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Inferências - Barreiro
O paradigma entre os binómios «Passado-Mudar» e «Futuro- Mudar» - I
. Pensar e fazer politica no século XXI

Inferências - Barreiro<br>
O paradigma entre os binómios «Passado-Mudar» e «Futuro- Mudar» - I<br>
. Pensar e fazer politica no século XXI<br>
Hoje, o tempo da narrativa e percepção em torno do binómio: passado – mudar. Acabou. Por isso já não há ideia do somos, agora vamos ter a ideia do ser. Quem não perceber isto, não percebe o que aconteceu nesta reunião de Câmara, nem as alterações estratégicas que já estão a emergir em novas narrativas comunicacionais.

A vida politica é uma constante aprendizagem. Os discursos, as narrativas, as percepções, viajam pelo tempo. São mesmo, de facto, aquilo que diz Ortega y Gasset – o homem e as circunstâncias. Esta é a maior lição que se retira no viver, pensar, sentir a politica, com valores, visões projectos e até com tácticas e estratégias.
A última reunião pública da Câmara Municipal do Barreiro, para quem quiser se entreter a pensar a cidade e a cidadania é um verdadeiro “laboratório de ensaio” do que é a vida e a acção politica nos tempos de hoje, na verdade, foram tantos os momentos que ali, ao vivo, fizeram emergir as ideias nos nervos, os pensamentos no coração, os valores amachucados, a ira a rasgar a pele, o diz-que-diz-se, as relações de rede, a cidade ao vivo e a cores, o real, o virtual, a realidade actual pura e dura, tudo o que emerge quotidianamente nas redes sociais, quer de forma séria e lúcida, escritos de quem sabe o caminho as estratégias que escolheu, quer dos que de forma serena, sem sorrir, debitam ideias encomendadas, para servir os senhores. Esses, muitas vezes são mais papistas que o Papa. Sempre assim foi, sempre assim será, é vida.

Pensar e fazer politica no século XXI

Para quem gostar de fazer um exercicio sobre o que é o pensar e fazer politica no século XXI, basta reflectir sobre o conteúdo narrativo, percepcional, da última reunião da Câmara Municipal do Barreiro.
Ali, sem dúvida, aconteceu um pouco de tudo, quem procurar fazer a hermenêutica – palavra que vai, já, gerar incómodo - pode descobrir no dito e no não dito, no expresso e no que ficou por expressar, ali, naquele limbo do viver e fazer a alta politica, aquela que decide os destinos de uma comunidade, encontramos um manancial de pensamentos. Modos de estar, visões do mundo, tudo resumido a tácticas e estratégias. Gerar conflitualidades. Modelar acção politica.
A reunião de Câmara é afinal o espaço onde, hoje, é mesclada a vida politica local. Depois o resto é o eco. A politica faz-se nas sessões de Câmara. O resto é paisagem. Os partidos não existem. As redes sociais são o eco das reuniões de Câmara e do trabalho da Câmara. A Câmara é o centro do mundo. O mundo tem o centro na Câmara e ,cada vez mais, nas cameras.

Os aziados são uns verdadeiros reaccionários

Apetecia-me escrever sobre tanta coisa, ali dita, ali esboçada, em sorrisos e não sorrisos. Talvez, até começar pela imagens que recebemos via net, com as cameras colocadas em posições, estudadas ao pormenor, que retira da sessão autarcas nos seus grandes planos. Basta recostar-se na cadeira e sai do plano. Com um claro tratamento diferenciado. Só não vê quem não quer e, quem vê, e comenta é logo rotulado de aziado. Hoje aziado é o rótulo para todos que expressam opiniões, em tempos idos eram rotulados de «reacionários». Sim, porque os aziados são uns verdadeiros reaccionários, eles, de facto, estão contra o progresso institucional.

Sobre a cidade e sobre a cidadania.

Mas, enfim, optei apenas por centrar uma reflexão, que já vai longa, sobre o que considero ser o pensamento central e marcante, nesta reunião, a ideia que passa por dentro de tudo o que por ali foi dito e redito, com mais ou menos fervor, com mais ao menos dramatismo, com mais ou menos convicção. É vida, é isso – o homem e as circunstâncias.
Aquela reunião é «ensaio laboratorial», permite uma reflexão sobre a vida, sobre a cidade e sobre a cidadania.

