidade que se orgulhe do seu ensino Superior
.1999 - 2019

A(nota)mentos - Escola Superior de Tecnologia do Barreiro 20 anos de vida<br>
A cidade que se orgulhe do seu ensino Superior<br>
.1999 - 2019 A ESTB pode ser uma «ignição» aprofundado o diálogo entre o «saber académico» e o «saber técnico», contando para formar e para ser agente de desenvolvimento do concelho. Isto faz-se com debate de ideias, com diálogo.

A Escola Superior de Tecnologia do Barreiro / Instituto Politécnico de Setúbal, comemora esta semana os seus 20 anos de vida - 1999 - 2019, uma efeméride que é uma marca histórica na vida do concelho do Barreiro.
Acompanhei de perto, na altura a exercer actividade de Chefe de Redacção do Jornal do Barreiro, os esforços que foram desenvolvidos, o sentido de ‘lobbie’ que foi gerado, envolvendo personalidades do Barreiro quer do PS, com destaque público para António João Sardinha, e, ao nível da CDU, do então presidente da CMB, Pedro Canário, e, igualmente de Carla Marina, vereadora da área da Educação. Mas, outros barreirenses, ligados ao ensino Superior de forma anónima e empenhada deram o seu contributo para que o Barreiro fosse contemplado com o Ensino Superior.

As comemorações dos 50 anos da Escola Alfredo da Silva, neste processo foram um marco importante, quando Jorge Sampaio, Presidente da República, marcou presença no Barreiro, assim com o o Ministro da Educação, quer nas intervenções realizadas no decorrer da sessão evocativa, quer em conversas informais – o Ensino Superior no Barreiro foi o tema que marcou esta celebração.

De facto, dois anos depois, em 1999, a Escola Superior de Tecnologia do Barreiro arrancou a sua actividade no concelho do Barreiro. Começou a funcionar inicialmente no Bairro Operário, onde actualmente funciona a Escola Profissional Bento Jesus Caraça. A escola cresceu e a necessidade imperiosa de novas instalações colocava-se, até, como forma de localização definitiva e consolidação estruturante na vida do concelho.

Foi na gestão de Emidio Xavier que essa matéria esteve em análise. A primeira pedra das novas instalações da ESTB, na Quinta dos Fidalguinhos foi colocada no dia 25 de Janeiro de 2005.
A localização da ESTB nos Fidalguinhos foi um tema que animou debates acesos nas reuniões de CMB e na AMB. A liderança socialista não concordava com a localização apontada pela CDU, no Lavradio, num espaço na proximidade do Centro de Saúde do Lavradio e da zona industrial. O PS defendia e viu aprovada a sua proposta, com o apoio do PSD, na sua actual localização na Quinta dos Fidalguinhos.

Para alguns esta foi uma boa decisão. Talvez, para a época, perante os argumentos existentes, a proximidade da escola de uma zona industrial ainda em actividade, mas cujo fim se anunciava, era previsível, e, posteriormente concretizou-se ( hoje, praticamente desactivada, desde a Central da EDP, às fábricas da UFA que foram desmontadas e levadas para na India), e, a existência de uma nova Urbanização que ganhava e beneficiava, ao obter na sua centralidade um equipamento âncora, que lhe dava vida própria.

Mas as decisões, quando tomadas, deviam ter em conta não questões circunstanciais – as modas da época, as oportunidades do tempo – mas sim uma ideia de cidade, um projecto de cidade, uma visão para o território, assente em projecções a décadas, balizadas em perspectivas de desenvolvimento estruturante, porque isso, sim, determina o legado que os gestores, os decisores politicos, pelas suas acções constroem futuro.

A realidade, as mudanças no território que na época já eram visiveis, nos dias de hoje, provam que a CDU, afinal, até era capaz de ter razão em querer a ESTB nos terrenos do Lavradio. Na época não tive opinião. Assisti em silêncio ao confronto e aos argumentos de um lado e do outro, como se tratasse de uma politiquice entre PS e CDU, ou uma guerrilha entre partidos na luta pelo poder, aquelas discussões que em vez de se discutir a cidade que é de todos e o futuro que é de todos, opta-se por colocar o debate entre os que querem o bem e os que querem o mal. Afinal, isso só acontece porque a guerrilha partidária se sobrepõe aos interesses de cidade. Sempre assim foi, sempre assim será. É vida.

