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Inferências – Barreiro ´
Alfredo da Silva – Cidadão Honorário do Barreiro

Inferências – Barreiro ´<br />
Alfredo da Silva – Cidadão Honorário do Barreiro De uma vez por todas fazer esta ponte entre o passado e o futuro, unindo os barreirenses, fazendo renascer esse orgulho de ser barreirense que, sem dúvida, está indissociavelmente ligado às gerações que viveram, aprenderam, cresceram, pelo trabalho e pela cultura herdada na fábrica que se escrevia com a palavra solidariedade.

Emídio Xavier, quando exerceu o cargo de Presidente da Câmara Municipal do Barreiro, um dia, quando da apresentação de um livro com a biografia de Alfredo da Silva, afirmou “não há outro concelho que justifique mais a apresentação de um livro sobre Alfredo da Silva”, pela relação que existe entre a cidade e o homem.
“Não é possível falar de Alfredo da Silva sem ter o Barreiro como fundo, já que a historia do Barreiro se prende ao espírito empreendedor da Alfredo da Silva”.
Referiu ainda que a biografia de Alfredo da Silva - o Homem, o Barreiro, a História do séc. XX - “ajuda a compreender o nosso orgulho em ser barreirenses”.

Quando das comemorações do Centenário da CUF Sardinha Pereira, da Administração da Quimiparque recordou que foi no dia 19 de Setembro de 1908 que foi inaugurada a primeira primeira fábrica, da CUF, no território do Barreiro. O inicio da actividade da CUF no Barreiro remonta ao ano 1907.
O centenário foi assinalado com um vasto programa que envolveu a Quimiparque, a Câmara Municipal do Barreiro e os familiares de Alfredo da Silva, através do Grupo Mello, que constituíram a Comissão Organizadora.
Sardinha Pereira, recordava que foram os terrenos da parte ocidental, ligados à indústria de cortiça e a existência de Porto Maritimo, que tiveram grande importância na decisão de Alfredo da Silva de instalar o complexo industrial, que se transformou de uma referência para o páis e o de maior dimensão na Península Ibérica.

A vereadora da Cultura da Câmara Municipal do Barreiro, Regina Janeiro, no encerramento do Colóquio – “A Industrialização em Portugal no Século XX - O Caso do Barreiro”, salientou a importância das memórias que «consubstanciam os 100 anos de convivência ente a CUF e o Barreiro”, acrescentando que “um e o outro estão irremediavelmente ligados”. Realçou a importância do papel dos operários e da “resistência e luta” que se respirava e “da ligação simbólica que se cimentou entre o industrial Alfredo da Silva e a cidade”.
A autarca salientou que um território que “há 100 anos atrás representava o futuro” tem que voltar a assumir esse papel”, pela centralidade privilegiada da Quimiparque no estuário do Tejo e de frente para Lisboa.
Referiu que o antigo território industrial, tem que ser no futuro um “pólo do progresso, do desenvolvimento, da cultura e do emprego”, assumindo os cerca de 300 hectares da antiga CUF um papel central na construção da “cidade de duas margens”.

Recorde-se que do Colóquio – “A Industrialização em Portugal no Século XX - O Caso do Barreiro”, organizado em colaboração com a Universidade Autónoma de Lisboa, foram dois dias de trabalho, que contaram com 27 comunicações feitas por especialistas e investigadores de diversas áreas, engenheiros, arquitectos, filósofos, investigadores e museólogos, que trouxeram a “lume” várias perspectivas, com debates acalorados e emotivos.
Um Colóquio que deixou em aberto a pistas para próximas investigações, nomeadamente da realização de biografias de operários, sublinhando a importância do homem no centro da história e realçando a importância da história oral.

Leal da Silva, representante neste Colóquio do da CUF SGPS, considerou o colóquio foi uma iniciativa em que se levantaram factos, conhecimentos e reflexões e “pontos de vista diferentes” de uma terra que entende ser um “caso singular”.

