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Inferências - Barreiro
Quinta do Braamcamp : há mais vida para além do IMI.

Inferências - Barreiro<br />
Quinta do Braamcamp : há mais vida para além do IMI.<br />
A Quinta do Braamcamp tem sido um tema central na vida local, nomeadamente nos órgãos autárquicos do concelho do Barreiro, particularmente na Câmara Municipal do Barreiro, onde, nos dias de hoje se centra o debate politico. Vivemos numa cidade de politica municipalizada. Parece, por vezes, que não há mais vida para além do que se vive em torno do que faz ou do que diz o Poder Local.

Por essa razão, é positivo que o tema da Quinta Braamcamp, tenha sido transportado para debate para espaços fora da vida autárquica. Isso foi possivel, graças à acção de um Movimento de Cidadãos – Plataforma Braamcamp é de Todos, que conta com a participação de cidadãos interessados em pensar cidade e fazer cidadania.
Este Movimento avançou com uma Providencia Cautelar visando travar a decisão de venda, assumida pelo executivo municipal que foi deliberada com os votos favoráveis do PS, abstenção do PSD e votos contra da CDU.
Sobre esta decisão juridica, na última reunião de Câmara foi dito que, o PCP meteu um processo juridico à autarquia. É importante que se diga, que isto não é verdade.
Aliás tem sido uma prática permanente, pelo facto da CDU estar contra a venda, os defensores da venda fazerem uma colagem do Movimento dos cidadãos ao PCP, quando, sabe-se, na verdade, este movimento conta com a participação de pessoas oriundas de diversas áreas de pensamento com, e sem partido, assim como com o apoio e colaboração de figuras históricas e prestigiadas do PS, nomeadamente, Madalena Alves Pereira.
A estratégia de ligar este movimento ao PCP, visa colocar o PCP, como sendo o centro da contestação, visa gerar estigmas e dar continuidade ao pensamento que inundou as redes sociais dos bons e dos maus, sendo regra geral os maus – os comunistas nada fizeram pelo Barreiro. Os culpados.

Isto até seria uma tema de abordagem e reflexão interessante, um caso de estudo, se após cerca de três anos da gestão do actual executivo se deslumbrasse uma linha condutora de acção, de intervenção na cidade, de pensar a cidade, que se distanciasse da gestão do PCP.
O facto é que nestes anos o que tem sido feito, pelo actual executivo, ou já estava em marcha na anterior gestão, ou estava em fase de conclusão.
Não se vislumbra uma linha de pensamento diferenciador, antes pelo contrário, assistimos a um retrocesso civlizacional, sendo a Quinta Braamcamp o exemplo pragmático, quando se quer avançar com a implementação de uma urbanização na frente ribeirinha, que tem como suporte o PDM em vigor, que foi ao longo de anos amplamente criticado, pela sua excessiva carga demográfica, e, que, sem dúvida, está ultrapassado pela evolução de conceitos urbanos no pensar e no fazer cidade, assim como pelos novos fenómenos mundiais.

Pronto. Cá estamos, na razão central que motivou este meu texto.
Já o escrevi e volto a repetir a questão Braamcamp, neste século XXI, tem a mesma importância que teve o tema ETRI no século XX.
A ETRI despoletou a necessidade de se pensar o território da antiga CUF, a sua abertura ao território urbano da cidade, o pensar a sua reindustriaçlização, ou seja, pensar aquele território como central para pensar o Barreiro do futuro – terra para viver e para trabalhar, como foi desde o século XIX.
A ETRI abriu o debate que deu origem a um primeiro esboço do arquietcto Manuel Salgado. Seguiu-se o sonho de Emidio Xavier, instalar serviços, Ministérios, nasceu o Masterplan. Até existiu o sonho da Cidade do Cinema .O Poder Central colocou os olhos no Barreiro e pensou Arco Ribeirinho Sul.

