inferências
Por dentro dos dias – Barreiro
A propósito de tiroteios nas ruas ou uma cidade que está a perder vida própria
A questão do tiroteio na via pública é um problema de segurança, que afecta a confiança, mas, acima de tudo, o que estamos a viver no concelho do Barreiro, e, vai ser assim, cada vez mais, nos próximos anos, é que estamos a transformar-nos numa cidade que está a perder a vida própria e transformar-se num guetto de suburbanidade. Os sinais são visiveis. As causas são óbvias.
Hoje, de novo voltaram a escutar-se tiros nas ruas centrais do Barreiro, desta vez, na zona do Alto do Seixalinho. Isto parece que está a tornar-se uma banalidade. E, em sequência destas situações lá surge o discurso da falta de segurança, e, a necessidade de serem tomadas medidas.
Cá por mim, até pode existir uma esquadra em cada bairro, que, de certeza, estas situações vão continuar e até multiplicar-se.
O sentimento de insegurança nada tem a ver com a falta de segurança, e, situações destas, nada têm a ver com a falta de policiamento.
Uma coisa tenho verificado, e, quem anda pelas ruas certamente verifica que, na realidade, nos últimos tempos começaram a registar-se a presença de mais viaturas da Policia de Segurança Pública na ruas do Barreiro, e, até, mesmo, com mais regularidade situações de «stop» que são formas de dissuadir e promover o sentimento de segurança e confiança nas forças policiais.
Admito mesmo que possa ser necessário reforço de pessoal e equipamentos, acho mesmo que seria muito importante sentirmos a presença de agentes na via pública com maior frequência, não só em zonas centrais da cidade, mas nas periferias, como Lavradio, Verderena, Alto do Seixalinho e Santo André, dado que, na zona rural essa é missão da GNR.
Eu, tal como todos que por aqui vivemos, na verdade vamos aumentado o nosso sentimento de insegurança, e, estes acontecimentos são geradores desse clima que afecta cada um de nós, com maior ou menor intensidade, e, a comunidade no seu todo na forma como frui e sente o espaço público.
Temos que sair daqui.
Hoje, um amigo mandou-me imagens da ocorrência na Avenida do Bocage, e, no registo escutava-se o sentimento de quem filmava – isto tem que acabar, estamos a viver num sitio de loucura. Temos que sair daqui.
Referia-se que o tiro “bateu mesmo aqui”, numa filmagem feita de um andar elevado. Escutou-se o disparo.
O meu amigo dizia que – “quem de direito, olha para o lado e não intervém”, e, acrescentava que Bruno Vitorino, vereador do PSD, tem, nas reuniões de Câmara alertado para estas situações – “mas não se faz nada”, referia.
Sim, é verdade. Confirmo, o vereador social democrata tem sucessivamente erguido a sua voz, faz eco nas sessões de câmara do que é comentado nos cafés e nas redes socias. Esta tem sido uma das suas bandeiras.
Bruno Vitorino tem feito da matéria de segurança, há vários anos, a sua bandeira, e, neste contexto vem exigindo que se avance para a criação de uma Policia Municipal.
Recordo até, que na última reunião da Assembleia Municipal do Barreiro, Vítor Castro Nunes, do PSD, abordou esta temática, e, expressou as suas preocupações, tendo obtido como resposta, subtilmente, o epíteto de qualquer dia estar a dizer “chega Barreiro”. Um comentário que nada teve de politico, porque a politica é o confronto de ideias e não a troca de rótulos.
A preocupação de Vítor Castro Nunes é legitima e dar voz a preocupações que se sentem na comunidade é trazer para a agenda politica o debate de problemas sociais, para que possa existir debate e procura de soluções.
Este é um tema que merecia um debate politico sério, até, para evitar que se transforme numa causa populista e banalizada.
Esta matéria, por exemplo, da Policia Municipal já tem barbas, E. até hoje, não percebo, nem nunca percebi, porque quer em anteriores gestões quer CDU, quer PS, nunca se abriu este dossier e, com dados concretos, e estudos objectivos – arruma-se o assunto. Sim ou não. Se sim, porque razões, com que objectivos, com que custos. Se não, porque razões e fundamentos.
Só assim, este assunto ficava arrumado e deixava se criar expectativas que a segurança seria maior com Policia Municipal, ou se a mesma se limitaria a ser um mero reforço em matérias de fiscalização, em diversas vertentes.
Um guetto de suburbanidade.
Mas, numa troca de palavras com o meu amigo, disse-lhe que sendo a questão do tiroteio na via pública um problema de segurança, que afecta a confiança, acima de tudo, o que estamos a viver no concelho do Barreiro, e vai ser assim cada vez mais, nos próximos anos, é que estamos a transformar-nos numa cidade que está a perder a vida própria e transformar-se num guetto de suburbanidade. Os sinais são visiveis. As causas são óbvias.
E, comentei com o meu amigo que este problema, de sermos uma cidade que está a perder vida própria, não se resolve com mais policias na rua, resolve-se com uma estratégia de desenvolvimento urbano, não com uma estratégia de crescimento urbano.
Vazios urbanos da desindustrialização
Há algumas prioridades para, de facto, deixarmos de ser uma cidade sem vida própria, uma delas é estimular a criação de emprego, nos território com potencial para tal – os vazios urbanos da desindustrialização. Isso implica que a autarquia tenha um diálogo intenso com o governo.
Vazios de cidadania
Outra prioridade era apostar na promoção da cidadania activa, valorizando a rede de cidadania que é o movimento associativo, não como parente pobre, e, tudo fazer para dar vida aos espaços associativos e evitar que continuem a transformar-se em “vazios de cidadania”.
Considero, no entanto, que a temática da ‘segurança’ era merecedora de uma ampla reflexão, porque a segurança é um forma de garantirmos que a nossa casa tem continuidade no espaço público.
Quando ouvi aquela pessoa dizer – estamos a viver num sitio que é uma loucura, temos que sair daqui, isto, em plena Avenida do Bocage, uma zona nobre da cidade. Acrescentei interrogações ao futuro anunciado.
Aliás, as mesmas interrogações que nasceram no meu pensamento, quando li, um destes dias, um texto de um politico cá do burgo a expressar a sua satisfação pelo inicio da conclusão da nova esquadra da PSP no Barreiro antigo, dizia, o dito politico, pasme-se, que esta esquadra é fundamental para gerar mais confiança para quem quer investir numa frente de rio única com vista privilegiada para Lisboa e para o Tejo. Arrepiei-me!
Se, numa cidade, é condição necessária para dar confiança a quem quer investir, aqui ou acolá, que seja construída uma esquadra da policia. Onde chegámos?!
E, ao ler isto ocorreu-me tanta coisa dita e redita sobre a esquadra do Barreiro Velho, em reuniões de Câmara, na assembleia Municipal. Das estratégias de Policia de proximidade, às estratégias de super esquadras. Tanta coisa, e, sobre isto, até hoje, nunca houve uma discussão séria, objectiva, sobre o papel que esta esquadra vai ter naquele território, o que ela, vai ou não resolver, ou se, afinal, não é mais uma da tais coisas de tapar o sol com a peneira.
Bom, por agora, fiquei a saber que vai ser um motor de atração de investimento.
S.P.
12.12.2020 - 22:45
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