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Barreiro - A(nota)mentos
Nesta terra ferroviária a TTT seria a ponte com a via férrea do futuro

Barreiro - A(nota)mentos<br>
Nesta terra ferroviária a TTT seria a ponte com a via férrea do futuro Coisas que pensei ao sentir que, de facto, cada vez mais o Barreiro vai sendo desconstruído, com clichés, de «centralidades» e «abandonos» ao mesmo tempo que se resigna...à «cultura do fomos».

O Ministro das Infraestruturas, numa declaração publicada no jornal «Público», sublinha que – “a melhor forma de mobilidade é o comboio pesado ir ao centro da cidade”.
Neste mesmo trabalho jornalistico salienta-se que “dez estações concentram 38% dos passageiros de todo o país”.
Refere-se que há 528 estações e apeadeiros na rede ferroviária portuguesa que movimentam 24 milhões de passageiros por mês.
Regista-se que as três estações com maior movimento são as que servem o centro urbano das cidades – Cais do Sodré, Rossio e São Bento.
Com maior fluxo de passageiros refere-se estão no topo as capitais de distrito com a rede ferroviária mais inserida na malha urbana, entre elas Setúbal.
“Se no século XXI continuam a ter o maior número de passageiros, é porque o futuro deu razão a quem entendeu que o caminho de ferro devia chegar ao interior dos núcleos populacionais, administrativos, politicos e empresariais, escreve Carlos Cipriano, jornalista do Público.

Carlos Cipriano, em outro artigo, que regista o facto de os comboios do Algarve, ainda nos dias de hoje, estão “condenados às mesmas velocidades do século XX”, recordando que “longe vão os tempos que era possivel embarcar no comboio em Vila Real de Santo António, na estação no centro da cidade, mesmo ao lado do Guadiana, e viajar directamente para o Barreiro ( na altura não havia comboio na Ponte 25 de Abril).”

Ao ler estes textos ocorreu-me esta realidade que marca as últimas décadas do século XX, a partir dos anos 70, no concelho do Barreiro, que além de ter sentido de forma dolorosa o processo de «desindustrialização» – do território da antiga CUF, que arrastou consigo o processo de «descormecialização», encerramento de dezenas de lojas e serviços, também, este concelho sofreu a «desferroviarização», com encerramento de Oficinas e seu isolamento da rede ferroviária, após a construção da via férrea na Ponte 25 de Abril.

O Barreiro se no século XIX, e, até aos finais do século XX, foi um polo ferroviário de referência nacional, actualmente, a sua importância nesta área e minimalista.
O Barreiro foi ferroviário. E, tenho dúvidas se, pela cultura da cidade do betão, actualmente dominante, a qual está inscrita no PDM em vigor, certamente, o que vai acontecer é dar-se continuidade a essa criação de «centralidades» - leia-se criação de rotundas e betonização do espaço urbano – pondo-se fim aos «vazios urbanos», e aos «espaços ao abandono» em redor da via férrea e antigos espaços ferroviários. O PDM permite. E tenho dúvidas que vá ficar alguma memória. Basta acompanhar as resistências que estão sendo feitas para atrasar a classificação de algum património ferroviário. E, igualmente, o nada ser feito para recuperar e evitar a degradação de espaços históricos, como a antiga estação Barreiro- Mar.
A zona da antiga Doca Seca essa vai arrancar – sim já estava previsto e tudo projectado pelo anterior executivo. É vida. É natural. Não é natural é sobrevalorizar o que se faz, denegrindo o que outros fizeram, que é sempre ligado ao conceito de «abandono». Isso até é feio.

Enquanto no Algarve as autarquias levantam a voz pela modernização da rede ferroviária Lagos – Vila Real de Santo António. Por estas bandas, nada se diz, nada se faz para valorizar e dar uma outra dimensão à rede Barreiro – Praias -Sado. Aqui sobre esta matéria o silêncio é total. Já escutei muitas ideias. Mas agora é silêncio.

E, quando se fala na Terceira Travessia do Tejo, essa coisa que «a todos nos une», numa unidade que é aquilo que une, ou seja a unidade em torno do «bem comum», do «querer comum», que nada tem a ver com “união”, essa, do sermos todos iguais, que nunca somos, nem nunca seremos e ainda bem, é essa a chama da democracia.

A Terceira Travessia do Tejo, essa sim, devia ser o leit motiv para um pensamento estratégico, indissociável do pensar futuro e do ligar o futuro ao passado. Unir. Unir mesmo, estrategicamente. Fazer futuro. Seja qual for o governo, seja qual for a opção do governo. Esta é nossa. Não abdicamos da TTT.
A Terceira Travessia do Tejo em primeiro lugar deve ser pensada e equacionada no seu contexto de uma estratégia nacional e da Área Metropolitana de Lisboa.
No âmbito nacional porque é parte integrante do Plano Nacional Ferroviário.
No âmbito metropolitano porque é parte integrante do conceito cidade de Lisboa, cidade de duas margens. Valorizando a margem sul e dando-lhe dimensão metropolitana. Valorizando a Península de Setúbal. Contribuindo para alargar a visão estratégica do papel da AML no território nacional e dando a Lisboa escala europeia.
E, então, aqui, nesta terra ferroviária a TTT seria a ponte com a via férrea do futuro, este sim um dos motor de desenvolvimento, de criação de emprego e de centralidade regional.

É por isso que a Terceira Travessia do Tejo que, um dia, vai colocar o Barreiro dentro de Lisboa e Lisboa dentro do Barreiro, isso sim, vai dar dimensão para trazer empresas e serviços para o fazer nascer um novo Parque das Nações, do largo das obras até ao Lavradio.
Emidio Xavier viveu este sonho.
Carlos Humberto viveu este sonho.

Mas, tudo isto, pelos vistos foi sonho...foi um sonho que nos uniu, porque, afinal, há muito que o comboio passa em Coina, contribuindo para desenvolvimento dos concelhos de Sesimbra, Seixal, Palmela e Setúbal.
Entretanto, nós cá estamos num cantinho do potencial, esse, onde um dia seremos a Veneza do Tejo. Isso é que é lindo.
Até a Moita já se vai libertando, com o nascer de plataformas logisticas de dimensão europeia.
E Alcochete, Montijo, contam com a Ponte Vasco da Gama.
Coisas que pensei ao sentir que, de facto, cada vez mais o Barreiro vai sendo desconstruído, com clichés, de «centralidades» e «abandonos» ao mesmo tempo que se resigna...à «cultura do fomos».

António Sousa Pereira

02.09.2020 - 19:34

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