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Rota 66 – Barreiro
O sabão azul é assim como o algodão...não engana.

Rota 66 – Barreiro<br>
O sabão azul é assim como o algodão...não engana.<br>
E essa coisa de com papas e bolos se enganam os tolos, ou em terra de cegos quem tem um olho é rei, tem limites. Porque, assim como há limites para as gestão de emoções, também há limites para a gestão da inteligência.

Há um ditado antigo que diz qualquer coisa como isto - a mesma água não passa duas vezes pelas margens do mesmo rio.
Há também quem diga que, em equipa que ganha não se mexe.
Bom, estes dois ditos, podem ser o ponto de partida para uma breve reflexão.

Por exemplo, reflectindo sobre o primeiro, podemos pensar que uma coisa dita, serve num tempo dito, ou que uma táctica utilizada serve num confronto concreto, e, como tal, deu os resultados que deu, mas, tal não significa que o mesmo dito, ou a mesma táctica, tempos passados, em circunstâncias diferentes possa produzir os mesmos efeitos.
É que, costuma-se também dizer, à primeira todos caem, e, à segundo cai quem quer...e, também, que pode-se iludir umas pessoas uma parte da vida, mas não se podem iludir todas as pessoas a vida inteira.

No que diz respeito, ao segundo tema de reflexão, a matriz é a mesma, diz-se que numa equipa que ganha não se mexe, que será como dizer que, em discurso que ganha não se mexe.
Pois, mas, afinal, a vida muda, o tempo muda, e, de facto essa coisa de «muita conversa e pouco trabalho», e, obviamente, outras coisas que tais, perdem credibilidade quando na vida real, tudo mudou, mas tudo ficou na mesma, assim com uma espécie do dito - faz o que eu digo, não faças o que eu faço...
E, mais, num tempo que tudo mudou, num tempo que permitia catapultar para a vida o que se diz e o que se faz, fazendo. Com condições objectivas e subjectivas. Optou-se por manter um jogo de espelhos.

O que a história diz é que aqueles que consideram que tudo está garantido e, que tudo está no papo, não sendo necessário ter em conta as mudanças, porque acreditam no futuro anunciado...depois, na vida real, afinal, lá se vai o sonho e o futuro imaginado. Acontece com todos os que se convencem. Sempre foi assim, será sempre assim, é por isso, só por isso, que há quem diga que a história por vezes repete-se. Acontece. É outra história, porque são outros protagonistas, noutro tempo, mas repete-se.
Nada é imutável. O que tem sido real e óbvio, ao longo de décadas, é a realidade pendular. Aquele relógio que marca o tempo. Tic-tac, tic, tac...

O problema é esse o futuro, nos dias de hoje, já não é tão previsível como outrora, nem tudo é tão linear, e, portanto, a vida comprova que nem sempre o mesmo marketing serve para vender o mesmo sabonete, principalmente quando, o sabonete já está usado pelo consumidor, e, quando o consumidor percebe o cheiro, confirmando pela experiência que o sabonete, o dito, tão propagado no seu potencial, anunciado como refrescante, com um novo perfume, afinal, não passava de sabão azul, com um rótulo muito bonito e brilhante.Um mera ilusão de óptica.

Isto, leva a concluir que, quando a pureza inicial anunciada, ou quando o encanto dos jardins etéreos, na vida real são transformados em ilusões, o que acontece, é que tal água que corre nas margens do rio, agora, já não é limpida e pura, é barrenta, e, por muito que se embrulhe e façam anúncios para divulgar o novo produto, verifica-se que nada mudou, antes pelo contrário o que mudou, na verdade, pura e dura, foi apenas tudo o que já estava anunciado e previsto. Tudo o resto foram acasos e circunstâncias.

E essa coisa de com papas e bolos se enganam os tolos, ou em terra de cegos quem tem um olho é rei, tem limites. Porque, assim como há limites para as gestão de emoções, também há limites para a gestão da inteligência.
É, por isso, só por isso, que, de repente volta tudo ao inicial, e pensa-se que embora o sabonete seja o mesmo, basta mudar a embalagem, e, portanto, manter os mesmos ditos, e, a mesma marca. Acredita-se demasiado nos criativos. E, por isso, acham que o sabonete tem qualidade.
Não percebem que embora a realidade seja a mesma, a vida mudou. Esse é o problema que existe para colocar no mercado o mesmo sabonete, com o mesmo marketing. E, agora, já vai ser dificil mudar a estratégia de venda do produto.
Sim, vai ser mais dificil vender o sabonete, com os mesmos ingredientes, até, porque, com as mudanças epocais, hoje, existem outros vendedores de sabonete, e, esses, sem dúvida mais originais.
Sim, são mais originais na produção estética do embrulho, dos slogan´ s e nas motivações. Eles não querem vender sabonete, querem vender um misto de sabonete e sabão clarim. E com clarim, toca a lavar.
Na realidade, com o actual ambiente de promoção de produtos de limpeza que existem no mercado. Vai ser lindo. É assim quem cria ventos, gera tempestades.
E, na realidade, o que se tem vindo a verificar é que a entre a cópia e o original, a opção dos consumidores está em crescendo pelo original, seja ele mais «sabonete» ou mais «sabão clarim».
Ah, é verdade, e aqueles que, entretanto, perceberam que o sabonete era, apenas, e só, sabão azul embrulhado, esses, então, preferem mesmo o sabão azul. Não vão atrás do sabão clarim, porque tem fragrâncias que se diluem rapidamente. Mas, há muitos que usavam sabonete, agora, não se importam de mudar para clarim. Tudo depende do preço e da crise. Vão atrás do cheiro. É vida.
Isto vai ser uma confusão de venda de sabonetes.
E, afinal, a verdade, é que o sabão azul é assim como o algodão...não engana.

S.P.

11.05.2020 - 17:35

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