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Barreiro escreve-se com a palavra Liberdade
Obrigado aos homens e mulheres que lutaram por Abril!

Barreiro escreve-se com a palavra Liberdade<br>
Obrigado aos homens e mulheres que lutaram por Abril! Festejar Abril é um gesto de gratidão aos muitos homens e mulheres que deram muito de si, sem querer nada em troca, para que hoje, a Liberdade continue a ser a energia que move a nossa história.

Era um tempo calado. Era um tempo de medo. Era um tempo que nos matava, por dentro de morte vivida. Era um tempo de silêncio. Era um tempo de solidão. Tempo de lágrimas. Tempo de palavras engolidas, em seco. Abafadas. Tempo de guerra que matava o amor. Tempo de prisões que matavam a amizade. Tempo de correr, a bom correr, enquanto eles perseguiam e amordaçavam. Tempo de palavras proibidas. Povo. Do povo para o povo. Tempo que pela madrugada levavam os que resistiam. Tempo em que se dizia – “se estás contra és comunista”. Tempo sem tempo para viver. Tempo de um tempo que se escrevia com a palavra sonhar. É assim, em todos os tempos eles, não sabem, nem sonham, como é forte a força de um sonho que dá força à vida. Resistir. Lutar.

E foi nesse dia de Abril, que a Liberdade floriu, desfolhando a madrugada. Um tempo que nasceu renovado, naquela Primavera, naquele dia de Abril. Vinte e Cinco de Abril. Uma data que se inscreve no coração.
Só quem viveu Abril, sente, como é muito diferente o Abril contado, do Abril vivido, e, por isso, a palavra Liberdade tem outro sabor – o sabor da Liberdade.
Abril chegou grávido de três palavras que foram cumpridas. Democracia. Descolonizar. Desenvolver. Foram elas que pariram o tempo que vivemos. O bom. O mau. Nada é perfeito.

Abril não é uma ideologia. Abril é o florir de ideologias. Lutas. Combates. Conquistas.
Todos nós caminhamos muito, mesmo muito, errando, corrigindo, aprendendo, para estarmos aqui, neste século XXI, de pé, de cravo erguido nos olhos, e, com a alegria de sentir a Liberdade a pulsar no coração.
É por isso, só por isso, que todos os anos em Abril, nesta terra Barreiro, terra dos meus filhos, festejo Abril. Festejar Abril é um gesto de gratidão aos muitos homens e mulheres que deram muito de si, sem querer nada em troca, para que hoje, a Liberdade continue a ser a energia que move a nossa história.
Homens e Mulheres presos em Peniche, no Tarrafal, em Custóias, no Aljube, em Caxias, que, sofreram para ver nascer Abril.
Eu vi, com os meus olhos, as cicatrizes vincadas no corpo. Torturas. Marcas no coração. Cicatrizes na mente. Isto dói amigos, isto dói.

Foi belo Liberdade, ver-te nascer, renascer, nascer, renascer, porque a Liberdade é infinita na sua renovação e reconstrução. Basta olhar a história da humanidade.
Foi, neste dia de Abril, este de cravos floridos, que começou esse caminho no viver, sentir, fazer...Liberdade.
Obrigado a todos os que, com a vida, com luta, com sacrifício, deram o enorme contributo para me dar a alegria de viver a Liberdade.

Tudo o resto é a história de um povo...que resiste, insiste, resiste e faz de Abril...memória e história.
O meu país Portugal, será sempre, para sempre, essa realidade que nasceu num rectângulo à beira mar plantado, espalhou-se pelo mundo, abriu as portas da modernidade à história da humanidade.
Depois voltou a reencontrar-se, hoje, aqui, com a sua realidade inicial – o rectângulo à beira mar, agora, voltado para a Europa. Esta é, afinal, uma marca inscrita por Abril na nossa história de um povo com 877 anos de vida.
É por isso que a história de Portugal tem inscrita no seu sangue essa realidade – o que fomos e o que somos, antes e depois do 25 de Abril.

António Sousa Pereira

25.04.2020 - 02:53

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