Hoje, até como residente na vila do Lavradio, não tenho dúvidas de afirmar que se a ESTB estivesse a funcionar onde a CDU defendia, esta terra não tinha continuado a degradar-se, o seu espaço urbano já tinha sido requalificado, os poucos espaços que ainda estão para urbanizar já estavam construidos, o Lavradio tinha beneficiado de um equipamento âncora que perdeu, em beneficio da nova urbanização.
Foi um erro estratégico levar a ESTB para os Fidalguinhos, até porque, ao ficar naquela localização, no Lavradio, tinha sido um contributo para iniciar o desenvolvimento da tal nova visão estratégica para os territórios da Quimiparque.

O Lavradio é cada vez mais uma vila que se degrada, sem requalificação do seu espaço urbano. A ESTB no Lavradio podia ter sido um motor de requalificação e revitalização da vila, além de ter enriquecido a sua dimensão demográfica e renovação etária.

É por isto, que não alinho de cruz, nessa ideia que foi uma boa decisão a localização da ESTB na urbanização dos Fidalguinhos. Aqui no Lavradio até o «campus do ensino superior tinha condições para crescer, com as portas abertas para um «nicho cultural e artistico» e tecnológico que pode e deve ser estimulado na Baia do Tejo. Mesmo ali ao lado, um dia irá nascer o Centro de Tratamento de bivalves, que vai ter parcerias com com a ESTB, no plano da investigação.
Deixe-mos esta matéria. É uma mera reflexão.

Mas, o importante é que o ensino superior é uma realidade na vida barreirense. Uma realidade que tem vindo pouco a pouco a afirmar-se e a consolidar-se.
Um realidade que foi estimulada sempre por uma estreita cooperação e diálogo entre o Poder Local – quer gerido pela CDU, quer gerido pelo PS – com o poder central, quer gerido pelo PS, quer gerido pelo PSD.
Celebremos pois os 20 anos de ESTB e os 20 anos de ensino superior no Barreiro.
A ESTB pode dar um importante contributo para a que o Barreiro aposte em estratégias de requalificação urbana, em vez dessa tendência imobiliária de expansão urbana.
A ESTB pode ser um parceiro para dinamizar candidaturas europeias – unindo o ensino ao fazer cidade, apostando em requalificar uma cidade que sofreu e sofre ainda os efeitos da desindustrialização. Apostando na eliminação do seu passivo ambiental, e requalificando de forma estratégica os seus vazios industriais da antiga CUF e das zonas ferroviárias.

A ESTB mais que ser um espaço de «ignites» que é motivador e que contribui para pensar presente e pensar futuro, deve ser estruturante para se afirmar como referência do Barreiro ao nível da investigação e espaço de saber, e, nesse contexto, ter no pensar os territórios da região e da cidade como um «laboratório» de aprendizagem e do fazer cidade.

A ESTB pode ser uma «ignição» aprofundado o diálogo entre o «saber académico» e o «saber técnico», contando para formar e para ser agente de desenvolvimento do concelho. Isto faz-se com debate de ideias, com diálogo.
O Ensino Superior no Barreiro tem que ser um polo de referência, vivido e sentido na cidade e na cidadania.
Um exemplo vivo de ligação da cidade à ESTB, a criação da Bolsa de Estudo pelo Rotary Club do Barreiro. A cidade reconhece o seu Ensino Superior, sempre assim foi, a vida prova-o, são os actos e não as palavras que fazem a vida.

A ESTB agora com cerca de 800 alunos, com um corpo académico altamente qualificado está a rasgar caminhos para o futuro.
A cidade que se orgulhe do seu ensino Superior e que saiba dar-lhe dimensão no fazer cidade.
Parabéns ESTB!

António Sousa Pereira

11.11.2019 - 12:03

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