Do passado e do mudar

Durante algum tempo, desde há quatro ou cinco anos atrás, as linhas condutoras que dominaram as redes sociais e alguns discursos politicos na vida local, apontavam para a gestão de uma estratégia de fomentar o pensamento politico em torno de um vector cuja acção constante, de forma permanente e repetitiva era olhar o passado de forma critica, falar de potencial, falar de muros, apontar uma única causa para o declinio, gerar um culpado, fomentar estigmas, quebrar a identidade, unir os descontentamentos em torno de um inimigo comum – o mal e o causador de todos os males.
Tudo serviu. Tudo foi pensado. Foi dito e feito.
A linha condutora do pensar e fazer cidadania era, pensar o passado, não como lição para buscar caminhos, mas para apontar o que tinha sido perdido e apontar culpas e criar culpados.
Estrategicamente, sublinhava-se que era preciso mudar, era necessária uma alternativa à estagnação – mudar.
E como só muda quem sente que vale a pena mudar, nada melhor que apontar uma visão de mudança. Uma ilusão. Um sonho.
Uma visão é sempre uma visão, e, no mundo de hoje, onde o parecer é o que mais conta, então, isso da visão e do sonho é “sopa no mel”. Uma montagem. Um bom marketing. Uma boa estratégia em torno desse binómio: passado e mudar. Uma imagem vende mais que mil palavras. E pronto, foi assim que chegámos à mudança anunciada...aquela que foi paulatinamente mantida, assim como quem afirma – nós é que somos.

Do futuro e do mudar

A análise de conteúdo desta reunião de Câmara, permite pensar que se insere numa nova estratégia que tem vindo a ser cuidadosamente anunciada. Uma nova etapa. O objectivo é colocar ponto final a essa narrativa e a essa percepção do passado e mudar. Essa foi a táctica e a estratégia do passado recente, que permitiu atingir objectivos meticulosamente calculados e pensados. É uma forma de fazer politica. É o século XXI, a politica da arte de vender, o que conta não é o produto é a forma como se coloca o produto no mercado. A politica é o «mercado do poder».

Novo binómio estratégico e comunicacional

Hoje, o tempo da narrativa e percepção em torno do binómio: passado – mudar. Acabou. Por isso já não há ideia do somos, agora vamos ter a ideia do ser. Quem não perceber isto, não percebe o que aconteceu nesta reunião de Câmara, nem as alterações estratégicas que já estão a emergir em novas narrativas comunicacionais.
Enfim, quem quiser podem entreter-se e ler em muitas das entrelinhas, no dito e no inscrito no dito, que aconteceu nesta última reunião, através dos seus diversos alinhamentos, pode, sem dúvida verificar claramente o nascimento do novo binómio estratégico e comunicacional, agora é :futuro – mudar.
Depois de alguns anos com a narrativa em torno do binómio : passado e mudar. Agora, tudo vai girar em torno do binómio: futuro – mudar.
O primeiro acto desta mudança estratégica surgiu com os trabalhadores dos serviços urbanos como elementos estruturantes de uma campanha de mudança de hábitos e forma de fazer cidadania. Não critiquem quem trabalha.
O segundo momento desta estratégia surgiu nesta sessão de Cãmara o dito projecto anunciado para o Barreiro Velho. O novo. O Repara não existiu. Vá lá, existiu o Arquitecto Porfirio.

A senda dos criativos e dos empecilhos

No entanto, deve perceber-se que as ideias centrais da anterior estratégia estão presentes e bem presentes, na nova estratégia.
É assim como quem diz, que não se muda uma estratégia vencedora. Muda-se a forma não o conteúdo.
Continua-se a marcar o terreno entre os que querem mudar, e os outros que pararam no tempo. Os bons e os maus. Infelizmente é isto.
Agora, no novo paradigma, mais que pensar passado o importante é pensar futuro.
Afinal, os maus que no passado impediram a mudança, hoje, continuam a ser os mesmos maus porque são velhos do restelo que não querem fazer futuro, estão contra a mudança.
Enquanto há pessoas criativas que estão a olhar para o futuro, porque é preciso mudar o futuro, há, por outro lado os empecilhos que preferem que tudo fique na mesma e porque não têm visão e vivem com os olhos no passado. O futuro está nos que olham para o futuro. É isso mesmo, belo slogan.

A verdade, é que, por cá estamos, uns anos de narrativas pelos cafés e jardins, e, depois, mais dois anos e qualquer coisa de percepções em torno do binómio – passado/mudar - e, sem dúvida, o que sabemos é que o Barreiro está parado e continua num guetto, sem empregos, perdendo população e continuando a envelhecer e sem que exista uma ideia de cidade.
Agora, de facto tem mais rotundas, a acrescentar a outras rotundas, estas como outras de contrapartidas de investimentos privados, é, talvez por isso, que dizem, convictamente que, está a mudar e está vivo. Sem dúvida é isso mesmo, porque, afinal, circular é viver.

António Sousa Pereira

07.02.2020 - 21:32

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