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A comédia das visões – no centro a Quinta Braamcamp

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A comédia das visões – no centro a Quinta Braamcamp Afinal só temos que dar os parabéns à CDU, por ter feito o PDM que está em vigor e justifica a construção de 185 fogos na Quinta Braamcamp, e, também obrigado à CDU por ter comprado a Quinta Braamcamp que nos vai salvar da crise COVID.

O problema da acção politica nos dias de hoje é que em vez de ideias e ideais, estes valores foram trocados por «estudos de opinião». Por essa razão o confronto de ideias e principios foi substituido por coreografias de confrontos de percepções.
A politica é feita de visões que não são visão de coisa nenhuma, são uma procura de dar resposta ou projectar para a opinião pública, uma eventual visão dos sentimentos recolhidos a partir de estudos de opinião pública. Explora-se os sentimentos do senso comum. Propaga-se os sentimentos do senso comum. Estimulam-se conceitos para dar credibilidade ao pensar do senso comum. Cria-se o inimigo comum.

É um pleno vazio de ideias e de conceitos, o que existe são ilusões de óptica. Mas, estas ilusões de óptica não são acasos, são a forma de explorar as emoções. Gerir emoções é mais prático que gerir ideias. Ideias exigem capacidade de diálogo. Emoções basta ficar pelo conflito futebolistico. Os maus e os bons. Os que querem a união e os que só querem a desunião. Tudo «fait divers».
Não existem ideias, não existe estratégia, existem as visões, projectos avulso, desligados de um modelo de cidade, de uma visão estratégica.
Definem-se palavras chave para em torno delas fazer politiquice, palavras simples que são repetidas, usando para tal diversas técnicas, e que são introduzidas umas vezes de forma subtil, e, outras de forma intencional – os culpados do atraso, o abandono da cidade, o potencial versus a mudança, o envelhecimento da população, a fuga dos jovens, o atrair investimento privado versus muros ideológicas, os que falam e não fazem, os que fazem e não falam, os que não desistem. Nas redes sociais as claques envolvem-se em guerrilhas, também isso não é acaso, faz parte da comédia politica.Enquanto decorre esse campeonato desvia-se a atenção do pensar cidade e do fazer cidadania.

Na vida real é um pouco isto, o que se passa em torno da Quinta Braamcamp. Parece que este é o tema central do futuro do concelho.
Tudo começou com o lançamento da ideia de construção de uma roda gigante, que não foi promessa foi uma visão. A roda gigante já vinha grávida da decisão de vender a Quinta de Braamcamp. Tudo o resto é cenário. Não há qualquer ideia concreta para o território, a base são as ideias antigas plasmadas no PDM. Não há qualquer mudança. As ideias que marcam são sempre as ideias antigas. A visão anunciada era apenas uma visão de óptica. O video.

Agora já não há roda gigante. Agora, até já é a crise COVID que, mais do que nunca justifica a venda da Quinta de Braamcamp. Foi a isto que chegámos.
E como a visão tem que continuar a ser uma dimensão estruturante para «vender a ideia», da venda da Quinta de Braamcamp como uma inevitabilidade, agora a roda gigante já caiu, e, naturalmente, já está outra opção no terreno, a construção de uma «torre de observação» da vista de Lisboa.
E, para colocar a cereja em cima do bolo, é preciso dizer que esta «torre de observação», vai ser quase como a varinha de condão que vai fazer renascer, tal como Fenix, o conceito cidade das duas margens. Enfim, é vida, é politica.

Entretanto, enquanto nos divertimos a discutir a ilusão dos milhões da Quinta de Braamcamp, a criação de emprego, o hotel – finalmente o Barreiro vai ter um hotel - e um campo de futebol. Enquanto andamos nisto. Uma verdadeira gestão de emoções – os bons que querem o desenvolvimento, e, os maus que são os culpados de 40 anos de atrasos. Enquanto andamos neste encher balões. O mundo pula e avança.

A verdade é que passados dois anos nada se sabe da evolução do PDM, não se conhece uma linha de pensamento estratégico para o concelho – é tudo flops.
Não se exige ao governo que tome decisões sobre o território da Baía do Tejo. Não se sabe quando vamos deixar de estar num guetto, sem ponte para o Seixal, ou outras acessibilidades essenciais ao nosso futuro.
E, a verdade, agora, perante a crise actual, esta seria uma altura óptima para o Barreiro se colocar na linha da frente no apontar para a criação da tal cidade de duas margens e promover o nosso potencial – Lisbon.
Enfim, ficamos felizes, afinal, nesta crise, nós, até já estamos à frente com um projecto de investimento de 60 milhões, que vai construir o «Barreiro Novo».

Afinal só temos que dar os parabéns à CDU, por ter feito o PDM que está em vigor e justifica a construção de 185 fogos na Quinta Braamcamp, e, também obrigado à CDU por ter comprado a Quinta Braamcamp que nos vai salvar da crise COVID.
É isto...a comédia das visões.

António Sousa Pereira

03.05.2020 - 20:41

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