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Inferências - Barreiro
O paradigma entre os binómios «Passado-Mudar» e «Futuro- Mudar» - II
. Superar o declínio da desindustrialização

Inferências - Barreiro<br>
O paradigma entre os binómios «Passado-Mudar» e «Futuro- Mudar» - II<br>
. Superar o declínio da desindustrialização Devia existir um plano global de revitalização do território do concelho. Pensar esse concelho cidade. Um concelho de lugares e sítios, onde as Juntas de Freguesia em cooperação com agentes locais e município, gerassem vida, o prazer de viver aqui, pelas relações de proximidade e vizinhança.

O Barreiro é uma cidade que parou no tempo, porque a sua realidade económica desenvolvida ao longo de séculos em torno da sua actividade industria e ferroviária, entraram em decadência, perdeu emprego, vida própria e cultura própria.
Tem sido uma cidade resiliente. O Poder Central tem ignorado o Barreiro. O Poder Central sem o qual isto não vai deixar de ser o que é uma cidade sem centralidade. O Poder Local, seja qual for, sem uma estreita cooperação com Poder Central pouco pode fazer. Muito tem sido feito. Quem diz o contrário vende gato por lebre. Todos que por lá têm passado, mesmo os que lá estão hoje, tentam ir fazendo coisas. Fazem o que podem. Mas nada muda sem a resolução dos problemas estruturantes. O resto são filmes.
O imobiliário será sempre passageiro. Tem épocas. Foi assim entre os anos 70 e 90, funcionando como um "tapa buraco" à desindustrialização. Casas para viver. Trabalho no exterior.

Superar o declínio da desindustrialização.

E, continuando estas reflexões sobre ilusões, visões, mudanças, a grande conclusão é que o Barreiro continua como estava há quatro ou cinco anos atrás, sem que existam passos concretos em torno da resolução dos seus principais problemas de desenvolvimento estratégico, medidas activas que contribuam para mudar e superar o declínio da desindustrialização.
Em primeiro lugar o drama da mobilidade para que deixe de estar num guetto. Sem transportes fluviais de qualidade, sem ligações rodoviárias que façam do Barreiro uma centralidade regional – ligação Barreiro/ Seixal e Terceira Travessia do Tejo.

Em segundo lugar a criação de emprego com a captação de serviços e empresas para o Parque Empresarial da Baía do Tejo, nisto o Governo podia dar exemplo, colocando aqui Ministérios; o dinamizar as áreas do sector ferroviário, o valorizar a sua dimensão ambiental, do Tejo e do Coina, a sua zona ribeirinha uma pérola única no estuário do Tejo, que querem delapidar, privatizando o que devia ser um recurso no património municipal e um elemento diferenciador na região. Do Tejo ao Coina. Da cidade poluída à cidade verde.
Só por estes caminhos será possível fixar população ( que continua a perder), abrir nichos a novas áreas empresariais, travar o envelhecimento da população. Isto exige muito diálogo como o Poder Central, exige que o Barreiro seja enquadrado nas visões do PROT- AML.

Promoção de fontes criativas

Localmente, a autarquia devia desenvolver parcerias com escolas, com IEFP, com privados, com associações, para dinamizar estratégias de valorização de nichos, gerar dinâmicas locais, que contribuíssem para lhe dar uma identidade, reconhecimento na região, cultivando a diferenciação, atraindo novos habitantes. O tal Barreiro cidade criativa, com eventos de referência e não ficar pelo entretenimento e consumismo de Feiras de Fumeiro e Festas de Ginja. Olhar para o movimento associativo, na sua diversidade e criar plataformas de cooperação que valorizassem a cidadania e o fazer cidade.
Há tantos criativos, em diversas artes, que podiam ser o embrião de promoção de fontes criativas, de projectos de dimensão regional e nacional. Colocar os serviços da autarquia como parceiros e não como agentes do fazer cultura. A cultura é feita pelos cidadãos. Uma cidade constrói-se com todos.

Revitalização do território do concelho

Devia existir um plano global de revitalização do território do concelho. Pensar esse concelho cidade. Um concelho de lugares e sítios, onde as Juntas de Freguesia em cooperação com agentes locais e município, gerassem vida, o prazer de viver aqui, pelas relações de proximidade e vizinhança. Uma cultura de solidariedade. Uma cidade que dentro de si cultivava o cosmopolitismo e a vizinhança. Existir uma estratégia com o objectivo de disponibilizar em mercado social, ou mercado subsidiado, apoio aos jovens, os milhares de casas que estão fechadas.
A segurança começa numa cidade com vida, com as pessoas nas ruas. As pessoas não se juntam a conviver em rotundas. Apoiar com diálogo intenso a vida associativa. O que está sendo feito na antiga zona do campo do Luso é um absurdo ( como alguém me dizia, até a Loja vai ter a parte de estacionamento e as zona de cargas e descargas para a principal rua de entrada na cidade).
Onde devia nascer uma praça, nasce uma superfície comercial. Onde devia nascer uma zona de lazer, constroem-se prédios. Está tudo no PDM. O tal, dos maus, que não tinha visão. Coisas.
Não se pensa o concelho do Barreiro como um todo, gere-se os acontecimentos, não se pensa uma ideia de cidade de Coina ao Lavradio. O que importa é colocar um multibanco em qualquer lado e divulgar, essa mudança. Entretanto, está tudo na mesma.
Não são as rotundas que resolvem estes problemas estruturantes. As rotundas servem para gerar ilusões de mudança, são mera cosmética territorial. Sim, é verdade, servem para sair e para entrar e ganhar minutos. Ganhavam-se minutos, isso sim, se houvesse emprego aqui, vida familiar aqui, foi isso que fez durante o século XX do Barreiro uma cidade única – culta, activa, dinâmica, empresarial, pioneira, de homens e mulheres que, por essa razão, de vivência de vizinhança, cultivaram a palavra Liberdade e o respeito pelas diferenças, por muito que custe a certos paladinos dos novos ismos. Cuidem-se!

