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O meu último reduto para sonhar
Com as palavras – Liberdade. Paz. Solidariedade.

O meu último reduto para sonhar<br>
Com as palavras – Liberdade. Paz. Solidariedade. Acredito que a Europa, e que esta, tem que ser capaz de cumprir o seu papel e ser uma referência, neste mundo, cada vez mais marcado pela globalização que, hoje, é mais mundialização.

É por isso que, enquanto sentir que a Europa, onde, com todos os defeitos e virtudes o meu país se inscreve, esta também uma conquista de Abril, cá estarei na barricada da luta pela Liberdade, pela Paz, pela Solidariedade.

É este mundo que eu acredito. É este mundo que eu quero ajudar a construir.
Um mundo que se escreve com as palavras – Liberdade. Paz. Solidariedade.

Um mundo de cidadania que respeita as diferenças. Um mundo que olhe para um exemplo de uma unidade na diversidade, esta Europa de povos, de cidades, de respeito pelas diferenças.
Um mundo onde o ser humano não sufoque o outro ser humano, pela ganância, pelo dinheiro.
Um mundo com uma cultura que respeite os Direitos Humanos, os Direitos da Natureza, o direito à diferença, sem raiva, sem ódio, onde o a democracia seja o caminho de construção e não de destruição.
Um mundo de Liberdade.

Um mundo que queira aprender, e, com essa aprendizagem, não voltar a cometer os erros da história, de estigmas, de perseguições racistas, de morte de milhões, de destruição.
Um mundo que olhe as memórias de Anne Frank. Um mundo que olhe as memórias Auschwitz.
Um mundo que sinta com a energia que nasce do quadro de Guernica.
Um mundo de Paz.

Um mundo que seja solidário, essa solidariedade que nasce nas relações de vizinhança, no fazer cidade e fazer cidadania.
Uma solidariedade que nasce nessa afirmação de uma cultura que abriu as portas à globalização, que fez nascer mundo, que fez pensar mundo, com raízes no pensamento filosófico grego, com a matriz da cidadania inscrita no fazer cidade romano, com um sentir e pensar mundo que se estende num pensar cósmico judaico-cristão.
Num viver que foi crescendo, transformando, ligando o pensar ao fazer, separando o espiritual do temporal, fazendo humanidade, fazendo a ideia ser matéria.
Um mundo solidário.

Sei, sim sei, que muito está por fazer, sei porque quem o faz é o ser humano. Um ser humano que é, hoje e sempre, o homem e as circunstâncias.
Mas, sei que nesta história, destes povos, que hoje constituem a União Europeia há muito saber acumulado e uma riqueza enorme de saberes e diferenças que são a sua energia e força criadora.
Acredito na Europa.

Ainda acredito na Europa, é, talvez, o meu último reduto para sonhar com as palavras – Liberdade. Paz. Solidariedade.
Sei que há neste espaço a Hungria. Sei que está a Polónia. Sei que está a Alemanha, e, até a Inglaterra que saltou para o lado. E a França que ilumina o seu centro. Sei que o euro tem feito sucumbir, muitas vezes, a solidariedade e o humanismo que são a marca da cultura europeia. Sim, sei.

Mas, hoje, nestes tempos que estamos a viver de cânticos nas varandas, de combate a um inimigo comum, este é um tempo que pode ensinar a abrir novos caminhos. Sonhar. Ainda sonho.
É por isso que senti no meu coração a força e o simbolismo das comemorações do 1º de Maio. Humanismo.
É por isso que acredito que a cidadania não se constrói cultivando o ódio, não respeitando as memórias, espicaçando inimigos de estimação, pela ambição do poder pelo poder.

Acredito que a Europa, e que esta, tem que ser capaz de cumprir o seu papel e ser uma referência, neste mundo, cada vez mais marcado pela globalização que, hoje, é mais mundialização.
É por isso que, enquanto sentir que a Europa, onde, com todos os defeitos e virtudes o meu país se inscreve, esta também uma conquista de Abril, cá estarei na barricada da luta pela Liberdade, pela Paz, pela Solidariedade.

António Sousa Pereira

09.05.2020 - 08:49

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