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Por dentro dos dias
É isso, para mim será - Barreiro sempre!

Por dentro dos dias<br />
É isso, para mim será - Barreiro sempre! A nossa terra é a nossa terra. A nossa rua é a nossa rua. Eu não sou do Barreiro, esta é a terra dos meus filhos e da minha neta, mas aprendi a sentir o Barreiro no coração. Gosto de dizer Barreiro. Gosto de sentir Barreiro. No Barreiro aprendi a amar. No Barreiro aprendi a Liberdade. No Barreiro aprendi a solidariedade.

A minha geração tem raízes no coração do bairro, da terra, raízes vividas de sentimentos, de sabores, de raivas, de gente que se tocava olhos nos olhos.
A minha geração aprendeu a viver a vida com paixões, resistência, amizade, amor, utopias, valores que pulsavam no fazer comunidade.

A minha geração aprendeu a viver de casa em casa, familias que eram uma familia, casas de portas abertas, gente da fábrica, gente do mar, gente do rio, gente do campo, gente que era gente de ternura e partilha.

A minha geração cresceu nas ruas, nas brincadeiras de esconde esconde, do saltar ao eixo, do jogar ao berlinde, do peão, da cabra cega, dos quatro cantos. A minha geração aprendeu a resolver os conflitos de forma simples, num discutir frente a frente, a olhar para o outro, e tudo findava com serendiade entre um murro ou abraço. Seguia-se adiante.

A minha geração inventou jogos, descobriu formas de recriar a vida reinventando brinquedos nascidos de latas de conservas, carrinhos ou fogões de cozinha.

A minha geração não precisou de inventar códigos postais para sentir a terra que tinha no coração. O nosso código era o “ir à vila”, que ficava do outro lado de lá, do jardim, ou da linha de comboio.

A minha geração tem marcas do território inscritas nos nervos, marcas feitas de sangue, por isso a sua terra tem nome, esse que orgulha com as suas histórias e memórias. Um nome que é uma identidade. Pode ser Lavradio. Pode ser Baixa da Banheira. Pode ser Alhos Vedros. Pode ser até a terra de onde um dia partimos, no meu caso diz-se « Sou de Vila Real!». É isso, diz-se: Barreiro!

A minha geração tem memórias de guerras. Memórias de ausências. Memórias de utopias. Memórias de Trabalho. Memórias de Luta.
E, afinal, nessas memórias está inscrito tudo o que fomos e somos. A unidade na diversidade.
A minha geração aprendeu a viver e a sentir a velocidade do tempo, as mudanças a rasgar o pensamento, do telefone ao telemóvel, da rádio à televisão, do telegrafo à internet. Aprendemos. Nunca sucumbimos. Estamos cá, com garra, com toda a garra essa que ferve nos nervos, essa que nasce na paixão e no amor à vida.

A minha geração tem orgulho nos beijos descobertos nos bailes da colectividade, nos carinhos trocados nas margens do Tejo, na diversidade que forjou a palavra amizade.
A minha geração não é a perfeição. Aprendemos errando. Aprendemos com insuficiências.

A nossa terra é a nossa terra. A nossa rua é a nossa rua. Eu não sou do Barreiro, esta é a terra dos meus filhos e da minha neta, mas aprendi a sentir o Barreiro no coração. Gosto de dizer Barreiro. Gosto de sentir Barreiro. No Barreiro aprendi a amar. No Barreiro aprendi a Liberdade. No Barreiro aprendi a solidariedade. Obrigado Barreiro.
Ao dizer Barreiro sinto nessa palavra a sua identidade, sinto a sua história, sinto as gerações que me receberam e integraram nesta comunidade, e, que tantas vezes escutei aquele orgulho de afirmar : “Sou do Barreiro”.
Por favor não me obriguem a dizer: “Sou 2830!”. E, por acaso, eu, até sou da zona 2835.
Barreiro. Lavradio. Palhais. Coina. Ilha do Rato. Verderena. Alto do Seixalinho. Quinta da Lomba. Telha. Vila Chã. Penalva. Santo António da Charneca. Covas de Coina. Bairro das Palmeiras. Bairro da CUF. Bairro Operário. Bairro 25 de Abril. Bairro da Liberdade. Coina. Mata da Machada. Sapal do Coina. Alburrica. Quinta Braamcaamp. Recosta. Avenida da Praia. Bairro da CUF. Bairro dos Engenheiros. Bairro do Actores. Todos estes e muitos outro lugares, é isto, o Barreiro, um concelho de sitios e lugares – um concelho cidade.

Foi assim que conheci, nos anos 70, uma cidade a pulsar, terra de trabalho que se agitava na sua intensa vida associativa, desportiva e cultural. Terra de resistência. Terra de Liberdade. Uma cidade que sofreu dos mais dolorosos golpes e aguentou na sua vida comunitária. A desindustrialização. A descomercialização. A desferroviarização. Uma desenfreada implantação urbana, sem regras e sem respeito pelo espaço urbano.

Uma cidade resiliente. Uma cidade que tem vindo a renascer, na sua zona ribeirinha, na requalificação dos seus espaço públicos. Uma cidade que tem dos melhores transportes urbanos públicos, com qualidade e renovados. Uma cidade com esperança.
É ,por isso, que, com garra, com vontade e querer, com paixão e com amor, aqui, hoje, neste século XXI, reafirmo - Barreiro sempre.

Vamos lá Barreiro, tu consegues. Tu vais dar a volta, tu serás um espaço único e singular – a única terra da AML que tem o esplendor do Tejo a beijar as ruas da cidade.
É isso, para mim será - Barreiro sempre!
António Sousa Pereira

13.09.2020 - 00:12

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