A Fundação Amélia de Mello deu início a um programa de comemorações dos 150 anos do nascimento de Alfredo da Silva, que vai decorrer durante um ano, de Junho de 2020 a junho de 2021, um programa que envolve várias iniciativas essencialmente ligadas à investigação, educação e cultura.
O programa visa a divulgação e reconhecimento histórico da vida e do legado empresarial de Alfredo da Silva, criador do Grupo CUF, e exemplo muito marcante de empreendedorismo, exigência e ambição, que tem hoje continuidade nos projetos empresariais dos seus sucessores.

Foram assinados dois dois protocolos, com o Ministério de Educação e com a Associação dos Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo, relativo a um concurso dirigido às escolas e aos estudantes do ensino básico, secundário e profissional, no ano lectivo de 2020/2021, visando estimular os alunos a desenvolver trabalhos sobre a personalidade de Alfredo da Silva.
Este, talvez, um concurso importante para motivar os alunos de diversos escalões de ensino do concelho a conhecer o Mausoléu, a sua história e mitos. Um oportunidade para ligar a escola ao Museu Industrial e ao Espaço Memória.
Uma oportunidade para que se conheça Alfredo da Silva e a sua importância e papel na história do Barreiro e de Portugal. Olhando a época, as suas realidades. Acima de tudo, pondo de lado as permanentes quezílias de querer usar a memória e a obra de Alfredo da Silva para dividir os barreirenses. Sendo os maus os que criticam Alfredo da Silva, e os bons os que fazem a apologia de Alfredo da Silva.

Sou dos que considera, pelo que tenho lido e escutado, recordo uma das pessoas que me entusiasmou escutar a falar da CUF, principalmente, a partir dos anos 70 e após o 25 de Abril, foi Gilberto Gomes, um grande investigador da história da CUF. Os mitos. Os muros ideológicos, que são tantos de esquerda e direita.
Há muito para investigar e muito para esclarecer sobre o «império CUF« no Barreiro, mas, sublinho que nada disto tem a ver, nem com a obra, nem com a realidade histórica que levou um homem – Alfredo da Silva a optar pelo Barreiro ( podia não ter sido o Barreiro, esta foi a escolha final) e, aqui, ser criativo e construir uma obra única, iniciativa de um privado, num país, habituado a viver do estado, dependente do Estado, construiu um império – de modelo industrial, de cultura de fábrica, de afirmação de Portugal no mundo.

Esta é a realidade. Alfredo da Silva é um nome indocissiável da história do Barreiro. O Barreiro só tem a ganhar se potenciar este nome para a sua história, ligando o passado ao futuro, neste tempo que tanto se fala em reindustrialização e, nós, nesta margem sul do Tejo, somo o potencial único para ligar Lisboa ao Mundo e dar-lhe uma dimensão metropolitana e europeia.
Olhem construam a Terceira Travessia do Tejo e atribuam-lhe o nome de Alfredo da Silva, ele, que nasceu Lisboa,mas que afirmava : “ Sinto-me mais seguro no Barreiro do que em qualquer outro lugar”.
E, por mim, até via muito bem que no próximo Dia da Cidade, do ano 2021, fosse atribuído a Alfredo da Silva , a distinção de Cidadão Honorário do Barreiro, a título póstumo.
De uma vez por todas fazer esta ponte entre o passado e o futuro, unindo os barreirenses, fazendo renascer esse orgulho de ser barreirense que, sem dúvida, está indissociavelmente ligado às gerações que viveram, aprenderam, cresceram, pelo trabalho e pela cultura herdada na fábrica que se escrevia com a palavra solidariedade.
Ainda acredito, que o futuro pode e deve passar pelo território da Baía do Tejo – antigo território da CUF - esta seria, ainda, a maior homenagem ao empreendorista que olhou para esta terra e, um dia, viu e deu vida ao potencial do seu território, aberto ao mar e ao mundo ferroviário.

António Sousa Pereira

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06.07.2020 - 20:59

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