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A(nota) mento - Barreiro
É hora de dignificação da vida politica local

A(nota) mento - Barreiro<br>
É hora de dignificação da vida politica local Esta nota é escrita para dar os parabéns, a Vítor Castro Nunes, PSD, Márcia Calafate, CDU, e, Rui Faria, PS, os três de formas diferentes procuraram, ontem, elevar o nível do discurso politico da Assembleia Municipal do Barreiro, que, pode ter um papel de dignificação da vida politica local. Talvez.

Ontem à noite, dia 7 de Maio, decorreu no Pavilhão do Luso Futebol Clube uma reunião da Assembleia Municipal do Barreiro, um dos temas centrais era o debate em torno da «Resolução Fundamentada Quinta Braamcamp», de contestação à Providência Cautelar de contestação á alienação da venda da Quinta de Braamcamp

A intervenção de Vítor Castro Nunes, deputado do PSD, alertando para que exista prudência sobre esta matéria, apelando ao executivo municipal para que, com serenidade, aguarde a decisão do Tribunal, assim como, criticando os autarcas socialistas de “falta de vontade ouvir os outros” sobre esta matéria da Quinta de Braamcamp, foi um dos momentos de referência na reunião, trazendo para o debate, a reflexão com ideias e valores politicos.
O deputado social democrata expressou, até, a sua concordância com a opção da Câmara Municipal, mas, na sua opinião, fica claro que existe precipitação sobre este assunto, aliás, na declaração de voto do PSD, essas criticas são aprofundadas, sublinhando-se que esta decisão da autarquia de venda da Quinta Braamcamp, não conta com um estudo, um projecto, ou uma estratégia territorial.
Refere o PSD que, esta decisão de venda, pode ser uma forma de o concelho do Barreiro do Barreiro, perder uma oportunidade de ter um território de referência, ao nível nacional e até ao nível europeu, nomeadamente para ser um destino de turismo sénior.
No entanto, o PSD, apesar de ter esta opinião critica, muito boa e com visão estratégica, depois, opta pela abstenção cedendo desta forma ás opções de venda da Quinta Braamcamp. Dá uma no cravo outra na ferradura.

Outra nota de relevo nesta reunião da Assembleia Municipal do Barreiro, foi a brilhante intervenção de Márcia Calafate, deputada da CDU. Esta foi uma intervenção histórica da CDU, uma intervenção que vai ficar para memória futura.
Uma intervenção que desmontou as fragilidades da «Resolução Fundamentada» que considerou ser uma manta de retalhos, não ser factual, nem rigorosa, nem isenta, com um conteúdo neo-liberal e contendo textos plagiados.
Uma intervenção que trouxe a debate um discurso politico elevado, de confronto de ideias sobre o território da Quinta de Braamcamp, sobre a cidade e sobre o concelho. Uma intervenção que merecia um contraponto politico de igual dimensão. Mas não teve.
Marcia Calafate trouxe para a Assembleia Municipal, com esta intervenção o mérito de elevar o discurso politico, expondo diferenças, e, formas de perspectivar o futuro do concelho do Barreiro, desmontando os discurso de banalidade politica de bons e maus, de anticomunismo primário. Muito bom.

Rui Faria, deputado PS, teve uma intervenção meritória, marcou o terreno de reflexão dos socialistas sobre a decisão de venda da Quinta Braamcamp e recordou que a Assembleia Municipal do Barreiro, não é um Tribunal.
Teceu os argumentos politicos que estão plasmados na resolução fundamentada, nomeadamente, o facto de estarmos numa espiral de recessão económica há mais de 30 anos e sendo esta um oportunidade de capitalizar o muinicipio.
Foi uma intervenção serena, mais num plano de jurisprudência, que no plano politico, mas foi positiva e deixou claras as opções do executivo municipal.

De referir que o Bloco de Esquerda tomou a opção de votar contra, expressando concordância com as posições de Vítor Castro, PSD, e expressando alguma inquietação sobre a pressa de decidir sobre esta matéria.O PAN votou contra.

Os argumentos do executivo municipal foram os mesmos de sempre que a decisão de venda da Quinta Braamcamp, vai atrair investimento, vai criar emprego, vai ser uma decisão positiva com ganhos acrescidos e contributos para requalificação do Barreiro, e, agora, com a crise fruto do COVID esta venda vai ser a alavanca para relançar a economia do concelho do Barreiro.

Talvez, referenciar que esta discussão em torno deste ponto da venda da Quinta de Braamcamp, fez emergir algumas das ideias estratégicas que vão marcar a dinâmica politica local nos próximos tempos e, até, as linhas de força da próxima campanha eleitoral das autárquicas. Estão lá claras e muito objectivas as ideias -força.
Umas recauchetadas, um pouco mais do mesmo, o PS. Outras com sinais de criatividade, PSD. Outras a libertar as amarras das grilhetas para onde foi empurrada, a CDU. Outras a ver o que isto dá, é preciso é calma, o PAN. Outras, vamos lá ver, pois, talvez, claro, a gente não tem nada a ver com isto, o BE.

Há outros aspectos de narrativas da reunião que, digo-vos, opto por não comentar. Foram de grande fragilidade. Dar-lhes significado é dar-lhes conteúdo, quando não passam de um vácuo de ideias, clichés, slogan’s. Freud, explica isso.

Esta nota é escrita para dar os parabéns, a Vítor Castro Nunes, PSD, Márcia Calafate, CDU, e, Rui Faria, PS, os três de formas diferentes procuraram, ontem, elevar o nível do discurso politico da Assembleia Municipal do Barreiro, que, pode ter um papel de dignificação da vida politica local. Talvez.

António Sousa Pereira

08.05.2020 - 10:56

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