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Habitação é desenvolvimento. Temos futuro!
Preços com aumentos de 30% no Barreiro

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Habitação é desenvolvimento. Temos futuro!<br />
Preços com aumentos de 30% no Barreiro Hoje, cada vez mais, pelos discursos vigentes, através dos quais o PDM em vigor justifica tudo que se pretende projectar para o território, começo a convencer-me que o politico Pedro Canário, tão criticado pelos seus opositores, afinal, era um homem com visão de futuro.

O PDM – Plano Director Municipal, aprovado em 1993 pela Assembleia Municipal do Barreiro, em vigor desde 1994, já passou vários processos de eventual aproximação da sua revisão, nomeadamente com as definições de pensamento estratégico, quer em gestões socialistas, quer em gestões comunistas, mas, sem qualquer revisão concreta, afinal, é esse documento de gestão do território que continua a ditar os parâmetros da governação.

Longe vão os tempos esses, longínquos, quando o PDM era usado como arma de arremesso nas lutas politicas cá do burgo. Ora porque era um plano megalómano que apontava para cerca de 200 mil habitantes no concelho. Ora porque o conceito expresso na sua elaboração que partia da ideia força «concelho- cidade», era uma visão errada, porque o Barreiro não tinha nada a ver com Nova Iorque.
Ora porque era um PDM que projectava uma cidade de betão.
Enfim, essas coisas bonitas que dizem os senhores que gostam de projectar cidades, prédios, IMIS, taxas de urbanização.

Hoje, cada vez mais, pelos discursos vigentes, através dos quais o PDM em vigor justifica tudo que se pretende projectar para o território, começo a convencer-me que o politico Pedro Canário, tão criticado pelos seus opositores, afinal, era um homem com visão de futuro.
O PDM afinal, cuja revisão foi tão exigida e criticada, confirma-se que está feito à medida para todos os processos de planeamento do território da actualidade – desde as opções para a Quinta Braamcamp, passando pelo Campo do Luso, e, até para as empresas que se vão instalar nos territórios da Baía do Tejo. Está lá tudo previsto. Cabe lá tudo. Portanto, ainda bem que a revisão não foi feita.
Ainda bem que o Masterplan não passou de uma utopia. Ainda bem que o projecto Arco Ribeirinho Sul não avançou, e, que o Plano de Urbanização da Quimiparque foi uma mero exercicio académico.

Bom, mas tudo isto vem a propósito de hoje, pela manhã ao ler o jornal uma noticia refere que o concelho do Barreiro tem registado nos últimos tempos uma evolução constante nos preços das habitações.
Refere a noticia, no jornal Público, que a variação acumulada desde 2007 (no período pré-crise) revela uma subida nos preços, à data do 2º trimestre deste ano, com aumentos de 30% no Barreiro. Em Lisboa o aumento atinge os 75%, Em Sesimbra os 26%, Almada os 24%.

Obviamente que perante este cenário imobiliário o PDM está apto e actual. Era uma das suas linhas orientadoras o crescimento urbano, deixando para trás a revitalização e reabilitação urbana.
Portanto, não vale a pena apressar a revisão, até, porque, já escutei de alguns antigos criticos do PDM em vigor, agora, afirmarem novas visões sobre o dito, nomeadamente que não se estava contra o PDM. As criticas eram feitas por não avançar a revisão. É vida.

Nesta mesma noticia, fiquei maravilhado com as ideias estratégicas em curso no concelho do Seixal, enquadradas no pensamento desenvolvido em torno do projecto Lisbon South Bay, visando a promoção de investimentos na habitação, na área de hotelaria e turismo, na restauração, na náutica de recreio, desporto e indústria, logistica e serviços de inovação. Projectos desde a Ponta dos Corvos até à Mundet, onde vai ser construído um hotel com 84 quartos. Mas, nós na Braamcamp também vamos ter um hotel...zinho.
Lia este artigo e pensava, que, de facto, com o afastamento da construção da ponte pedonal para o Seixal, perdemos uma oportunidade de ganharmos dimensão intermunicipal, massa critica e escala económica para áreas de restauração, desporto, ambiental e lazer. Um erro que um dia terá que a ser corrigido.
Pois, se o PDM tivesse lá a ponte pedonal, talvez tivesse avançado. O PDM só tem o Metro de superficie. É vida. É tal pensar barrerinho, ficar pela «ilha» do território 2830.

Portanto, finalizando o PDM em vigor serve muito bem para os tempos próximos. Não é preciso mexer muito, é só arrumar a casa. O imobiliário é a linha condutora do pensamento estratégico. Construa-se.
Entretanto vamos continuando aqui no cantinho, desligados do resto da Península, com o problema das acessibilidades por resolver. Nem, ao menos, a ponte rodoviária Barreiro – Seixal. Já era tempo de dizer ao governo, qualquer governo: Basta!
Nem sequer há um pensamento estratégico claro, conhecido, que fomente uma estreita relação de diálogo e cooperação entre o Poder local com o Poder Central para que se pense, defina e abra caminhos para os territórios da Baía do Tejo e territórios ferroviários. Valha-nos a Administração da Baía do Tejo, que continua a acreditar que, ali, é possível, encontrar caminhos de diferenciação. Nicho cultural. Abrir ao centro da cidade. Instalar empresas inovadoras.

Pronto, afinal é isso, o imobiliário tudo vai resolver, porque, afinal, habitação também é desenvolvimento. Temos futuro!
O PDM em vigor comprova e defende essa visão. Em conclusão, a CDU tinha razão!

António Sousa Pereira

11.12.2019 - 22:01

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