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A(nota)mentos - Barreiro
Rotunda da União : uma unidade envenenada

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Rotunda da União : uma unidade envenenada Esta, certamente, vai ser uma chama que vai continuar alimentar essa narrativa que reduz a politica local a um mero confronto de discursos de futebolês e manobras de diversão. Foi penaltie. Ele derrubou. Foi falta.

Quando no dia 31 de Janeiro de 2020, observei aquele pomposo video, a anunciar a dita «Rotunda da União», e, sendo sublinhado que naquele espaço urbano estava implantada uma peça escultórica que tinha como objectivo - “simbolizar a união de todos os barreirenses”. Fiquei estupefacto e com um grilo a cantar por trás da minha orelha. Coisas. Aquelas coisas que nos levam a pensar em «gato escondido com rabo de fora».
Lá estava, na dita »Rotunda da União», uma peça escultórica, que, nos tempos de hoje é arte, mas se fosse noutros tempos seria, certamente, um «mamarracho». Um agrafe? Uma rampa de skate? É arte, pronto.

Na altura fiquei a interrogar-me sobre esse súbito emergir de um sentimento politico com a finalidade de “unir os barreirenses”, isto, num tempo que, na verdade, a vida politica local está marcada por «azedos» e «aziados», num tempo em que tudo se fomenta tem sempre uma cultura assente num modelo de pensar que, o que não mexe é democrata – os que estão com o regime - e tudo o que mexe é comunista – porque estão contra, ou criticam o regime. Um tempo em que as reuniões de Câmara são um permanente confronto entre o abandono do passado e as mudanças em cadeia do presente. Os que fazem. Os que nada fizeram.

Fiquei a pensar, porquê, hoje, neste ano 2020, este desejo de «unir os barreirenses», quando o que se assiste, nesta terra que lutou pela Liberdade e pela Democracia, desde há alguns anos para cá, tendo começado anos antes das últimas eleições autárquicas, e, continuado após essas eleições autárquicas, vivermos num clima politico de constante crispação, por vezes, com mais agressividade e desconforto que aquele que foi vivido em tempos de PREC.

Um tempo que alguns definem como o “desconstruir” e fomentar um culpado de todos os males do Barreiro. Os comunistas. Culpados do envelhecimento, da perda de emprego, da fuga dos jovens, da fuga de investidores.

Na altura, o dito monumento da «União» cheirou-me a esturro. Indignei-me interiormente. Engoli em seco.
O sentimento que tive sobre aquela «Rotunda da União», é que, de facto, o objectivo não era contribuir para unir os barreirenses, para mim, este não era mais que mais uma pedra do «marketing politico» que tem por base essa estratégia do fomentar os bons e maus. Um pensar pequenino. Um pensar de ajuste de contas. Sei que não gostam, desta minha opinião. Paciência.
É o meu sentimento, cá do fundo do coração. Nunca vi tanta crispação na vida politica local.

Esta «rotunda da união» para mim era mais uma «prenda armadilhada» dessa teoria que está imbuida de uma percepção marcada de uma certa presunção de superioridade moral, essa, que, antigamente acusavam os comunistas, e, agora, neste século XXI fazem o mesmo.
Não são visões diferentes do mundo. Não são opções diferentes de cidade e cidadania. É guerrilha urbana.
De um lado estão sempre os bons, do outro de outro lado estão sempre os maus.
Os bons que querem o aeroporto do Montijo. Os maus que não querem o aeroporto do Montijo.
Os bons querem o «toque de Veneza» na Quinta da Braamcamp, os maus querem que aquilo continue naquele estado de «abandono». E, por aí fora, nesta mediocridade de fazer politiquice que tem por base manter muros ideológicos.
Essa narrativa discursiva dos bons que fazem, dos maus que só planificam, os bons do «saber fazer» dos maus que só sabem falar e nada fazem, nem nunca nada fizeram, dizendo isto sem sorrir, até dói..
E, depois, surge esta treta da união, numa cidade que exclui vereadores de ter pelouro, apenas por razões de ordem politica e por exclusão politica. A União faz-se na prática, e, de facto, é na prática é que se vê o que une e o que não une.
Porque, como diz António Costa, o PSD, não tem peste, mas no Barreiro a CDU, afinal, parece que tem peste. Aqui a gerigonça foi para a gaveta. Coisas.

Pensei tudo isto e muito mais quando vi nascer essa «Rotunda da União», porque quando uma cidade que, durante décadas teve a «festa da ginja de natal», essa, sim, que unia todos os barreirenses, nas sua diferenças e conviviam pela amizade, se, afinal, nos dias de hoje, precisa de erguer uma «rotunda da união», para unir todos os barreirenses é porque algo vai mal nessa dita união.
Será que subitamente se deu um processo quimico de desunião da comunidade barreirense e da sua coesão social? Interroguei-me.
Na altura, decidi não escrever e ficar no silêncio. Dei o benefico da dúvida. Vamos lá ver o que isto vai dar...

Mas, agora, notei que, de novo, a dita «Rotunda da união» volta a ser noticia, é, com pompa e circunstância, entre o drama e a ironia, o tema de abertura da última reunião de Câmara.
O vandalismo. E a sua recuperação. Imponente. Até penso coisas que pelo mundo aconteceram nos anos 30.

E, com ar solene e só faltou o dedo a apontar, ali foi salientado, a guerra contra os vândalos. Eles que fiquem sabendo se voltarem a vandalizar, ela voltará ser reconstruida.
É isso, afinal, a rotunda da união já está transformada no «mamarracho» da desunião.
Os maus vão atacar pela noite e destruir. Os bons em pleno dia vão reconstruir.
Por isso, aquilo que não escrevi em janeiro, decidi escrever, hoje, aqui e agora, porque o que pensei está a emergir...a rotunda da união já está gerada com um símbolo de guerrilha politica. O terreno onde os bons e os maus vão confrontar-se, e, até quem quiser divertir-se com estas quezilias pode lançar achas para a fogueira.
A rotunda da união vai dar pano para mangas.

Esta, certamente, vai ser uma chama que vai continuar alimentar essa narrativa que reduz a politica local a um mero confronto de discursos de futebolês e manobras de diversão. Foi penaltie. Ele derrubou. Foi falta.
E, entretanto, enquanto se discute a rotunda da união, e são tecidas conjecturas sobre os atacantes da união e os defensores da união, a vida vai correndo, alimenta-se o clima de crispação. Inventam-se umas tretas sobre possiveis autores. Há por aí uns rapazinhos peritos em montar e desmontar noticias falsas.
E cá vamos... quanto ao resto, o PDM zero. Ideias estratégicas para o concelho zero, Como colocar o Barreiro no Plano Estratégico Nacional e que exigir do Poder Central, zero.
Afinal, a venda da Quinta Braamcamp vai resolver tudo, vai trazer investidores e emprego, e turismo e o tal toque, muito especial, que vai fazer do Barreiro a Veneza do Tejo.

A realidade é que esse pessoal que está contra a «união», esses, sim esses, são verdadeiros velhos do restelo, que nem querem união, nem deixam os barreirenses unir-se...mauzões!

António Sousa Pereira

25.07.2020 - 16:51

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