Poder Central versus Poder Local

Muitos ignoram, ou querem fazer ignorar, que nos tempos idos, nesses tempos ditos do imobilismo, esteve muitas vezes escrita a palavra esperança.
Aliás, foi num tempo ido e recente, que, de facto, pela primeira vez, em muitos anos após o 25 de Abril, e, após o abandono do Barreiro no seu pós desindustrialização, que o Poder Central colocou de novo o Barreiro na sua agenda.
É que o Barreiro pela sua dimensão territorial e seu enquadramento na região, nunca, mesmo nunca, irá resolver os seus problemas estruturantes, sozinho. Não é, nem nunca será a Câmara Municipal sozinha, nem os investidores privados per si, que vão solucionar os dramas estruturantes do Barreiro. Isso é ilusão. Quem diz isso está a enganar, está a vender gato por lebre. O Barreiro tem que ter agentes politicos com dimensão para serem protagonistas de diálogo com o Poder Central. O Poder Central é o principal responsável do Barreiro continuar a sofrer os impactos negativos da desindustrialização. Culpar a Câmara é dar tiros nos pés. Emidio Xavier, soube isso, com o Master plan. Pedro Canário soube com o POLIS. Carlos Humberto soube isso, deste a TTT, passando pelo Terminal, ou pelos territórios ferroviários.
O Barreiro tem quase metade do seu território que é da responsabilidade do Poder Central – da Baía do Tejo, ao território ferroviário. Mata da Machada e áreas ribeirinhas.
Só com uma estratégia em estreita cooperação com Poder Central e com a clarificação do papel do Barreiro na AML e na Península de Setúbal, só assim se faz futuro e mudança. Tudo o resto é ilusão.
Era isso que estava a acontecer, o diálogo com o Poder Central, o manter os dossier’s em aberto – da ponte Barreiro – Seixal; da renovação da frota dos barcos; do futuro do tecido ferroviário. Não era falar e não fazer, era falar para começar a fazer, em parcerias com poder central e privados.
Vieram ao Barreiro. Primeiros Ministros, Ministros e Secretários de Estado. Foram lançadas ideias. Quer nos governos de Passos Coelho, quer nos governos de António Costa. Conversou-se. Existiram avanços e recuos.
Algumas propostas concretizaram-se, caso dos novos autocarros, no governo de António Costa. Ou a caracterização dos territórios e equipamentos ferroviários, no governos de Passos Coelho.
Foram lançadas sementes que permitiram algumas concretizações já realizadas e outras por realizar.
Uma coisa é certa os governos, quer de Passos Coelho, quer inicialmente de António Costa, colocaram o Barreiro na agenda dos Ministérios.
António Costa até veio, cá, prometer a ponte Barreiro- Seixal.
Este é um passo essencial para sairmos do guetto. Trocar a discussão deste assunto, por qualquer benesse do aeroporto do Montijo, é continuar a hipotecar o futuro do Barreiro.
Passos Coelho veio cá e teceu comentários sobre a reindustrialização e o potenciar a Baía do Tejo. Para já nada se sabe e em torno de projectos falados, existe um grande silêncio.
A estratégia de renovação da frota dos TCB, assinada com António Costa, felizmente avançou.
E, até, parece que vamos ter uma lota, para além de ter avançado o protocolo que foi assinado com a Ministra do Mar. Outros tempos. Em que mudar rimava com dialogar.

Barreiro Velho vai mudar

E cá estamos, agora anunciando novos mundos ao mundo. O Barreiro Velho vai mudar. Aguardemos o video. Este, pois, mais um registo que emerge da última reunião de Câmara, talvez mesmo a principal peça da nova estratégia comunicacional, que vai protagonizar nas redes sociais o novo paradigma do pensar e fazer cidade o binómio: futuro- mudar.
Este, diz-se vai-se ser participativo. Talvez a participação comece num inquérito que vai dar 100% dos inquiridos, concordam com o projecto de revitalização do Barreiro Velho. Eu concordo.

António Sousa Pereira

08.02.2020 - 09:58

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