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A(nota)mentos – Barreiro
Aprovado empréstimo de 5 milhões sem objectivos estratégicos

A(nota)mentos – Barreiro<br>
Aprovado empréstimo de 5 milhões sem objectivos estratégicos Tudo está bem quando acaba em bem, empréstimos aprovados, e , foi reposta a legalidade democrática com a possibilidade dos municipes participarem nas reuniões da autarquia.

Ontem realizou-se a reunião da Câmara Municipal do Barreiro, em torno da qual gira o mundo politico desta comunidade. Os partidos não existem com acção politica. Estamos a um ano das eleições autárquicas e existe um total silêncio. O que se sente da proximidade das eleições autárquicas é apenas azáfama municipal.
Sabia que estava agendada a reunião de Câmara, mas nem liguei, e, de facto, foi o meu amigo Jaime Gonçalves que me telefonou, todo feliz, para informar que estava a ser aprovada na reunião uma saudação à Beatriz Gonçalves, que foi o «Rosto da Semana», pela sua conquista de título de campeã nacional de Xadrez, no escalão Sub 8. Gostei.

E, por essa altura, fui acompanhar os trabalhos, que apesar da hora adiantada, ainda estavam a debater os primeiros pontos da ordem de trabalhos relativos a três empréstimos, num total acima dos 8 milhões e 600 mil euros.
O primeiro de um milhão, quinhentos mil euros e uns trocos, para as Rotundas da Avenida da Liberdade, junto ao Terminal Ferro-Fluvial. Uma obra que se insere no plano de rotundas.
Outro empréstimo de dois milhões, cento e setenta e três mil euros, destinados à Escola Básica EB1 nº 3. Alguém comentou que esta verba dava para fazer uma escola nova e que tinha dúvidas, mas isso, como era uma critica da CDU. Tinha que ser refutada. E foi com argumentação do nós e vós, e politica e politiquice. Essas coisas.
O outro empréstimo, de cinco milhões, é destinado a infraestruturas do Barreiro Velho. Este foi refutado pelo PSD, com um discurso arrasador contra a governança socialista. Não teve resposta. Nunca tem resposta. Que faz o PS ter medo do PSD e abrir os olhos para a CDU.
O PSD criticou o endividamento. Só aqui, neste caso, teve uma ténue resposta da liderança da governança, que informou que estão a acabar empréstimos existentes, e, após esses pagamentos, existirá um saldo de 300 mil euros ano. Nada mais. Impressionante. Sobre a estratégia, videos e coisa e tal, nada.
Nunca é demais recordar que, sobre isto, a situação financeira, valha-nos a boa situação legada do anterior mandato CDU – e, do Centeno cá do burgo, o financeiro Carlos Moreira - que passou as passas do algarve para dar a volta às dificulades que começaram com o orçamento deficit zero de Manuela Ferreira Leite, atenuado com o PAEL, e que, depois, ainda ficou pior com a troika.
Como dizia a canção – “eu gostava de vos ver aqui”, nos tempos de Pedro Canário, de Emidio Xavier, de Carlos Humberto. Nem falo do tempo de Helder Madeira, que nem se cumpria a Lei de Finanças Locais.
Nqueles tempos sim era imperioso recorrer a empréstimos que faziam doer, para se poder fazer obra, obra estruturante, redes de águas e saneamento, arranjos de logradouros, arruamentos, passeios, escolas e, mais importante, garantir os TCB. Tanta coisa foi construída, tanta obra. Tanto o Barreiro se transformou. A gratidão para homens como Helder Madeira, Pedro Canário, Emidio Xavier, Carlos Humberto, devia limitar certos impropérios e atitudes pedantes que marcam a nova vaga. Mas enfim, coisas. A verdade é que este executivo nasceu em berço de ouro.

Quer a CDU, quer o PSD, lamentaram que se esteja a avançar para um empréstimo de cinco milhões, destinado ao Barreiro Velho, sem se saber o que vai ser feito, sem uma estratégia. Pede-se o dinheiro para adiantar. Depois o resto vai surgir.
Não se debate. Não se define. Uma cidade que é de todos, por todos deve ser discutida, diziam os socialistas em tempos idos em criticas à gestão CDU.

O PSD acusou que este era um empréstimo para fazer um video, reduziu a cinzas a proposta da gestão PS, neste caso classificando-a de mediocridade, e, juntou ao PS a CDU, mas, no final, optou pela abstenção, para não ser acusado através de outro qualquer video que possa ser produzido, de ter sido força de bloqueio a este empréstimo. A CDU também se absteve, certamente pelas mesmas razões.
Em conclusão aprova-se um empréstimo que pode não contar para o endividamento, mas que é uma divida, para um projecto que não tem estratégia, que ninguém sabe o que dele pode resultar. Pronto. É isto.

Depois foram aquelas votações em bloco – 7,8,9, 10, 12, 15, 16, 17, 18, 19, 20 – tudo aprovado por unanimdade. Ninguém sabe o que é – apoios ao associativismo. A proposta 11, foi só um pró-forma. Nada se acrescentou aos autos. E, ala que se faz tarde. Tudo aprovado.

Depois, mais uma outra proposta, por unanimidade, aquela que vai permitir a reposição da legalidade democrática, interrompida por uns meses, por decisão da governança PS. Apesar de muitas criticas e contestações da CDU. O PSD fez de lebre e avançou com uma proposta de regulamento, para acabar com esta afronta à cidadania.
Enfim, aprovada por unanimidade, se na reunião anterior temia-se que esta proposta fosse a causa de ajuntamentos à porta, de montes de gente a acorrer às reuniões públicas, esse medo foi ultrapassado, agora, o medo são os partidos, aqueles que deviam ser o garante da democracia, podem colocar em causa a boa vontade desta proposta, se optarem por inscrever os seus militantes e assim tapam as vagas do periodos do público. Os perigo dos partidos agirem na vida local. Que estranha forma de vida. Mas, enfim, lá foi aprovada a possibilidade dos municipes participarem no período de intervenção do público, e, pasme-se, até ficou aceite que os inscritos possam dizer o assunto previamente, caso queiram, deixando de ser obrigados a previamente fazer a inscrição e confessar o segredo – venho falar do buraco x ou y.
Digam agora que não há democracia. Total liberdade. É uma liberdade covidada, mas existe.
Não sabemos, porque isso não foi dito, nem até hoje fomos informados, se aos órgãos de comunicação social é permitido assistir, se o entenderem, às reuniões da Câmara ou mesmo da Assembleia Municipal. Se há limites. Ou se estão impedidos.
É, isto agora vivemos uma «democracia covidada», que dá para tudo, uns autorizam presença, outros não autorizam, é assim à vontade do freguês, por exemplo, em algumas assembleias de freguesia, não é permitida a presença de público. Perguntas devem ser enviadas por e-mail. Coisas.

Por fim, a reunião findou. A CDU retirou uma moção, que antes de ser retirada já estava com o cutelo sobre a sua urgência e prioridade de ser retirada. Ficou agendada para a próxima reunião.

António Sousa Pereira

17.09.2020 - 15:20

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