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A(nota)mentos – Barreiro
De rotunda em rotunda enche a rede social o papo
Com tudo isto... «o futuro é aquilo que se vê»

A(nota)mentos – Barreiro<br>
De rotunda em rotunda enche a rede social o papo<br>
Com tudo isto... «o futuro é aquilo que se vê» Inaugurar uma rotunda não não tem nada de anormal, é a democracia a funcionar. É a politica local como é, ponto final. Não vejo qual é o mal. Todos fazem isto. É politica.

Foi no sábado inaugurada a nova Rotunda na Rua da Amizade, onde se encontram os dois concelhos – Barreiro e Moita – numa cerimónia que contou com a presença dos dois presidentes de Câmara.
Pelo facto de, na mesma hora, estar a decorrer no Auditório da Biblioteca Municipal do Barreiro, o lançamento do livro « Com o cheiro das Glicínias», do escritor Carlos Alberto Correia, optei por viver um momento cultural, em vez de ir assistir àquele momento politico-autárquico.
Inaugurar uma rotunda não não tem nada de anormal, é a democracia a funcionar. É a politica local como é, ponto final. Não vejo qual é o mal. Todos fazem isto. É politica.

Mas, fazer de uma nova rotunda uma guerrilha de politica local para demonstrar diferenças, é de quem não tem mais nada para demonstrar que pensa diferente, que faz diferente, que quer diferente.
Uma cidade que se discute em torno do fazer, ou não fazer rotundas, é uma cidade que só se pensa dentro de si mesma.

Uma cidade que é das poucas do país que tem transportes urbanos próprios, hiper valorizar as rotundas como medida mitigadora de politicas ambientalistas, é uma cidade que se fecha dentro de si mesma.

E, por essa razão, fico perplexo que, a propósito da inauguração de uma rotunda, uma simples rotunda, que já estava planeada pelos anteriores executivos municipais do Barreiro e Moita, ambos da CDU, que, afinal, fosse quem fosse que após as eleições viesse a gerir nos dois municipios, este, era um projecto que estava em agenda para avançar, não percebo, e, por isso mesmo, tudo isto parece bacoco e provinciano, tanta conversa que se está a gerar em torno da rotunda.

Foi o novo executivo PS do Barreiro, com o executivo CDU da Moita que concretizaram a obra, programada pelos dois anteriores executivos CDU. Qual o drama? Estão de parabéns. Certamente cumpriram agora, porque há condições financeiras, que não existiram antes. Está feito. Ganhámos todos.

O que incomoda não é a obra, nem sequer a inauguração. O que incomoda e deixa triste é tanta coisa que se diz. Tanta meia verdade. Tanto colocar em bicos de pés. Fomos nós que fizemos. Foi resolvido um problema de décadas. Serão assim tantas décadas?
Ou as conversas direccionadas à critica negativa à personalidade de protagonistas do processo, com ofensas de carácter, nada disso se justifica por uma mera inauguração de uma rotunda.
Não se justifica. Nem faz sentido. As ofensas pessoais, mais tarde ou mais cedo, voltam o feitiço contra o feiticeiro.

Mas, foram tantos os ditos sobre esta importante e imponente obra que fiquei pasmado. Um deles, que me deslumbrou, referia que esta era uma obra que era uma garantia que a CDU nunca mais vai conquistar a presidência da Câmara Municipal do Barreiro. Impressionante!

E segue-se a enchurrada da treta dos aziados, que, pelos vistos, este, nos dias de hoje, é o melhor nível que existe para o debate de ideias. O conceito dos aziados entrou para ficar como adjectivação para as diferenças. Um vocabulário que dá, só por si, a dimensão do elevado nível do debate das ideias. As ideias da cidade Kompensam.

Quando o que marca as mudanças de uma cidade é centrada em torno da discussão das rotundas, isto significa que a politica já não se faz no pensar estratégia. Agora, discute-se o imediatismo e o consumismo.

Uma cidade que coloca as rotundas como centro do seu debate politico é porque é uma cidade que desistiu de debater o seu futuro.

Uma cidade que se discute em torno de uma rotunda, da paternidade de uma rotunda, da capacidade de fazer e realizar uma ou mais rotundas, do tempo que demora a fazer rotundas, e, depois, faz das rotundas tema para análise da sua mobilidade – desligada do pensar os seus transportes urbanos, a criação de ciclovias, a criação de praças públicas e lugares. É uma cidade que não tem estratégia de cidade.

Uma cidade que se discute em torno rotundas, quando as rotundas são os temas de capa, são a noticia no fazer cidade, a cidade é uma cidade que perdeu a sua identidade. Rotundas existem em qualquer cidade, em qualquer parte do mundo.

Quando a politica da cidade é rotunda e a rotunda é politica da cidade, semana após e semana, rotunda após rotunda, então, é porque a cidade perdeu a sua capacidade de ter visão de helicóptero e visão de futuro.

E pronto, para a semana lá virá a discussão da rotunda junto à escola Álvaro Velho, depois a rotunda do ferro velho, na Quinta da Lomba, e, depois a rotunda do Terminal Ferro-rodo-fluvial.
Mais matéria para alimentar as conversas nas redes sociais. Tomem lá seus aziados. Circulem. Embrulhem.
E tudo isto é lenha que alimenta o populismo reinante nos tempos de hoje, reduzindo o debate de ideias à banalidade . É o que temos.
A realidade é que rotundas não criam emprego, nem retiram o Barreiro do guetto.
Entretanto as medidas que deviam, essas sim, unir todos e estarem no centro do debate para pensar cidade, pensar futuro, discutir estratégia e PDM, abordar com Poder Central problemas estruturantes, sobre isso, o silêncio é total.
Pois, ninguém toca na bola, é uma bola continua em fora de jogo.
Com tudo isto não saímos do guetto e... “o futuro é aquilo que se vê”.

Os verdadeiros problemas de décadas, esses sim de décadas, os efeitos da desindustrialização, isso é conversa que não interessa. É vida.
Enfim, cá vamos...isto foi o que me ocorreu, pelo ditos que fui lendo nas redes sociais, a propósito da inauguração da rotunda, planeada pelos executivos CDU/CDU e concluída pelos executivos CDU/PS.
É assim, de rotunda em rotunda enchem as redes sociais o papo. Para a semana há mais...rotundas a nascer.

António Sousa Pereira










17.02.2020 - 17:29

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