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Barreiro - Por dentro dias
É preciso fechar os olhos...para sentir e amar

Barreiro - Por dentro dias <br>
É preciso fechar os olhos...para sentir e amar A vida é assim. É por essa razão que quem sente amor por um lugar, não o troca, por nada, mesmo por mais nada, que não seja sentir o gozo de pertença e nessa pertença sentir que está presente o futuro. O futuro é mais que números.

Tudo é residual. Tudo é temporal. Tudo é um ponto de encontro do nosso olhar com a paisagem.
Na nossa mente, o que existe é aquilo que nós cultivamos. As nossas palavras não são sons inertes. As nossas palavras exprimem a nossa forma de sentir a paisagem, o lugar, residual e temporal, que está inscrito no nosso coração. As nossas palavras transportam os nossos cheiros e os nossos sabores.
Cada um sente com as palavras que são a marca da sua consciência. Uns de superioridade moral. Outros de superioridade intelectual. A arrogância não tem cheiro. A arrogância tem dimensão do peso que move a vida. Ser ou ter, eis a questão. Pode ser o preço. Pode ser a ambição. Pode ser apenas a sobrevivência.
Cada um transporta para dentro dos seus olhos, os nervos que se inscrevem nas palavras quando viajam, entre o que somos, o que imaginamos que somos, ou o que queremos que achem que somos. São as palavras que nascem por dentro da náusea, da emoção, da alegria, da tristeza...é a nossa escolha, é o nosso lugar no mundo!
Cada qual é feito das palavras que fazem os seus actos, porque há actos que são feitos de palavras – a vida por vezes é teatro, mas, a vida vivida com o coração é, acreditem, mais, muito mais, que teatro.

É por isso, só por isso, que vale mais sentir de olhos abertos e apaixonados - com amor, sim com amor - a beleza de um recanto residual da paisagem do lugar onde vivemos, e, aí, nesse olhar, sentir o mergulho do sangue a tocar a beleza da vida, que é maior e melhor, que essa coisa, de viver abafado em rancor e ódio, esse que brota em palavras inúteis que são a máscara de todas as angústias. Freud, explica isso! É verdade, explica.

Sente-se, sente-se mesmo que são pessoas que vivem tristes, enferrujadas em banho maria, feitos de anos de solidão, engulham por dentro das palavras que inscreveram como dogmas, donos de um mundo perfeito, que tornam os seus cérebros máquinas de percepções.
Cantam o amor, verbalizam o amor, mas, por fim, vergados aos ritmos das oportunidades do mercado, sucubem e para sobreviver cultivam o ódio.
A vida é assim. É por essa razão que quem sente amor por um lugar, não o troca, por nada, mesmo por mais nada, que não seja sentir o gozo de pertença e nessa pertença sentir que está presente o futuro. O futuro é mais que números.

É por isso, só por isso, que na conflitualidade de diferenças e visões, para os percepcionistas o amor tem como reverso o rancor. Vociferam. Vociferar não é cultivar diferenças, vociferar é estigmatizar.

Quem sentiu o cheiro do ácido sulfúrico a tocar os pulmões e o cheiro da maresia nas ondas do Tejo, vai sempre sentir a palavra amor, no coração, onde a ternura está guardada, docemente, florindo em beijos, tocando os lábios, em notas musicais, melódicas, escutada na suavidade da voz da Valu. Tarrafal! Memória.
Quem sentiu o cheiro do ácido sulfúrico e o cheiro da maresia do Tejo, basta fechar os olhos, ali, naquele lugar de tapetes verdejantes, flores e cheiros únicos, aquela varanda da Liberdade, sim, esse lugar, que uns chamam de Avenida da Praia e outros de Avenida do Amor.
Não basta clamar amor. É isso, é preciso fechar os olhos...para sentir e amar o lugar onde vivemos!

António Sousa Pereira

28.11.2019 - 19:05

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