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Por dentro dos dias
Respeito. Solidão. Esperança.

Por dentro dos dias<br />
Respeito. Solidão. Esperança. Foi impressionante. Aquela fotografia da Agência Lusa, faz-nos sentir uma profunda emoção. Uma imagem que vai perpetuar este tempo de COVID 19. É uma imagem que vale mil pensamentos, sejam pró, sejam contra.

Olhei aquela imagem e pensei três palavras – Respeito. Solidão. Esperança.

O belo da vida é ter 67 anos e continuar a sentir florir no pensamento poemas dourados. Palavras que dão força ao dia. Palavras que fazem parte da consciência. Acordar e sorrir. Acordar e sentir as palavras a rasgar a aurora, hoje, tal como antigamente, ditas e escritas no pulsar do coração.
Acordar tranquilamente. Acordar serenamente.
Acordar e pensar, um homem pode perder a esperança na humanidade, inquietar-se, incomodar-se, por observar os caminhos que vão sendo percorridos, numa contradição asfixiante, que se sente quotidianamente, ao pensar como foi imensa a evolução cientifica e tecnológica, mas, como continuamos tão humanamente humanos. Gorgianos. Sofistas. Mitológicos.

E, é, neste perturbador e criativo tempo que vivemos, quando acordamos, abrimos os olhos e escutamos os pássaros, sentimos que é a própria natureza, que abre a porta à esperança, porque ela renasce com cada nascer do sol.
É isso, pensamos, a esperança nunca morre, porque a esperança existe viva e pura, enquanto existir amor. A esperança é o lugar onde o amor está semeado, e, nesse lugar cresce e renasce. Para uns esperança pode ser fé. Para outros esperança é apenas esperança. É a diferença entre o crer e o querer.
Acordamos e pensamos, que, afinal, hoje, como ontem, haverá sempre mais humanidade que, aquela que sucumbe perante o deus dinheiro, aquela que cultiva o ódio, e cultiva a desumanidade. Choramos. Acreditamos.

E, talvez, ao mergulhar nestas palavras apetece-me, aqui e agora, prestar a minha gratidão a Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República; a António Costa, Primeiro Ministro, a Assembleia da República e à CGTP- IN, por terem percebido a importância para a vida de um país e de um povo, neste tempo de COVID, de confinamento social, neste tempo em que a esperança ecoa nas ruas ao som de um trompete que pela noite toca a Avé Maria, de Schubert, ou que nas varandas se canta a Grândola para evocar a força da Liberdade. Um tempo que os nossos mortos partem em silêncio. Num tempo que os abraços tocam apenas os olhos.
Sim, quero agradecer o terem proporcionado, com seriedade e transparência, a comemoração de um dia, que, diga-se, não é um dia qualquer, é um dia que faz parte da história da humanidade, nesse seu percurso em busca de um mundo melhor, de melhores condições de vida, um mundo que até pode estar inscrito na Enciclica Rerum Novarum, como nos movimentos mutualistas e cooperativistas, que pela luta, pelo crer e pelo querer, escreveram a palavra esperança, com sangue e luta que levou a história até ao Dia 1º de Maio.

Foi impressionante. Aquela fotografia da Agência Lusa, faz-nos sentir uma profunda emoção. Uma imagem que vai perpetuar este tempo de COVID 19. É uma imagem que vale mil pensamentos, sejam pró, sejam contra.

Olhei aquela imagem e pensei três palavras – Respeito. Solidão. Esperança.
Ninguém consegue ficar indiferente. Toca o coração. Emociona. Faz pensar.
Uma imagem que tem esperança. Uma imagem que tem solidão. Uma imagem que tem calor humano. Uma imagem que tem tristeza.
É uma imagem linda, mesmo linda, mesmo linda. Um registo que fica para nossa memória futura. Uma imagem que faz pensar, pensamentos com lágrimas.
Um registo de um tempo de solidão, de um tempo de amor e de esperança. A esperança que é amor.
Obrigado por terem erguido a bandeira da esperança.
Olhei e pensei, é isso, há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não. Pois, e, é por isso, que a esperança nunca morre.

António Sousa Pereira

Foto - Parabens à LUSA.

04.05.2020 - 13:22

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