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Rota 66 – Assim vai o Barreiro...e o mundo
Das percepções e das lições de democracia

Rota 66 – Assim vai o Barreiro...e o mundo<br>
Das percepções e das lições de democracia Os conceitos não estão fora da vida. A vida faz-se no que fazemos e o que dizemos deve ter essa expressão no fazer. Mas, hoje, vive-se mais em torno de percepções, são elas afinal as portadoras das ditas lições de moral e democracia.

Festa do Avante...a politica e a percepção.

Nos últimos anos a palavra «percepção» tornou-se o que se pode definir como um «paradigma» do pensar e fazer politica.
A propósito da Festa do Avante e toda a polémica, que se tem gerado em torno da sua realização, o que não é nada de mal, porque a existência de opiniões diferentes sobre o evento é salutar.
No entanto, o mais preocupante é que a polémica veio marcada de uma feroz campanha de acção politica, que uniu os que gostam de potenciar a politica com base nas percepções, se essas percepções são o caminho útil para o combate ideológico puro e duro.
Foi isso que aconteceu em torno deste evento, percepções e mais percepções, que culminou com a entrada do Presidente da República, a colocar a cereja em cima do bolo, quando veio colocar a sua reflexão sobre a festa, que sobre isso, disse, não é um problema se está bem organizado ou mal organizado, mas, sim «é a percepção que a opinião pública tem em relação ao acontecimento».
Portanto, é isto, apenas isto, entrar na onda do fazer opinião, do cultivar opinião indo atrás da percepção, a opinião sobre a vida molda-se de acordo com a percepção. A avaliação politica faz-se com base na percepção. Não são os factos. Não é a forma. Não é a substância. É a percepção. É o adjectivo, porque, afinal, o adjectivo é aquilo que no essencial molda as ditas percepções. A percepção não é conceito, a percepção é emoção, e é a emoção de facto é a força que dá força e cultiva o populismo.

A lições de democracia e as lições de moral

Uma curiosidade que, regularmente, observo nos «confrontos politicos» que acontecem nas reuniões da Câmara Municipal do Barreiro, é verificar que quando o PSD toma posições, por vezes até agressivas e demolidoras, para o com governo PS, ou para a governança autárquica local liderada pelo PS, raramente recebe a resposta politica adequada.
O PS, como se diz na gíria, mete a viola no saco e opta por calar, ou, quanto muito torce o nariz para o lado. Admite que o PSD lhe salta a rolha para atacar o governo, e, isto é democracia que dá legitimidade politica de criticar. O PS torce o nariz, engole e cala.
Mas, quando se trata de ser a CDU criticar a gestão da governança autárquica liderada pelo PS, ou as politicas do governo. Neste caso o PS, ergue a voz, admoesta a CDU, e, é rara a vez que não sublinha que o PS não aceita lições de moral, ou lições de democracia da CDU.
Isto é uma constante. O PSD, portanto, pode dar lições de moral e democracia ao PS. Neste caso o PS come e cala.
Quanto à CDU se fala, é criticista e leva nas orelhas. É isto a vida. É isto que faz nascer a tal cultura de percepções. Afinal, lições de moral e lições de democracia...só se recebem do PSD.

Marx, Engels, Lenine, PCP e Álvaro Cunhal


Escutei com atenção e curiosidade a intervenção de Jerónimo Sousa, no Comicio de Encerramento da Festa do Avante, porque considero que a visão e a análise politica do PCP, é importante para pensar Portugal e o tempo que vivemos.
Registei as duas medidas de exigência de nacionalização do «Novo Banco» e de trazer de novo os CTT para a gestão pública. Duas propostas que nos tempos de hoje, não podem ser avaliadas como se estivessemos no PREC, antes pelo contrário, os tempos de hoje, cada vez mais colocam como imperioso repensar a importância do Estado na regulação de serviços essenciais, no garantir o bem comum, e, tomar medidas estruturantes para a economia e para a coesão da comunidade. A forma como a Europa se posicionou, ou procurou posicionar-se, agora, perante a crise emergente da pandemia COVID, não é a mesma Europa das politicas asfixiantes da austeridade. Talvez, por isso, o PCP tem razão nas suas propostas.
Aliás, o PCP tem razão em diversas propostas que apresenta sobre a actividade laboral, as relações de trabalho, e, até sobre a perda de produtividade do país.
Na verdade, agir com politicas que defendem estas matérias são as respostas fundamentais para travar o crescente aumento da influência do populismo.
Mas, já agora, nesta intervenção de Jerónimo de Sousa, despertou-me muita atenção o facto de a expressão marxismo-leninismo ter estado ausente no discurso. Coisa rara em Festas do Avante.
Jerónimo Sousa, salientou que nesta fase de preparação do XXI Congresso do PCP, «a identidade comunista», e «a natureza de classe» da «ideologia» e «princípios de funcionamento» do PCP, são desenvolvidos, disse – “usando os instrumentos que Marx e Engels criaram, a experiência legada por Lenine e a elaboração colectiva do PCP com o singular contributo de Álvaro Cunhal”.
Esta é uma nota que registei, porque, é, sem dúvida, uma marca de um novo «pensamento politico», o qual equaciona o pensar a estratégia e a táctica do fazer politica, analisando a situação portuguesa e mundial, com base em instrumentos teóricos, politicos e filosóficos, com raíz na história e na memória...que vão para além do marxismo-leninismo, integrando o pensar o «aqui e agora», de forma dialéctica e histórica. Uma curiosidade.

António Sousa Pereira

07.09.2020 - 16:19

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