Depois, Carlos Humberto deu continuidade a essa visão. Deu-se o passo de abrir o território à cidade. Nasceu o sonho do Terminal Multi Modal. Fez-se a ponte do território da CUF com o território ferroviário. Sonhou-se a Terceira Travessia do Tejo. Sonhou-se a ponte para o Seixal.
Em suma para dar futuro ao Barreiro duas ideias eram centrais – retirar o Barreiro do guetto, melhorando a mobilidade e acessibilidades, pois esta é a única forma, nos tempos de hoje – que o tempo é dinheiro – de criar condições para atrair empresas, e, assim, potenciar os territórios visando gerar emprego.
Para um futuro inovador as acessibilidades e a empregabilidade, valem mais, muito mais, que a habitabilidade.
E, isto, quer queira, quer não queiram passa pela capacidade de reivindicação, pela exigência ao Poder Central que olhe para o Barreiro.
O Barreiro tem que entrar na agenda da AML e do pais, e não pode, nem deve, continuar a ficar com as migalhas, seja do eventual aeroporto do Montijo, seja dos sobejos dos amplos investimentos das zonas ribeirinhas da margem norte do Tejo, de Sacavém a Oeiras.
O Barreiro tem que ter visão própria de cidade e bater-se com força pela sua diferenciação. O seu mote deve centrar-se no pensamento estratégico do PROT- AML. O resto é treta.

É por essa razão que o Barreiro não pode ficar submisso de um PDM, este que está em vigor, que reduz o território a uma urbe que aponta para cerca de 200 mil habitantes. Um espaço urbano como Amadora, Loures, Odivelas.
Sim isso vai dar IMI, vai dar taxas de urbanizações, vai manter a autarquia como o centro polarizador da vida local, mas, retira ao concelho o seu potencial, anula o Barreiro a um mero espaço de especulação imobiliária, e nunca mais vai voltar a ser uma terra de trabalho e para viver. Que alguns com ar de superioridade dizem ser saudosismo.

O nosso actual tecido empresarial, ficou claro na última reunião de Câmara é baseado em micro, pequenas e médias empresas. As receitas da Derrama provam isso, e, por este andar, assim vai continuar, porque a visão é o imobiliário, é habitação.

A última reunião de Câmara deixou claro que existem duas visões de futuro para o território do concelho – uma que quer potenciar as suas capacidades, desde o seu potencial ribeirinho de Alburrica à Mata da Machada, um nicho ambientalista, diferenciador, capaz de ser uma referência única na AML, gerador de emprego e de dinâmicas sociais. Estabelecendo diálogo com o Poder Central. Abrindo caminhos de futuro. Reconvertendo o espaço urbano. Uma cidade única no estuário do Tejo que tem um parque ambiental dentro da cidade, basta pensar a obra que foi feita em Alburrica e aquela que está a ser feita – projectada pelo anterior executivo – de ligação do Parque Catarina Eufémia a Alburrica, ou, em breve, na Doca Pesca da CP.

A outra ideia, é essa, que só pensa imobiliário, que já está a nascer em torno da criação de uma urbanização na Quinta do Braamcamp.
O desenvolvimento do Barreiro que passa por urbanizar – está no PDM. Em breve, por este caminho, iremos ouvir falar da urbanização das Oficinas da CP, prevista neste PDM, em vigor.

É por isso que o debate em torno da Quinta do Braamcamp é importante e vai ser uma marca decisiva para o futuro do Barreiro. O resultado deste debate vai determinar as opções estratégicas para pensar, para fazer cidade.
Esta uma discussão que devia ser mobilizadora, porque é do interesse de todos, mas tem sido inquinada, criando um clima de bons e maus, não tem envolvido a comunidade, forja-se estigmas, lançam-se clichés de abandono.
Os bons, os defensores afirmam que vai nascer um projecto que vai criar ali o «céu na terra», com um “toque de veneza".
Os outros, os «maus», são os que não querem o progresso, são os que travam a vinda de investimentos, os que querem manter aquele «inferno», o estado de abandono, que é real, por opção do actual executivo.

Nunca é demais repetir, aquele território, é património municipal apenas desde Dezembro de 2016. E, o anterior executivo avançou com uma candidatura a fundos europeus, que foi aprovada visando a intervenção no Moinho e na valorização do espaço, mais de 2,5 milhões de euros. É pena que não tenha avançado. Isso sim é abandono!

Em conclusão, a Quinta Braamcamp, é central e, sem dúvida, o que acontecer naquele território, será a referência que irá manter o pensamento estratégico da revisão deste PDM, em vigor e ultrapassado.
O contrário será gerar um novo pensamento de cidade, que seja capaz de pensar que há mais vida para além do IMI.

António Sousa Pereira

22.06.2020 - 23:35

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